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Você conhece o Airsoft?

16 ago

Olá galera,

Por acaso vocês já tiveram a vontade de participar da emoção de uma campanha militar no deserto? Ou quem sabe lutar contra terroristas em locais de difícil movimentação? Ou talvez reencenar algum combate militar moderno, como a tomada de Montese na Segunda Guerra Mundial pela FEB? Ou quem sabe, você queria poder, ao estilo mais light, capturar a bandeira no território inimigo e clamar a vitória sobre o adversário? E se eu dissesse que é possível simular tudo isso, ao vivo, com belíssimas e verossímeis réplicas de armas famosas como o fuzil M4, ou com uma escopeta Mossberg 500, ou mesmo uma submetralhadora M11?  

 

Pois tudo isso é possível no hobby (e esporte) conhecido como Airsoft. Não sei se quem esta lendo esta matéria lembra-se das antigas “pistolas de bolinha”. Elas geralmente eram feitas de plástico, usavam um mecanismo de mola para gerar a pressão de ar em uma câmara para finalmente expeli-la quando o gatilho fosse pressionado. Tinham uma aparência convincente (tendo sido, por esta razão, lamentavelmente, utilizadas em assaltos e outros crimes; já voltaremos a esta questão) e não tinham muita qualidade (acabavam quebrando entre um disparo e outro). Bem, estas réplicas evoluíram (em qualidade) e deram origem ao esporte Airsoft, que hoje possuí centenas de seguidores e aficionados ao redor do mundo e começa a se difundir, inclusive, aqui no Brasil.

A verdade é que estas réplicas já eram produzidas desde a década de 1970. Normalmente, eram importadas da China ou Japão (os principais produtores e pioneiros neste campo), mas recentemente passaram a ser produzidas em outros países, como a Bélgica e Estados Unidos (nota rápida: a famosa fabrica alemã H&K mantém uma linha de Airsoft em que as réplicas podem intercambiar acessórios com as armas reais, como silenciadores, telescópios e miras-laser).

 

Depois das armas de gás (que possuíam uma qualidade um pouco superior às anteriores de mola; estas utilizavam gás propano, atualmente usam também gás HFC134a e cápsula de CO2 nas réplicas de revolveres e espingardas), a revolução neste campo teria vindo com as japonesas AEG (“automatic eletric gun”) que podiam agora reproduzir as rajadas de metralhadoras e fuzis (e eram mais seguras, baratas e de fácil manutenção que as de gás). Além disso, a possibilidade do airsofter possuir réplicas de metal (com o mesmo peso e aparência das originais) ou de fibra de carbono ajudou a recriar o interesse pelo hobby que passou despercebido pelo consumidor brasileiro em virtude de seu preço de antigamente (naturalmente, o atual momento de prosperidade econômica também tem ajudado). Algumas armas chegam até reproduzir o “blowback” (o “coice”) e o barulho das armas reais. Se você quiser ter uma idéia dos modelos e dos preços no exterior, sugiro o site da Evike e da Red Wolf .

 

Mas nem tudo se resume à luta. Mesmo que você não se interesse pela ação do combate campal (ou do CQB, a “close quarters battle”), e queira apenas colecionar estas belas réplicas, há também a galera que se interessa apenas pela customização das armas para tiro ao alvo (esportivo). A exemplo de um aficionado por aeromodelos, há aqueles que procuram comprar peças e acessórios para modificar a pressão (a “muzzle velocity”) e a quantidade de tiros por segundo (FPS) e obter a máxima otimização de suas “armas”.

MAS, E A PRÁTICA?

Neste hobby busca-se tanto a aproximação com realidade que atualmente considera-se um tipo de exercício 100% adequado para o treinamento das forças especiais de combate verdadeiras como a polícia federal e o BOPE.

É claro que por se tratar de um esporte de impacto como esse a segurança é muito importante. Proteções especiais para os olhos (óculos específicos para airsoft), face e roupas de combate para diminuir a dor do impacto da BB (as “bolinhas”) garantem que acidentes não ocorram em virtude dos disparos. Alguns campos de combate também têm regras próprias como limite de “muzzle velocity” (sim, há medidores para isso) e de FPS para garantir uma diversão saudável (pois é, levar uma saraivada de uma “minigun” na cara não deve ser nada agradável!).

 

Mas como sabemos que alguém foi atingido? Afinal, as BBs não explodem em tinta como as paintballs!

Bem, a regra a universal do Airsoft é: se você é atingido, deve acusar que foi atingido. No caso, o procedimento clássico é levantar o braço e gritar “hit”, deixando o campo de batalha por um tempo até poder retornar (alguns campos usam a regra de número de “vidas” pré-definido neste caso, outros usam a regra do “ferido”, se o acerto não foi no tórax ou na cabeça). Alguns combates usam uma regra de que se arma for atingida, não pode mais ser utilizada, por isso, em combates abertos, e costume levar até duas armas sobressalentes (geralmente uma sub e/ou uma pistola).

 

Muitos grupos regulares costumam, para máxima eficiência, pesquisar táticas de combate reais para aplicá-las em campo quando em campeonatos e combates abertos (sim, eles existem, e inclusive aqui no Brasil; neste ano teremos a OPERAÇÃO FÊNIX III – Encontro Nacional de Airsoft, nos dias 12,13 e 14 de Novembro de 2011 no Quartel General da 5ªRM – Curitiba/PR organizada pelo G.E.A.R. – Grupo Especial de Ações Rápidas).

A obtenção das réplicas é fortemente regulada pelo Ministério de Defesa (ou seja, o exercito).  Legalmente a questão da compra e venda dos produtos ligados ao hobby foi contemplada em dezembro de 2007, em que foi lançada a PORTARIA Nº 006-D LOG, que regulamenta o uso dos equipamentos usadas na prática do esporte Airsoft. Posteriormente, em fevereiro de 2010, o exército publicou então a Portaria 002 Co-Log, que revogou a portaria anterior e passou a exigir que as armas de pressão de Airsoft tenham a extremidade pintada de laranja ou vermelho vivo para diferenciá-las das armas de fogo (para evitar incidentes como os citados no início do texto).

 

Bem, se você se interessou, é de Curitiba e gostaria de ver como funciona este hobby, existe o campo da Área 51, em que as partidas são jogadas em  um antigo sanatório desativado. Sugiro fortemente que você confira se na sua cidade também há um campo de jogo. É, no mínimo, uma boa tarde de diversão.

Fica a dica. Até mais.

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2 Comentários

Publicado por em 16/08/2011 em Real Action

 

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2 Respostas para “Você conhece o Airsoft?

  1. Autor

    16/08/2011 at 1:26 PM

    Muito bom, Parabéns!

     
  2. guidoconti

    16/08/2011 at 2:48 PM

    Obrigado. Fica o respeito pelo hobby que é bem bacana e muito saudável.

    Abraço

     

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