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’45 Psychobilly Retropocalypse – Resenha

29 set

Olá galera, que bom vê-los por aqui. Hoje falaremos de um RPG que une dois conceitos muito legais: a atitude psychobilly e o pós-apocalíptico. Se analisarmos os dois conceitos mais profundamente, observaremos que não se trata de algo tão simples.  O psychobilly, por exemplo, é um gênero dentro do punk rock que utiliza vários elementos musicais do rockabilly e tende priorizar como inspiração musical os filmes de horror trash, de ficção científica “B”, a cultura americana dos anos 50 e as imagens dos hotrods, dragsters e das pin-ups. Toda essa combinação de informação e de gêneros redunda nesta estética musical chamada psychobilly que muitas pessoas adotam, inclusive, como estilo de vida. E o pós-apocalíptico?  Se trata de um subgênero da ficção científica que busca retratar  a civilização humana após algum evento cataclísmico de proporções muito amplas (em geral, mundial). Esse gênero foi muito popular na época da guerra fria por causa do medo generalizado de uma guerra nuclear (se você tiver minha idade vai lembrar-se de como tinham muitos filmes ao estilo Mad Max passando na TV!). E o que estes dois conceitos têm em comum? Quase nada, mas se você aliar a atitude e o estilo psychobilly à um mundo pós apocalíptico a lá Mad Max, você terá o divertido ’45 Psychobilly Retropocalypse em mãos.

Este RPG foi criado em 2006 por James Desborough pela Postmortem Studios. O cenário é simples: a 2ª guerra mundial começou com uma guerra de trincheiras e rapidamente escalonou para uma guerra com armas atômicas dos dois lados. Isso fez a civilização regredir no seu desenvolvimento, estagnando as coisas e os conceitos nas ideias de 1945. Tudo ficou ainda mais complicado quando invasões alienígenas, zumbis e mutantes começam a surgir para tomar a Terra. E tudo que resta entre eles e os inocentes é você, mutante adolescente roqueiro! Ok, você não precisa ser nem mutante, nem adolescente, nem roqueiro. Você pegou a ideia…

Bem como é este mundo? O mote é a realidade dos filmes “b”. Ele é um mundo onde há lobisomens, vampiros, motoqueiros assassinos, zumbis, marcianos e lagostas gigantes, mas que, de certa maneira ingênua, sim, o herói tem seu espaço, e sim, se ele lutar pelo o que ele acredita vai vencer e ficar tudo bem no final!  Existem algumas convenções de gênero adotadas que devem ser utilizadas pelo mestre para que o jogo fique com  a atitude certa: os vilões bucha de canhão, o heroísmo nato (existem mecânicas que premiam o heroísmo), o papel da mulher (aqui se dá preferência ás mulheres tatuadas cheias de atitude do psychobilly ao invés das submissas dos anos 50), mensagens morais (?), a importância da obviedade (se é feio, é do mau, pode atirar sem pena…), a paranoia, a loucura da ciência (muitos monstros surgem de experiências mau sucedidas), auto afirmação (“Nós devemos reerguer o sonho americano!”), a revolução sexual (isso aí…mulheres de biquínis com metrancas) e queixos quadrados (os heróis tem que ser maiores que a vida, não tem que ter medo de se meterem em situações complicadas).

Se você está tendo dificuldade para visualizar como são os personagens deste mundo não tem grilo: o livro passa uma lista bem bacana de personagens prontos e eles são tão legais que rapidamente você terá ideia de alguns conceitos (há um roqueiro mutante de quatro braços, um gorila robô com uma escopeta, um detetive noir louco com uma lança e uma pistola, uma mulher urso…é muita doideira). Depois desta parte são dados mais detalhes de como é o mundo em si (estradas, desertos, cidades fantasmas, cidades estados, vilas de sobreviventes, etc… bem Fallout da vida). Há sugestões de aventuras também.

O sistema do ’45 Psychobilly é fácil: quando é feito um teste, só é rolado o numero do atributo em dados de d6. O nível da perícia pertinente diz se nesta rolagem há re-rolagens (de acordo com a tabela pertinente) e a partir de quanto é considerado sucesso. Ou seja, é um jogo de sucesso por dado, como o Storyteller, mas o que determina a dificuldade mínima do dado é o nível de perícia comprado (e este nível determina se pode haver re-rolagens na dificuldade alcançada; e sim, os dados podem ir explodindo continuamente…). Modificadores são impostos na tabela de re-rolagem.  Os personagens também podem ganhar pontos de heroísmo para passar automaticamente em um teste (e os vilões, pontos de maldade). As regras de combate seguem uma mecânica similar (embora o dano seja determinado por tabela em razão do numero de sucessos e do tipo da arma utilizada; é simples, na verdade).

A criação de personagens é bem simples e permite, inclusive, a criação de mutações (há regras bem bacanas para isso). Há bastante equipamentos e armas. Há regras também para customização de hotrods (sim, é psychobilly pô…). Por ultimo, foi adicionado um capítulo de criações de aventuras instantâneas bem competente (mais mastigado, impossível), e claro, uma aventura pronta. Há também uma quantidade extra de NPCs prontos para o mestre se inspirar em uma lista separada (que tal botar uns frankensteins pra atentar seus jogadores? Ou marcianos? Ou robôs? Ou monstros do fundo do lago? Ok…). Nada mal, não é?

Bom pessoal, essa foi a dica da semana. Se você quer um jogo simples, rápido, divertido e cheio de atitude, eis minha sugestão:  ’45 Psychobilly Retropocalypse. Esse é o jogo.

Abraço a todos!!

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7 Comentários

Publicado por em 29/09/2011 em RPG

 

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7 Respostas para “’45 Psychobilly Retropocalypse – Resenha

  1. Braga

    29/09/2011 at 2:42 PM

    Cara, que hilário! Fiquei na pilha…

     
  2. guidoconti

    29/09/2011 at 4:12 PM

    É bem bacana e o conceito muito doidão. O sistema é simples o suficiente praquela sessão one-shot de fim de tarde em que voce e seus colegas acabaram de sair do trabalho.

    sugiro uma partida com uma trilha sonora de Cramps, Toy Dolls ou Catalépticos (banda de psycho daqui de Curitiba).

    Abração

     
  3. Max

    29/09/2011 at 7:53 PM

    Interessante. Existe um cartoon Canadence dos anos 80 chamado “Rock & Rule” que, embora não seja muito puxado pro psychobilly, lembra este cenário. temos um grupo de roqueiros que tem de salvar o mundo pós-apocalipco cheido de mutantes (incluindo eles) de um grande mal.

    Vale a pena caso achem.

     
  4. Ricardo Mallen (@malliens)

    29/09/2011 at 10:16 PM

    Poxa vou dar uma procurada parece ser bem interessante!!!!

    Valei pela dica!

     
  5. guidoconti

    30/09/2011 at 11:10 AM

    Hhahahahhahahahahahahhaha, boa dica mesmo! Adoro esses quadrinhos pós-apocalíptico alternex estilo Tank Girl.

    Abraço

     
  6. guidoconti

    30/09/2011 at 1:35 PM

    Gafe minha.O Max falou que o Rock & Rule é um cartoon e eu pensei em quadrinhos de jornal quando mencionei a Tank Girl. Não, gente. Rock & Rule é uma animação. De qualquer forma, fui checar e é bem legal, pois tem músicas do Blondie, do Lou Reed, do Iggy Pop e do Earth, Wind & Fire.

     

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