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The Everlasting RPG: Book of the Unliving – Resenha

13 out

Você um dia já se perguntou como seria se o World of Darkness tivesse outro sistema (okay, os que já viram o Gurps Vampire, Werewolf e Mage já tiveram essa resposta), mas um que não necessitasse de 500 suplementos ou que não estivesse numa contínua escalada de poder para atrair a sanha dos consumidores através da apresentação de criaturas cada vez mais e mais apelonas? E se eu dissesse que esta experiência já foi tentada durante a década de 1990 por uma editora indie? Pois bem, Steve Brown da Visionary Entertainment Studios Inc. começou essa empreitada lançando em 1997 o primeiro livro deste universo, o Book of the Unliving, um livro que explicaria e lançaria as mecânicas dos mortos-vivos do mundo de Everlasting, um mundo que exploraria o mote das agruras e dos conflitos entre os imortais. Bem ao estilo Highlander.

O mundo dos imortais é muito complexo e existem muitos seres sobrenaturais coexistindo no mundo moderno: Angels, Daevas, Dead Souls, Djinn, Dragons, Dwarves, Elves, Faeries, Gargoyles, Ghuls, Manitou, Orcs, Osirians, Possessed, Questers, Reanimates, Revenants, Vampires e Wer. No total são 4 livros básicos (The Book of the Unliving, The Book of the Light, The Book of the Spirit e The Book of the Fantastical) e 2 suplementos (The Codex of Immortals e The Magician’s Companion). E é isso. Isso são 100% da bibliografia de Everlasting.

Hoje abordaremos o Book of the Unliving. Neste livro trataremos das seguintes raças: Ghuls (carniçais), Revenants, Vampires, Reanimates e Dead Souls. Os Ghuls são pessoas que beberam um elixir chamado Anecro, que possibilita o utilizador a não mais morrer de velhice, porém, o custo é que os Ghuls devem consumir carne fresca para manter sua imortalidade; os Revenants são Dead Souls (outro tipo de ser abordado no livro; possuem praticamente as mesmas subdivisões) que ou utilizam o seu próprio corpo original ou utilizam um corpo roubado para caminhar na terra; Vampires são as famosas criaturas amaldiçoadas a beber o sangue dos humanos e se manterem longe do sol para viverem para sempre; Reanimates são seres dotados de vida a partir da união de pedaços de vários humanos mortos, ou são robôs com um espírito preso a si ou ainda um golem (como da lenda judaica), e, por fim, Dead Souls são os espíritos dos mortos que não conseguiram ir ao “grande além” e foram condenadas a permanecer vagando entre as terras dos vivos e dos morto.  Como você pode ver há pouca variedade em Everlasting

Cada uma das raças possui subdivisões (subspécies). Os Ghuls têm os Bhutas, Faitours, Grotesqueries, Mindless Ones (não jogáveis) e Vetala. Os Revenants têm os Sarkomenos e Ekimmus (e estes são divididos entre Salariat, Abbadon e Renunciates). Os Vampires têm os Genitors, Scion e Dhampirs (e os seguintes clãs, ops, linhas de sangue: Bathora, Kingu, Obayifo, Cihuateteo, Lamiae, Penanggalans, Dakinis, Lilim, Tantalusi, Dracul, Nosferatu e Xiang Shi). Os Reanimates têm os Fleshfeaks, os Deathmechs e Golens. Os Dead Souls têm os Earthbounds (não confundir com os do Demon: The Fallen), os Phantoms, os Shades e os Ankou (que é a versão desencarnada dos Abbadon dos Revenants). Nada como manter a coisa simples e básica…

Cada uma das raças possui um sistema para manter o conceito das fraquezas das raças (semelhante ao sistema de humanidade do Vampiro: A Mascara, embora muito mais simples). Por exemplo, os Ghuls tem como Tormento (a necessidade que torna o personagem um monstro) a Degeneração. Se de tempos em tempos ele não consumir carne de cadáveres, ele começa a degenerar mentalmente e fisicamente (com direito a uma rápida regra para deformações). Cada raça tem a sua fraqueza e isso dá ao jogo aquele gostinho de World of Darkness mas sem a dificuldade de ter que ficar consultando tabelas com hierarquias de pecados para avaliar se o valor anotado flutua ou não (p.s.: Sabe como se chama o medidor de força de um vampiro em Everlasting? Blood Potency! Sim, exatamente como no Réquiem. Ele até aumenta a cada 50 anos. Aqui também podemos produzir humanos viciados no vampiro. Chamamos isso aqui de drones. Plágio?)…

O cenário de Everlasting prescinde de metaplot. Como o novo Mundo das Trevas, a história central é criada pelo mestre, mas deve envolver, em essência, o conflito entre os seres sobrenaturais no mundo moderno. Isso pode ocorrer de forma mais contida, socialmente apenas, ou pode tomar uma forma mais violenta (só recomendo cuidado ao peitar um dragão, pois aqui eles são tão fortes quanto no D&D…) em duelos e conflitos cheios de poder e magia… Geralmente tudo isso ocorre envolvendo alguma grande conspiração que pode destruir o mundo ou gerar alguma catástrofe de proporções apocalípticas. Infelizmente, nessa parte de sugestões de aventuras esse livro acaba pecando. :\…

E o sistema?  Bem, Everlasting trabalha com a possibilidade de usar cartas de baralho ou dados. No caso dos dados, por os personagens dos jogadores serem seres sobrenaturais (ou seja, muito acima da média humana), o dado usado será o d12. No caso das cartas há uma tabela com os valores equivalentes ao serem sacadas. Aqui prefiro os dados. Fica mais simples. O número de dados varia de acordo com o atributo que governa a ação (aspect). As perícias (ability) modificam a dificuldade do teste. Quantos mais dados resultarem no saldo total forem acima da dificuldade estipulada, maior a quantidade de sucessos (ao estilo WW). Existem outros modificadores ao teste, como a arma usada, machucados, efeitos místicos, etc… Também existem regras de blefe e aposta para conseguir um efeito diferenciado num teste resistido. Essas regras são mais adequadas às cartas. No combate nós temos ciclos que são divididos em 10 rodadas. O seu atributo de Speed vai dizer em que rodadas você pode agir. Seres com Speed alta podem ser demolidores… As tabelas para combate corpo-a-corpo são bem completas (com dezenas de manobras) e a de armas de fogo também. A variedade é grande. Digo que o sistema de combate é, por deveras, bem arcano. Se você não curte sistemas complexos, fique longe. De verdade.

Outro aspecto interessante do sistema, mas que depende do suplemento The Codex of Immortals é que criar novos poderes para as raças é realmente fácil. Há uma tabela de afinidades por elemento (no final do capítulo de cada raça) cujo preço é adicionado ao preço-base de qualquer um dos poderes numa lista genérica de poderes no The Codex of Immortals. Agora a afinidade maior (de valor mais baixo) determina quais poderes são mais fáceis de comprar. Ou seja se você comprar esse livro (ou qualquer outro da série), já compre junto o The Codex of Immortal, sacou?

Ufa! Bom galera, é isso. Espero que tenham gostado. Até semana que vem. 🙂

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Publicado por em 13/10/2011 em RPG

 

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