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Contágio – Resenha

01 nov

Senhoras e Senhores!

Contágio

Contágio

Desde muito pequeno eu gosto de filme de catástrofe. Basicamente, a linha-mestra do roteiro é a seguinte:

Acontece/aparece algo muito ruim.
Um monte de gente morre.
Descobrem a solução e todos se salvam.

Pode pegar qualquer filme da década de 70 em que, com um fiapo de roteiro, eles faziam um filme catástrofe bem bacana. Para citar alguns exemplos, temos: Terremoto, Aeroporto 77, Piranha, o Destino do Poseidon, Tubarão (este último é muito superior a qualquer outro – podemos falar que ele criou o cinema blockbuster).

Agora imagine o seguinte: pegue a linha-mestra de um filme catástrofe dos anos 70 e coloque um monte de atores fodas sob a direção de um cara que sabe trabalhar com um monte de atores fodas (está aí o Onze Homens e Um Segredo que não me deixa mentir). Então, tire as partes “gore” e coloque um pouco de realidade e lógica. Pronto, você tem um excelente filme de catástrofe muito perto da realidade.

Veja o trailer:

Contágio é isso.

Sem contar muito do filme para não estragar nada, a história é a seguinte: surge um vírus que começa a se espalhar pelo mundo matando as pessoas de forma muito rápida. A transmissão é feita pelo toque e não existe nenhuma vacina para prevenir a propagação da praga. Em cima disto, todo o drama é desenvolvido: muita coisa acontece em várias partes do mundo prendendo a sua atenção do começo ao fim.

Gostei de várias coisas no filme.

Primeiro, ao contrário dos filmes catástrofes dos anos 70, aqui não há nenhum herói – do nada, pessoas que você pode considerar “principais” na trama morrem. Citando um exemplo: o picolé de chuchu 1 Gwyneth Paltrow morre com uns 10 minutos de filme, o filhinho dela morre com 12 minutos, e por aí vai. Outro ponto: as coisas aqui tem lógica, não aparece nenhuma cura mágica. Tudo é explicado, mostrado e contado, não tem como dar tiro de escopeta em tudo de oxigênio para matar a coisa ruim, muito menos explodir a caixa d´água no topo do edifício!

Segundo – inclusive acho que já comentei sobre isto em algum outro post, mas o mesmo vale aqui-, pergunto a vocês: em filmes de Zumbis qual é o maior inimigo?
A) Os Zumbis.
B) O Vírus que te transforma em Zumbi.
C) Os outros humanos desesperados para sobreviver.

Quem já assistiu/leu/jogou qualquer coisa sobre Zumbi sabe que a resposta correta é a Letra C. Em Contágio este enfoque também é abordado (muito bem abordado, aliás). Quando a notícia da doença se espalha, um clima semianárquico toma conta de tudo. Neste momento, são mostrados a miséria humana, o saque, a depredação, a violência ao próximo, tudo na base do “salve-se quem puder”.

Durante pouco menos de duas horas (tempo do filme) são cobertos os 135 dias na vida dos personagens.

Dou destaque para todos. Sim para todos. É impressionante como o Steven Soderbergh consegue trabalhar com a constelação sem que ninguém ofusque ninguém. O personagem do Matt Damon está tão bom e convincente quanto o do Laurence Fishburne. A cena do Matt Damon recebendo a notícia da morte da esposa ou a cena com a câmera fotográfica é de cortar o coração. Kate Winslet e Jude Law (no filme, blogueiro mais influente do mundo com 12000000 de pageviews únicos) sempre com atuações muito boas. Aqui fica um destaque para a não tão conhecida Jennifer Ehle: depois de dormir e pensar no filme, concordo que ela é uma das melhores personagens em cena. Para quem gosta de séries, temos algumas figurinhas carimbadas, como: John Hawkes, o Sol Star da espetacular série Deadwood (na minha opinião, melhor série já produzida pela HBO); Monique Gabriela Curnen , da série Lie to Me (esta série é como Heroes, assista a primeira temporada e esqueça do resto); e Elliott Gould , o pai da Mônica e do Ross na saudosa série Friends.

Temos um empate no prêmio “picolés de chuchu”: Marion Cotillard e Gwyneth Paltrow. Cara, como estas duas conseguem ser completamente indiferentes! Se Senhor Wilson substituísse qualquer uma das duas, não faria a mínima diferença.

Para fechar, no início do filme, não tem como evitar ficar incomodado. São cenas rápidas de toques em coisas corriqueiras. A pessoa abrindo a maçaneta, o pegador de ônibus, o talher, o copo e por aí vai. Você pensa: “cara eu faço isto todo o dia”. Neste momento, você se dá conta de como a coisa realmente fica fácil de se alastrar. Logo depois do filme fui embora com minha namorada. Entreguei o ticket do estacionamento com o dinheiro para menina do caixa. Enquanto ela cobrava, espirrou e devolveu o comprovante e o cartão para minha namorada, que, na sequência, entregou para mim. Por um décimo de segundo, instintivamente, eu recolhi minha mão! Depois, peguei o cartão e meu primeiro pensamento foi: “ferrou, fui contaminado”. Quando me dei conta disso, notei o quanto o filme me impressionou e, se isto aconteceu, só pode ser porque é ótimo e extremamente recomendado!

That´s All Folks
@hugomagalhaes
@eugostodejogar

PS – Agradecimento especial à Coronel pela revisão do texto 🙂

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4 Comentários

Publicado por em 01/11/2011 em Cinema

 

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4 Respostas para “Contágio – Resenha

  1. murched

    01/11/2011 at 2:31 PM

    Gente,
    Tudo bem?
    Eu tenho um blog com a mesma proposta do cultura nerdológica.
    É uma história que será postada capítulo por capítulo e os leitores vão poder interagir com ela.
    Não deixem de dar uma lida no 1° capítulo e deixar comentários!
    Espero todos vocês lá!
    Bjos e abraços!
    http://oconselhobranco.blogspot.com/

     
  2. murched

    03/11/2011 at 4:41 PM

    Hugo, tudo bem?
    Me dê uma ajudinha!
    Dê um palpite na história, para eu começar a fazer o capítulo 2!
    Um abraço!

     
  3. Ernani Brescianini

    03/11/2011 at 11:43 PM

    Gostei da resenha. Não ia, mas vou assistir ao filme!

     
    • cacorpg

      03/11/2011 at 11:47 PM

      A ideia é essa Ernani, tentar mostrar um pouco as coisas que nos gostamos ! tem muita coisa que eu mesmo passaria batido se não fossem as contribuições do Hugo, Recka e Guido!

       

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