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Wu Xing – Resenha

10 nov

Tudo bem pessoal? Espero que sim.

E então? Você gosta de artes marciais? Ninjas? Wuxia? Naruto? Bem, se você disse sim para todas as perguntas acima você vai curtir a linha de RPG oriental da Third Eye Games, o saladístico Wu Xing.  Neste RPG você vai encarnar um ninja que faz parte de um clã integrante de uma coalizão com vários outros clãs em uma revolução contra o infame e cruel Império Izou. Você vai notar de cara a mistura sem dó de elementos da cultura japonesa com elementos da cultura chinesa (incluindo nomes, instituições). Deliberadamente. Isto se deve porque o mundo de Wu Xing não é o nosso. É um mundo com ninjas, onde tudo acontece e envolve a relação com os próprios, onde são peças centrais no drama (ou seja, é como em Naruto; mas é a versão de Lasanta para o mundo da série).  Bem, o jogador terá, no livro básico, 10 clãs para selecionar e usar de base para montar seu personagem (além de poder escolher ser um ninja “ronin”; não pertencente a nenhum clã). Mas o que faz a diferença entre todos esses clãs? Os jitsus… quer dizer, os “wushus”. Os “wushus” são técnicas criadas para manipular o chi e então criar diversos efeitos sobrenaturais como ficar invisível, dominar animais selvagens, cuspir fogo, transformar seu sangue em veneno, ficar mais forte e rápido, conjurar animais espirituais lendários, enfim, criar todo o tipo de efeito mágico possível, mas com aquele “twist” de arte marcial.

Este jogo, assim como o Part-Time Gods e o API, foram criados por Eloy Lasanta. Já destaquei na matéria passada como as criações dele e de seu time estão conseguindo atrair bastante a atenção da indústria RPGística com propostas bem atraentes e interessantes, o que está gerando uma boa ascensão da empresa no ramo.  Na verdade, eles aproveitam um tema que está em alta (como Percy Jackson) e criam um RPG para capitalizar a idéia sem usar o mundo original (como Part Time Gods). O mesmo se dá com Naruto e Wu Xing. Mas desde que o produto final fique legal, tudo bem…

E como é o cenário de Wu Xing?

Bem, na história do cenário, quatro anos atrás, o Império Izou declarou guerra aos ninjas. Os mais poderosos dos clãs ninjas se uniram para formar a Coalizão Lotus para tentar resistir e instigar o povo a se rebelar contra o Império. Porém, embora estejam unificados contra o Império, isso não significa que eles são bem uns com os outros. Pelo contrário. Todos procuram o ganhar ascendencia  uns sobre os outros (mais um momento de Narutismo?). Este é o momento atual de jogo.

Mas outras coisas ocorreram na história do cenário.

Em Wu Xing, houveram quatro grandes guerras anteriormente. A primeira foi a Rebelião Orime. Antes do Império Izou a Dinastia Orime foi a sede do poder no cenário. Quando um enorme vulcão entrou em erupção, causando caos em toda a terra, o povo clamou aos nobres da dinastia por liderança, mas foram ignorados, presenciando os nobres se isolarem e se encastelarem no alto do luxo de seus palácios. Logo o povo começou a clamar por revolução. Então chefes de governo, generais, e outras importantes famílias nobres foram assassinadas de estranhas maneiras. Eventualmente, o Imperador Orime foi assassinado e o ninjas passaram a ser o simbolo desta liberdade recém adquirida.

 
A segunda guerra foi conhecida como a Guerra Mercenária. Devido ao fraturamento do antigo império em várias nações menores, estas nações começaram a crescer e questionar os limtes das fronteiras anteriormente impostas, então o combate começou. Os ninjas se tornaram mercenários de aluguel de famílias poderosas e de governos. Após 10 anos de conflito, o clã ninja que não fosse apoiado por um nobre específico acabava desaparecendo. E clãs inteiros foram dizimados por não seguir esse novo status quo.

A terceira guerra é a guerra das Presas Enfraquecidas. Durante esta guerra o clã conhecido como os Recoiling Serpents começou a destruir os clãs menores e menos poderosos. Os clãs maiores foram arrogantes, não dando atenção ao fato, e rapidamente as Serpentes passaram superar em número todos os outros clãs. A coisa ficou sufocante até que os governos foram convencidos a ajudar na luta (não se sabe a natureza das negociações, mas me parece que foi para evitar um cartel de preços na venda de serviços ninja; neste mundo, sim, existe um metaplot). Com isso caiu o muro que separava o mundo dos ninja e dos não-ninja, e depois disso nasceu o Império Izou.


A quarta guerra foi a Guerra de Expansão. O Império Izou passo a expandir e ganhar mais controle sobre terras de propriedade dos chamados Cinco Reinos. Usando o ninja como seus soldados de elite e assimilando clãs, os Grasping Shadows foram os protagonistas deste momento. Mas como o Império queria diminuir sua necessidade dos clãs ninjas, passou a criar seus próprios guerreiros com jutsus próprios. E o ninja passou a ser o alvo do governo. Então a norma passou a ser o ninja ser caçado e os usuários de chi foram punidos. Obviamente depois de tudo isso, criou-se as vilas ocultas dos clãs (e cada um tem um líder; vamos chamar de Hokage tá bem?).

Os clãs que os jogadores podem escolher são os seguintes:1) Os Bamboo Herbalists são ninjas curandeiros que possuem um jutsu…digo, “wuxia” poderoso para até mesmo ressuscitar um morto recente. São meio suicidas e gostam de invadir o território dos outros clãs para recolher ingredientes para remédios; 2) Blazing Dancers são ninjas artistas que fazem jutsus usando a arte que comandam. O quê? Achou palha? E se eu dissesse que eles têm uma técnica como o Sharingan? Seu munchkin; 3) Grasping Shadows são os ninjas clássicos com um extra: eles controlam as sombras e entram em contato com uma “dimensão sombria”. São fodas e maus; 4) Hidden Strands of Fate são ninjas que controlam tecidos, cordas e fios em geral. Possuem várias técnicas de espionagem espertosas além de poderem usar o seu material de escolha (os tecidos) como arma para assassinatos bizarros. São mentirosos e maus; 5) Living Chronicle são ninjas historiadores que possuem técnicas de roubar a informação da mente de alvos sem matá-los e de tomos sem ter que folheá-los. Ótimos investigadores; 6)  Pack of the Black Moon são ninjas que usam cachorros treinados para fazer uso dos seus jutsus (como o Kiba, do Naruto). São bem poderosos no corpo a corpo justamente por causa dos seus cães (que pela regra são tratados como um só com o ninja); 7) Recoiling Serpents, bem, se o Orichimaru tivesse um clã neste RPG, seria este. Fazem “wuxias” com venenos, serpentes e coisas correlatas. São fodas e maus. E ainda podem regenerar com o jutsu de clã. Ehlelê…8) Wardens of Equilibrium são ninjas que estão preocupado com o equilíbrio do chi (por isso possuem até mesmo a capacidade de destuir o chi no corpo do adversário) e em encher os seus bolsos de dinheiro. São os líderes da Coalizão Lótus; 9) Virtuous Body Gardeners são ninjas tatuados que fazem jutsus com tatuagens. E conseguem controlar suas tatuagens para incorporar armas e fazer diversos efeitos. São bem loucos; 10) e por fim, temos os Will of Iron que são ninjas com poderes paladinescos e de forja. Não que eles tenham que ser paladinescos, certo mano?

Nos suplementos, mais clãs são disponibilizados (no único suplemento à disposição, de nome The Firebrands têm mais três clãs; além de mais jutsus para os tatuados e para os ninjas artistas; cada suplemento trará o foco em 2 clãs e trará novos clãs e jutsus para o mundo de Wu Xing).

O sistema é o mesmo do Part-Time Gods. Segue a formula 1d20+Atributo+Perícia contra o nível de dificuldade (em teste estático) ou contra o valor adversário rolado (testes resistidos). Mas as coisas complicam mais que PTGs porque o sistema funciona com uma contagem de 20 fases. O valor da sua iniciativa diz em que fase você pode agir. Sempre se começa em 1 e quem ganhou a iniciativa começa nesta fase. Como neste jogo há varias ações por turno (o personagem normal começa com 2), a velocidade da manobra (com + ou – os modificadores) diz em que fase você pode agir ou se a ação anda pode ser feita nesse turno. É um sistema bem tático, mas meio pentelho com jogadores meio ansiosos. As regras têm que estarem bem claras na cabeça do mestre (ou seja, sem uma preparação prévia, fica complicado). Bem, há quem goste.

A criação de personagem é bacana. Envolve a escolha dos “wuxia” e dos estilos de luta (tigre, urso, dragão, crocodilo, serpente, etc…), estes, que determinam o número de ações por turno, dano, bônus de esquiva, aparar, acerto, etc… É complexo. Estilos podem (e devem) ser misturados para máxima eficiência. Há vantagens e desvantagens bem legais (para você se um invocador de bestas lendárias é necessário uma vantagem específica bem cara; mas pode valer muito a pena).

De resto, temos uma boa lista de armas (bem exótica) e listas de antagonistas. Se bem que os antagonistas mais interessantes são os outros ninjas (como no L5R). Enfim um jogo bacana com muita (muita!) coisa dentro. Não muito original, mas  bem bacana.

Abraços a todos!!

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4 Comentários

Publicado por em 10/11/2011 em RPG

 

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4 Respostas para “Wu Xing – Resenha

  1. Bob Nerd

    26/11/2011 at 6:28 PM

    Pesquisando sobre RPGs de temática oriental cheguei no Wu Xing. Não tinha lido nada sobre ele ainda, sabia apenas que era centrado em ninjas. Foi ótimo ler essa resenha e conhecer mais do sistema. Pensei que fosse mais simples a mecânica, mas pelo que você falou parece ser bem complexa. Acho que mais que o d20 mas ainda assim complexa.
    Acho que vou baixar para ver como é e fazer um playtest. Ótima resenha!

     
    • guidoconti

      28/11/2011 at 9:49 AM

      Oi Bob,

      Eu também cheguei á mesma conclusão que você, mas após ler o módulo básico e ler o suplemento The Firebrands, não tive dúvidas e comprei ontem o suplemento deles que acabou de sair em PDF. Land of Seed and Blossom que traz mais sete clãs muito legais, sendo que neste livro tem um que manipula sangue, outro que pode moldar seus corpos (e fazer clones, como o Naruto), outro que faz Jitsus necromanticos, outro que manipula insetos, outro que controla doenças, outro que faz e controla cristais e outro que domina e utiliza poções taoistas. O total foi 27 reais. Valeu muito a pena.

      Abraço

       

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