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Blood! RPG – Resenha

17 nov

Olá meus caros leitores, tudo bem? Espero que sim. Bem pessoal, hoje falaremos de um tema aparentemente batido, mas muito divertido (e útil) para o mundo dos RPGs (e para seus mestres). Hoje falaremos da utilização do horror e do terror na narrativa e como, de tão importantes que são estes conceitos, que motivaram a criação do sistema que apresento hoje para vocês. Falaremos, mais adiante, de Blood! – The Roleplaying Game of Modern Horror.

Bom, mas qual a diferença entre horror e terror? Segundo a Wikipédia, são recursos narrativos (normalmente utilizados no cinema e na literatura) em que o terror é o sentimento de fobia e antecipação que precede a determinada experiência horrífica, enquanto o horror é o sentimento de repulsa depois da exposição sensorial do agente àquela experiência. Achei estas definições adequadas para ilustrar os intuitos do RPG Blood!  Mas como que o mestre de rpg se utiliza destes recursos em jogo? Bem, ele pode usar de maneira direta (“Você falhou no save de Will. Você foge como uma garotinha assustada!”) ou de maneira indireta (“Você olha nos olhos do seu irmão. Eles percebem você, mas não parecem de verdade. Eles não piscam. Então você realmente presta atenção direito na fisionomia dele, na pele, na respiração, tudo. É falso, você sente. Você tem certeza agora: ele não é seu irmão! Ele não é humano!”). Das duas maneiras, parece que praticamente é impossível você mestrar sem recorrer um pouco ao terror ou ao horror direta ou indiretamente. Concordo. Mas é uma coisa diferente quando esta narrativa passa a ser o foco principal do jogo. E este é o foco de Blood! O rpg do qual falaremos hoje.

Blood! foi publicado pela Postmortem Studios e escrito por James Desborough, que explica que o jogo já encontrou a luz do dia em 1990, encontrando algum sucesso com os britânicos, mas acabou esquecido diante de promessas mais empolgantes na época como o novo Mundo das Trevas da White Wolf, e por fim, terminou esquecido. Naquela época já se percebia como Blood! tinha uma proposta simplista e fraquinha, óbvio, mas hoje sustento que estamos no outro extremo do espectro: muito material bom, mas ao dar sustento regimental a tantas ideias ficamos afogados na hora de levar o jogo para um lado mais básico, mais  elementar. Como Blood! conta com um sistema simples, fica mais fácil  apresentar o conceito a um iniciante, por exemplo.  E este é o mérito deste sistema. Lembrar aos experientes que RPG é roleplay, narrativa, não mecânica. Qualquer jogo pode ter a mecânica como foco. Sem problemas. Mas o jogo corre o risco de acabar prejudicado, vazio.

Na criação de personagem, Blood! deixa algo bem claro: você vai morrer então já trate de deixar mais um personagem pronto. Se for um tipo mais slasher de jogo então, já deixe mais de um. O negócio aqui não é apego, é diversão, brincar com clichês, descrições sangrentas, situações terríveis, repulsivas e humor negro (embora nada impeça que se tenha um jogo nada engraçado, porém divertido). Montar um personagem é sussa: se rola dois dados d10, um para dezenas e outro para unidades para cada um dos atributos. São 9 atributos: Strength (Força), Stamina (Vigor), Agility (Agilidade), Perception (Percepção), Appearance (Aparencia), Intelligence (Inteligencia), Willpower (Força de Vontade), Pain Threshold (Limiar de Dor) e Luck (Sorte). Destes se extraem valores e atributos secundários. Não se preocupe, tá tudo bem tabelado e é bem fácil de se achar e rápido de defini-los. É bastante coisa, mas nem todos (como a resistência a tóxicos) precisam ser definidos, pois às vezes a aventura não precisa daquele atributo (se bem que é bom ter para poder fazer surpresas aos players deixando-os imaginado o que o mestre jogará em cima deles). Os pontos de vida e fadiga são valores extraídos dos atributos (assim como o número de ações por turno, o valor de aparar, etc…). Os pontos de perícia são definidos em físicos e mentais. Os físicos são o valor de Força, Vigor, Agilidade e Percepção divididos por 2 mais o bônus de Educação (atributo secundário; o bônus está tabelado). Os mentais são a soma da Inteligência mais a Força de Vontade. Podem-se distribuir os pontos livremente, existindo sugestões de perícias por profissões.

No sistema, os testes são feitos rolando-se abaixo do valor de perícia. Os testes admitem modificadores como +20 ou – 20 no valor rolado. Em testes resistidos aquele que rolar abaixo da percentagem pertinente, mas mais alto, vence a disputa. Existem sucessos críticos (01) e falhas críticas (00). É um sistema simples e direto. De resto no livro temos uma (muito) extensiva lista de armas (armas propriamente ditas e instrumentos caseiros para o seu “Personal Jason”). Também temos fichas de antagonistas, como versões de anjos caídos (como os de Hellraiser), demônios de possessão (Tinha um filme assim… o demo passava de um cara a outro pelo toque… é bem o estilo desse cara aqui), insetos gigantes, psicopatas, bolhas assassinas, zumbis, por aí vai… Mais para frente temos tabelas e mais tabelas de acerto crítico por tipo de arma (tem uma só para a serra elétrica, por exemplo). Por fim temos um pequeno apêndice que trata da relação de atributos e idade e como administrar este aspecto no seu jogo.

Bom, é isso galera, queria falar para vocês de um RPG nada original, mas que motivasse você e seus jogadores a pensar a vulnerabilidade dos personagens como a força do jogo. Tenho certeza que todos vocês entendem a urgência deste conceito como um aspecto interessante para exploração pelo roleplay alheio. Um abraço a todos.

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2 Comentários

Publicado por em 17/11/2011 em RPG

 

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2 Respostas para “Blood! RPG – Resenha

  1. Maza

    17/11/2011 at 1:52 PM

    Legal que às vezes esses rpgs focados dão um gás para você narrar algumas aventuras rápidas, especialmente de férias.

     
    • guidoconti

      17/11/2011 at 2:49 PM

      Olá Maza,

      Seu comentário é justamente a impressão que deu na cabeça quando li as páginas deste rpg. Talvez ele não seja tão rico quanto o Gurps Horror, por exemplo, mas as mesmas idéias e o espírito estão lá.

      Obrigado pelo comentário.

      Abraço

       

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