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Ninja Burger RPG 2ª Edição – Resenha

24 nov

Ok galera, tenho que confessar um negócio. Não era minha intenção falar de um RPG tão bisonho como Ninja Burger. Sempre achei que estes “RPGs” fossem mais uma brincadeira promocional das editoras ou mais uma sisteminha caça níquel tentando se valer da veia cômica para conseguir compradores. E é nesta última categoria é que sinceramente recai Ninja Burger.  E o faz com maestria.

Tenho que admirar escritores que insistem num tema tão ridiculamente absurdo.   Afinal, você jogaria ou mestraria um RPG cujo mote é jogar com ninjas entregadores de hambúrgueres? Bem, aparentemente tem tanta gente que jogaria que estou analisando a 2ª edição deste RPG que é uma ode aos RPGs de superconceitos (como o RPG Mulheres Machonas Armadas Até os Dentes… lembram dele?). Bem, Ninja Burger foi escrito por Michael Fiegel e produzido pela editora Atomic Sock Monkey Press em 2006. Originalmente o jogo foi produzido especialmente para  um estilo de jogo “beer & pretzels” (ou seja, só por diversão), mas nesta edição foi inaugurada a  possibilidade de se jogar uma campanha inteira de Ninja Burger. Pra isso foram incluídas várias mecânicas e uma forte descrição (muito bem feita) da cidade onde fica a sede da franquia NB: a São Francisco do estado da Califórnia, EUA.

Na história do cenário, conta-se a história desta franquia de lanchonetes, a Ninja Burger, que nos idos de 1950, durante o início da era de ouro das redes de fast-food no EUA, decidiu que seria seu diferencial a contração de funcionários ninjas de verdade. Existiam vários fatores que influenciaram essa decisão, mas o principal é que o ninja era um funcionário honrado e dedicado e, principalmente, conseguia fazer uma entrega a qualquer hora, em qualquer lugar e em que condição que fosse. E o trabalho, acima de tudo seria uma questão de honra! Seguindo essa ideia os jogadores poderão inventar qualquer tipo de função ao montar sua equipe de entrega ninja, mas são sugeridas as seguintes profissões: ninja chef (pois é… tem ninja que é incompetente pra derrubar o sanduíche no chão… sorte que o chef chega a tempo de fazer um substituto em cima da hora se precisar), ninja entregador (é o ninja especialista em invasão de domicílio… tudo pela entrega perfeita), ninja motorista (ninja no volante… literalmente), ninja navegador (os ninjas usavam GPS? Não. Então para isso existe o ninja navegador…) e o ninja observador (ele é o cara que sabe quando a parada vai bater no ventilador… mas não necessariamente vai evitar que todos saiam melados). Existem outras funções mencionadas (ninja-feiticeiro, ninja-assassino, ninja-sabotador, ninja-vendas-e-marketing…), mas as sugeridas, inclusive já possuem modelos prontos se você só quiser sentar e jogar. E isso é bacana por manter o espírito original da proposta da 1ª edição.

 

E as aventuras? Bem, é um RPG de entrega de hambúrgueres com ninjas. Pode ser algo detalhado, sério (bom, mais ou menos sério…), violento, cômico… Vai do gosto do cliente. Uma coisa que os autores reforçam muito é que a temática do jogo não deve limitar a forma que você deve apresentá-lo aos jogadores. Mas, claro, o jogo busca, a partir da premissa apresentada, dar um bom foco na ação e no absurdo. Um tema recorrente nas aventuras de Ninja Burger é a entrega de pedidos em situações complicadas ou surreais (por exemplo: ”O presidente está passando sobre São Francisco no seu avião Força Aérea Um. Ele pediu duas Colas e dois Combos 3. Ele quer que o pedido seja entregue em 15 minutos. O avião não vai pousar, então vá se virando… e mais uma coisa…o avião foi sequestrado!”). Outro ponto explorado no cenário é a honra do ninja e como ele cumpre suas tarefas (existe um marcador de
pontos de honra que é um medidor de quão bem o jogador se mantém dentro da ideia do personagem ser um ninja ou não; existem também as regras da franquia que devem nortear essa relação do personagem com a honra: “Nós entregamos a qualquer pessoa, a qualquer tempo e onde for”; “Entrega garantida ou cometemos seppuku”; “Honra da companhia antes da honra pessoal” e “Funcionários do Ninja Burger não existem”). O jogo normalmente não carece de um plot realmente na sua versão “for fun”, mas na sua versão campanha sugere-se que se foque em temas mais complexos e de longa duração como a antiga e milenar luta com a rede Pizza Pirata e a certinha Samurai Burger. Um mestre com criatividade (e tempo nas mãos) certamente vai saber explorar as várias sugestões de aventuras dadas no livro e extrair o máximos das tabelas geradoras de entregas automáticas e de design de aventuras (são boas tabelas, devo ressaltar).

Por fim, para que tudo seja fácil e não dê demasiadas dores de cabeça, o sistema também teria que ser simples, e para isso os escritores escolheram o mesmo sistema PDQ já apresentado no RPG aqui já resenhado Jaws of The Six Serpents, ou seja, nada mais do que 2d6 para que a diversão esteja garantida. Se você quer um RPG engraçado e simples ou se você anda com saudades de algo mais na vibe do antigo Toon, Ninja Burger pode ser uma ótima solução.

 

 

Abraço a todos.

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4 Comentários

Publicado por em 24/11/2011 em RPG

 

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4 Respostas para “Ninja Burger RPG 2ª Edição – Resenha

  1. Igor "Corvus Corax" Sartorato

    24/11/2011 at 12:13 PM

    “Afinal, você jogaria ou mestraria um RPG cujo mote é jogar com ninjas entregadores de hambúrgueres?”

    Mas com certeza Guido! A premissa é muito engraçada pra não dar uma chance a um jogo desses!

    Sem contar que esse jogo é tão famoso que aparece até no filme “The Gamers 2: The Dorkiness Rising”!

    Às vezes eu acho que o absurdo não são jogos como esse, mas sim os jogadores de RPG olharem com desdém para um jogo de premissa abertamente cômica e absurda, mas quando estão jogando um RPG de temática séria, não pararem de fazer piadinhas e comentários absurdos durante a sessão. RPG é pra se divertir mesmo, se o jogo for absurdo, mas divertido, qual o problema?

     
    • guidoconti

      24/11/2011 at 2:27 PM

      Grande Igor,

      Concordo incondicionalmente.

      Além disso, o que seria do nosso RPG se não abordasse também o cômico, o absurdo? E ressalto que me surpreendi quando vi o cuidado que foi dado ao tratamento do jogo e das mecânicas usadas. Achei até melhor que o Jaws. E olha que gostei muito do Jaws.

      Abraço e obrigado pelo comentário

       
  2. Pedro Tolosa

    26/09/2016 at 3:00 PM

    Já joguei. É divertido, sim.

     
    • guidoconti

      26/09/2016 at 3:14 PM

      É muito bom saber que as pessoas estão cada vez mais buscando conhecer sistemas diferentes ou com temáticas mais incomuns. Obrigado por dividir sua opinião conosco! Abraço Pedro!

       

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