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BIG EYES SMALL MOUTH 3ª EDIÇÃO – RESENHA

15 dez

Olá pessoal. Não sei como foi com vocês, mas meu primeiro contato com os animes foi quando peguei sem querer na locadora a famigerada animação Akira (1988), de Katsuhiro Otomo. Eu tinha apenas 10 anos de idade quando vi aquele desenho rápido, brutal e impiedoso. Imediatamente pensei comigo “Nossa, então é assim que é desenho japonês? Isso é demais!” e sempre que podia corria atrás do gênero. Eu nunca me decepcionava (especialmente quando assistia os desenhos de humor como o Lupan III ou de aventura juvenil como Giant Robot). Mas nas épocas de fitas cassetes pré-internet ainda era difícil ter acesso ao enorme mercado de animes que assolavam as prateleiras norte americanas (mesmo porque, imagino, encontrar tradutor ou mesmo interesse do grande publico por essas coisas do oriente devia ser difícil). E onde você podia assistir anime? Na teve, pô (talvez hoje em dia isso não seja tão óbvio… oras bolas!). E essa fixação de ver a história do começo até o fim sem perder nenhum episodio tinha um nome: Cavaleiros do Zodíaco. Um grande anime. Arrisco dizer que gostei da série até mais de que Dragon Ball (clássico, Z e GT). Bons tempos. Hoje existem essas paradas de Otaku, cosplay, cospobre, enfim… O que importa é assistir o desenho e conhecer as belas lições da inflexível moral japonesa (e de suas crises, como vejo bem em Naruto) e suas histórias dramáticas.É claro que, assim como essas histórias me inspiraram, inspiraram você e todos aqueles que se identificaram com aquelas histórias; assim como também inspirariam os game designers de RPG. Como consequência disso, em 1997 foi lançada a primeira edição de Big Eyes Small Mouth (ou BESM, como é conhecido pelos fãs) pela finada Guardians of The Order sob a pena de Mark C. MacKinnon. A ideia era simples: fazer um sistema para jogar RPG todo e qualquer mundo de anime e/ou mangá. Após muitas voltas e reviravoltas, a editora ArtHaus nos presenteia em janeiro de 2007 a 3ª edição que vos comento.

E o jogo?

Bem, o nosso simpático BESM conta, para agilidade na resolução de seus testes, com a utilização do clássico Tri-Stat System, que é um sistema que depende apenas 2d6 para a resolução de todo e qualquer teste. Para atacar, rola-se 2d6 mais o seu Attack Combat Value (Valor de Ataque) e modificadores, para esquivar, 2d6 mais o seu Defense Combat Value (Valor de Defesa) e modificadores. Esses valores são decorrentes dos 3 “stats” que dão nome ao sistema: Mente, Corpo e Alma (Mind, Body e Soul). Perícias usam a mesma mecânica, mas não passam de modificadores condicionais que dão bônus em teste do “stat” ou Valor pertinente (por exemplo: se quero dar um tiro na cara do punk com minha magnum .44, tenho que rolar 2d6  mais o meu Valor de Ataque; a perícia aumenta o valor rolado de 1 em 1, permitindo acertar o tiro… feeling lucky, punk?). Os “Attributes” (Atributos) neste RPG são as vantagens, as características e… os superpoderes. E, rapaz, existe uma variedade bem grande de poderes aqui (nada mais justo; se tem um lugar onde você vai achar poderes esquisitos, é nos animes). Além disso, o sistema é voltado mais para efeitos que poderes em si (como em Mutants and Masterminds), logo, inventar poderes é algo bem fácil de se fazer. Você só tem que ter paciência para encontrar a vantagem que mais faz sentido para o personagem (existem algumas que se sobrepõem… nada é perfeito) e ter uma ideia bem clara de como você quer que eles (os poderes) funcionem dentro do conceito do seu personagem.

Obviamente, existem níveis diferentes de personagens e de aventuras. Quanto mais grandiosa é a aventura, mais pontos tem o personagem (sim, o Luffy não tem a mesma quantidade de pontos que o Goku). Mas isso já era de se esperar, né? Bem, um personagem pode ser criado sendo desde Humano (100 – 149 pts) a Divino (mais de 1000 pts.). Também existem categorias intermediarias que devem dar ao mestre uma ideia de que tipo de história ele pretende contar.

Para terminar, agora existe também um universo próprio em BESM (sim, nas edições anteriores não existia tal universo). Ele é chamado de Anime Multiverse. Neste universo maluco e macarrônico, existem as “Chaves” (Keys) que são pessoas especiais que possuem a capacidade de saltar de mundo em mundo. Alguns deles são “Chaves Esqueletos” (Skeleton Keys), que são Chaves que tem a capacidade de destruir os universos por onde tenham passado. Existem então aqueles que conhecem a história das Chaves e buscam desesperadamente destruí-las, bani-las ou controlá-las. Como uma Chave pode passar por qualquer universo imaginável, qualquer personagem imaginável pode ser criado para participar da aventura. Caramba, até um dos personagens jogadores pode ser uma Chave… ou uma Chave Esqueleto. A ideia é simples mas pode gerar um jogo bem misturadão e spaghetti. Assim como eu gosto minhas aventuras hahahahahaha…

Enfim meus caros, é isso. Espero que tenham apreciado, e se vocês procuravam um sistema para mestrar no seu mundo de anime favorito, fica a sugestão. Abraços a todos e força na peruca!

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9 Comentários

Publicado por em 15/12/2011 em RPG

 

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9 Respostas para “BIG EYES SMALL MOUTH 3ª EDIÇÃO – RESENHA

  1. Atmo

    16/12/2011 at 7:15 AM

    Sistema interessante, mas o valor absurdo de pontos para criar os personagens não me atrai nada…

     
  2. guidoconti

    17/12/2011 at 11:24 AM

    Olá Atmo e Marcos,

    De fato, a quantidade de pontos pode afastar um pouco o jogador/mestre na hora de criar personagens, mas depois de montado, garanto que tudo correm muito bem no sistema.

    Pra auxiliar a evitar variações muito absurdas entre os personagens existe também uma sugestão de sistema de ‘cap’ de dano, a lá Mutants and Masterminds. As coisas se tornam mais simples de dosar assim.

    Abraços e obrigado pelos comentários

     
  3. Rafael Klauz

    19/12/2011 at 4:38 AM

    Lembro-me de ter lido esse livro, mas era BESM D20… Um colega meu tem ele, é super phoda! Eu adorei xD

     
  4. guidoconti

    19/12/2011 at 1:53 PM

    Olá Rafael,

    A versão de d20 é muito boa mesmo. Ela tem algumas mecânicas que podem deixar a coisa um pouco desbalanciada em termos de poder, mas a adaptação ficou bem legal.

    Obrigado pelo comentário.

     
  5. Bob Nerd

    01/01/2012 at 1:55 PM

    Caramba, eu conhecia só o BESM D20 e achava um lixo. Vou procurar conhecer esse sistema, parece servir justamente para o que eu quero. Fiquei curioso e animado. Vamos ver se minha campanha de Dragon Ball sai agora!

     
  6. guidoconti

    02/01/2012 at 12:28 PM

    Olá Bob Nerd,

    Uma das grandes vantagens do BESM é que ele é extremamente intuitivo. Eu recomendaria que você previamente estabelecesse algumas convenções (sobre quais são os limites dos poderes de ki no seu mundo de Dragonball, por exemplo) mas depois de feito isso, fica fácil para todo mundo criar personagens e tocar a aventura.

    Ainda pretendo fazer uma resenha do sistema oficial do Dragonball (você já deve conhecer, acredito). Mas já lhe adianto que o BESM é bem mais fácil de usar, além de mais versátil.

    Abraços

     

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