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SPIRIT OF THE CENTURY – Resenha

22 dez

Olá pessoal. Tudo bem com vocês? Bem, hoje nós vamos falar de um tema que tenho certeza que muitos fãs de quadrinhos têm muita afeição: a ficção “pulp”. Este gênero narrativo (publicados nos idos de 1900 – 1950; a era dourada) americano buscava enquadrar o herói dentro de uma perspectiva m ais investigativa e retratar seus protagonistas como pessoas com habilidades extraordinárias (temos como exemplo o grande Fantasma, o ilusionista Mandrake, as primeiras histórias do Batman, o hipnótico Sombra, e por aí vai…). Podemos dizer que os ancestrais dos super-heróis são os heróis pulp. Muita daquela ficção retratava valores da época (sempre que aparecia um estereótipo racial não-branco era retratado como primitivo e/ou exótico) e também muitas vezes servia como propaganda militar, demonizando os inimigos da nação (algo bem prevalente durante a 2ª guerra; vocês acham que o nosso Cap. América surgiu como?). Mas ainda assim, o “ser herói” é uma ideia bem prevalente dentro das histórias pulp. E recriar este contexto e energia é que o objetivo do grande Spirit of the Century. Este RPG foi escrito por Rob Donoghue, Fred Hicks e Leonard Balsera e publicado pela editora   Evil Hat Productions (que já produziu outras pérolas como Don’t Let Your Head Rest). Este foi um grande presente para os fãs do gênero em 2006.

SOTC pode ser usado para contar qualquer aventura pulp, inclusive histórias dentro do universo dos heróis citados acima, mas, de fato foi criado com universo próprio.Em SOTC, a ideia básica é bem simples. Os personagens pertencem ao Century Club – um clube de cavalheiros que busca o estímulo da ciência e da união entre os povos. O grande objetivo da organização é acabar com os males do mundo (como a Aeon Society de Adventure!). Desta maneira, os personagens, como membros do clube, tem o dever de lutar (usando suas incríveis habilidades únicas) para que estes objetivos prosperem. Também ocorre que a verdadeira razão porque seus personagens pertencem ao clube é porque seus personagens são “Centurions” (não como aqueles do desenho, ok?), indivíduos que nasceram no início deste século (1 de janeiro de 1901) que encarnam o espírito do século por vir (se eles forem Centurions malignos, será um século de desgraças, se não, será de esperanças). Porém, também existem “Shadows of the Century”, que são Centurions maléficos e corruptos. É objetivo do clube também lutar contra tais indivíduos. É um bom cenário pré-concebido (ele foi criado apenas para juntar o grupo e criar uma maneira de dar um guia moral aos personagens), mas que não chega afetar as mecânicas de jogo a ponto de impedir que o mestre conte suas próprias histórias ou que ele o ignore e use seu próprio mundo pulp.

SOTC usa o Fate System (mesmo do RPG Dresden Files já resenhado aqui). Lembro-lhes como funciona:

Neste sistema só rolamos quatro dados. Cada um vem à tona como um -1, 0 ou 1. (Você pode usar como -1 os números 1-2, 0 como os números 3-4 e +1 como os números 5-6 se você não comprou os FATE Dices). Então se adiciona ou subtrai o valor de sua habilidade e se compara com o número de dificuldade. Se o resultado combinado é igual ou maior do que a dificuldade, têm-se um sucesso.

O jogo mantém seu foco nas habilidades. Não há atributos por si, como em D&D. Mas algumas habilidades podem funcionar como atributos, quando necessário. Os personagens dos jogadores são bem acima da média humana e possuem uma “pirâmide de habilidades” – cinco habilidades com bônus de +1, quatro com bônus de +2, três de +3 e assim por diante, finalizando com uma habilidade em +5. Qualquer habilidade não listada seria de acordo com a média humana, ou seja, de valor  0. As habilidades possuem adjetivos (Good, Great, Mediocre), mas se você usar apenas os números associados, não há prejuízo.

A razão porque o sistema é chamado FATE (destino) são os “fate points” (pontos de destino). O personagem começa o jogo com um número de pontos igual ao número de Aspectos de seu personagem (max 10).Você pode gastá-los, por exemplo, e conseguir um bônus independente de +1 em um teste. Mas a melhor maneira de utilizá-los, é gastá-los para fazer uma re-rolagem ou adicionar um bônus de +2 em um teste (mas este uso só é possível quando um Aspecto é aplicável e justifique a sua utilização para o gasto do ponto). Só é permitido um gasto de ponto por teste. Se você usar seus pontos para tudo, você corre o risco de ficar sem pontos de destino rapidamente. É por isso que ter um Aspecto que possa também causar problemas ao personagem é uma coisa boa. O mestre pode “obrigar” que um Aspecto funcione contra o personagem, premiando-o com um ponto de destino. Um Aspecto é uma sentença ou adjetivo que define características do seu personagem (“Lutou na 1ª Guerra e voltou sem nenhum arranhão”, “Valentão pra cacete”, “Duro de matar” são exemplos de Aspectos) e podem ser aplicáveis ou não a uma situação. Sua função é, primariamente, ser um catalisador de pontos de destino e condicionar o roleplay dos personagens.

Por fim, temos as ‘stunts’. Elas servem para dobrar ou quebrar as regras, dando aquela sensação que os personagens são maiores que a vida. Elas adicionam um pouco mais de variedade aos personagens e ajuda a definir melhor o papel dele no cenário.As ‘stunts’ ajudam também a compor o cenário, criando aqueles efeitos especiais das histórias pulp. Quer a hipnose do Sombra? Aqui está. O dinheiro do Fantasma? Presente. Os truques do Mandrake? Também estão aqui. Temos também artes marciais exóticas, capacidade para conhecimentos perdidos que mais ninguém tem, hordas e mais hordas de capangas, um carisma magneticamente sobrenatural…isso sãos as ‘stunts’. Com elas, seu personagem ganha proto super poderes…  pero sin perder la ternura.

É isso meus caros. Espero que tenham curtido. Se você curte o FATE System e gosta de pulp, adquira já.

Abraço.

EDIÇÂO DO RECKA: Pessoal vale lembrar que a Retropunk Publicações adquiriu a licença do “Spirity of the Century” e irá lançar a versão nacional sob o nome de “Espírito do Século” (inclusive tem a imagem da capa no meio do post). Você pode conferir as novidades sobre o lançamento desse livro indispensável aqui no “Eu gosto de jogar…” ou no Portal da Retropunk.

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5 Comentários

Publicado por em 22/12/2011 em RPG

 

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5 Respostas para “SPIRIT OF THE CENTURY – Resenha

  1. Bob Nerd

    22/12/2011 at 5:38 PM

    Estou curioso para conhecer este sistema, dizem que é muito bom! Farei de tudo para comprar!

     
  2. Marcos Bolton

    22/12/2011 at 8:25 PM

    Po cara, eu sinceramente não gostei dessa capa brasileira.

     
  3. rafael beltrame

    22/12/2011 at 9:10 PM

    gostei da resenha! deixou com vontade 🙂

     
  4. guidoconti

    23/12/2011 at 11:09 AM

    Opa que boa notícia, Recka!

    Pessoal, além do Adventure!, Spirit of the Century sem dúvida nenhuma compõe um dos RPGs que melhor traduziu o espírito do pulp para o RPG. Recomendo de verdade. Certamente a versão nacional manterá a ótima qualidade visto o cuidado que a Retropunk dá às traduções.

    Abraços e bom natal a todos

     

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