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Elric Of Melniboné RPG (1ª Edição)- RESENHA

29 dez

Olá meus amigos. Como vai você? Hoje falarei de um personagem classicíssimo dos livros de Sword and Sorcery.  Hoje falarei daquele que foi, inclusive, inspiração de um dos discos de uma banda que eu amo do fundo da minha alma, o Blue Oyster Cult.

Falarei de Elric, o anti-herói criado por Michael Moorcock que protagoniza o seu Multiverso. Para quem não sabe, Elric é um desses personagens que começou nessa literatura mais infanto-juvenil e saltou para outras mídias como gibis, rpgs, briquedos (quer dizer, figuras de ação…), etc…  Eventualmente caiu no gosto dos fãs deste tipo de literatura e cenário embora não tenha alcançado a popularidade do seu colega Conan. Mas mesmo assim, Moorcock sempre foi muito influente entre aqueles que praticavam a crítica da literatura fantástica. Aliás, numa nota curiosa, Moorcock sempre foi um crítico ardoroso de Lovecraft e de sua influencia na ficção moderna, acusando o autor de racista e misógino; se é verdade ou não, não sei, pois já depende uma análise mais “acadêmica”, por assim dizer, mas também é sabido que Robert E. Howard tinha certas posições controversas que dividia com Lovecraft, mas nada muito além do que um homem da década de 20/30 teria; Moorcock também já divulgou um artigo criticando Tokien pela visão açucarada da Inglaterra apresentada como cenário fantástico em seus livros do Senhor dos Anéis; sugiro a leitura do artigo para que você tire sua própria conclusão. E Elric? Elric  é o ultimo imperador de Melniboné. Como é um ser fraco e frágil, Elric é obrigado a tomar drogas para manter sua saúde. Além de conhecimento de várias coisas, Elric é um grande conjurador e feiticeiro graças a seu sangue real melnibonês, com a capacidade de conjurar poderosos demônios.  Os melniboneses não se consideram humanos e veem o crescimento dos Jovens Reinos (os reinos dos humanos) como uma ameaça à sua civilização, mas Elric reluta em tomar uma posição contra os Reinos e seu primo Yyrkoon (o próximo na linha de sucessão, por Elric não possuir herdeiros) vê isso como um sinal de fraqueza. Como imperador de Melniboné, Elric possui acesso a vários itens mágicos como o Anel de Actorius que permite seu utilizador entrar em contato com Arioch, o Lorde do Caos e Duque do Inferno e também patrono dos imperadores melniboneses, mas o item mágico mais importante na história de Elric é a espada Stormbringer.  A espada dá força, saúde e poder de combate ao seu possuidor, mas é um item amaldiçoado que se alimenta de almas e sempre está faminta por mais. Elric acaba prejudicando a todos a sua volta e eventualmente se torna vítima do próprio artefato.  É o exemplo perfeito do herói trágico.

E o RPG?

Bom, ele foi publicado em 2007 pela Mongoose Publishing e escrito por Lawrence Whitaker utilizando as regras para a ultima versão do Runequest (o Runequest II da própria Mongoose). O sistema do Runequest é um sistema super legal de porcentagem. Já falei como ele se comporta aqui.  Mas como o Runequest é um sistema de fantasia medieval que deve ser montado ao gosto do mestre (inclusive no que toca ao sistema de magia, mecanicamente), o que o livro do Elric faz é pré-adaptar as regras básicas do Runequest aos anseios do que se pede de uma campanha no mundo de Elric.

Neste RPG não se tem magia no estilo evocação instantânea (que são as sugestões básicas do Runequest II) e procura-se dar ênfase à magia ritualística de conjuração do mundo de Elric e os poderes advindos de adoração de entidades (que são obtidos através da perícia Pacto; concedendo variados e poderosos efeitos). As magias são poderosas, mas sempre têm efeitos colaterais quando os testes de uso falham. Estas mecânicas não existem no Runequest II básico. São feitas especialmente para este cenário.

Na criação de personagem pode-se jogar como humano, meio menibonês, menibonês e myyrrhn (que são uma raça de seres alados inteligentes).  Existem vários “backgrounds” que podem ser dados aos personagens no mundo Elric que representam que tipo de experiência eles podem tido ao longo da vida. Eles podem ter vindo de tradições marítimas, bárbaras, civilizadas, nobres, nômades, escravas, etc. Depois o personagem também deve escolher uma ocupação que faça sentido dentro do mundo Elric: alquimista, soldado, mercenário, espião, ranger, pirata, etc. São dadas muitas opções. Para ser um feiticeiro, devem-se cumprir requisitos de perícias e fazer parte de algum culto (é uma opção de jogo que deve ter a permissão do mestre também). A criação de personagem segue o básico das regras do Runequest II no restante.

O quente neste livro mesmo é a explicação de como funciona a metafísica do mundo de Elric. Tudo começou com os deuses elementais (representando água, ar, fogo e terra). Num conflito que mimetiza o mito da criação dos titãs gregos, criam-se os Deuses Bestas (que representam as criaturas naturais do mundo). Temos também, a parte de tudo isso, os Dukes do Caos e da Lei. E são esses que provêm indivíduos com poder em troca de almas, que são usadas como uma espécie de dinheiro entre os deuses. E é por isso que existem muitos cultos em Elric. Se você gosta do personagem, vai se deliciar aqui.

Igualmente importante é a seção que trata da descrição dos reinos. Temos descrições bem interessantes sobre cenários como Pan Tang, que são centrais em diversas histórias dos romances. Claro que as descrições são passadas como tendo em vista a sua utilização em jogo então se busca fixar no que seria interessante para um mestre de jogo.  As complicadas relações entre como a magia é vista pela sociedade e como a tecnologia se encontra intrinsecamente ligada às artes místicas também merece destaque por adicionar mais um diferencial a este rico mundo fantástico. As mecânicas do Runequest também se adéquam perfeitamente a estas características.

Por fim, outro ponto de destaque fica por conta dos personagens prontos. Temos a ficha de muitos personagens importantes das histórias, inclusive do próprio Elric e uma explicação detalhada de como funciona a temível, lendária e poderosa Stormbringer.

Bom pessoal, só queria dar um gostinho de um ótimo RPG se você quer comprar um sistema diferente, mas gosta de cenários Sword and Sorcery.  Se você curte Elric e cenários a lá Conan, Elric Of Melniboné é pra você.

Não conheço ainda a 2ª edição, mas espero fazer uma resenha (ou um comentário, pelo menos) quando botar as mãos nela.

Abração a todos!

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2 Comentários

Publicado por em 29/12/2011 em RPG

 

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2 Respostas para “Elric Of Melniboné RPG (1ª Edição)- RESENHA

  1. Bob Nerd

    29/12/2011 at 5:07 PM

    Não conhecia o personagem, interessante a história dele. Vou procurar conhecer mais tanto suas histórias quanto o seu jogo! Vlw pela dica!

     
  2. guidoconti

    30/12/2011 at 12:15 PM

    Oi Bob,

    Eu já falei neste site que não tenho nenhuma predileção especial por cenários medievais, mas os cenários Sword and Sorcery parecem fugir mais do aspecto ingenuo (e épico) que a alta fantasia parece tentar impor ao agente passivo (o jogador, o leitor) e por isso prefiro mais mundos como Conan e Elric. Creio que quem curte cenários mais assim é porque também acha graça nessa malícia que os autores apresentam a quem entra em contato com a sua obra.

    Não tenho dúvidas que você poderá encontrar o mesmo aspecto em Elric.

    Feliz ano novo e abraços!

     

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