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Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras – Resenha

11 jan

Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras

Senhoras e Senhores,

Assisti ontem ao ótimo Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras. Primeiro, falarei sobre o filme e, mais para baixo, farei alguns comentários sobre este fantástico personagem criado por Sir Arthur Conan Doyle no final do século XIX e que vem se revigorando, tendo cada vez mais destaque nos dias atuais.

Eu fiz o caminho contrário: conheci o detetive pelo cinema assistindo ao sensacional O Enigma da Pirâmide e fiquei tão empolgado com o filme que pedi de Natal um manual de detetive e comecei a ler os livros. Nesse filme, tinhamos uma versão jovem do clássico Sherlock; já na nova franquia, iniciada com o filme Sherlock Holmes de 2009, as coisas são igualmente boas, mas um pouco diferentes.

Ainda no primeiro filme, depois que o Detetive e Watson conseguiram pôr fim aos planos do Lorde Blackwood, temos o gancho proveniente da relação com a Irene Adler e com o Professor Moriarty, o que já dava a entender que teríamos a continuação (aqui eu já tremi: na questão de imposição de medo, somente o Coringa e o Darth Vader superam o Professor!).

O Segundo Filme!

Tudo o que deu certo no primeiro filme foi potencializado: temos mais ação, explosões, brigas e diversão, sem falar em um inimigo muito mais interessante: o Professor Moriarty (Jared Harris). Vale lembrar que, nos livros, ele não tem primeiro nome, é só Professor Moriarty, mas, no filme, batizaram-no James.

O roteiro foi baseado em vários fatos de outros contos: O Problema Final, O Signo dos Quatro, A Casa Vazia, entre outros. Todos eles foram devidamente mesclados e amarrados, deixando uma trama dinâmica e envolvente. Somam-se a isso a característica da direção do Guy Ritchie e a ótima química entre os dois protagonistas interpretados por Robert Downey Jr. e Jude Law, e temos diversão garantida por duas horas!

Como sempre, para evitar Spoilers, serei básico na descrição do plot. Sherlock e o seu amigo Watson iniciam investigando uma morte que acharam estranha. À medida que a trama se desenrola, as suspeitas que apontam para o Professor Moriarty ficam evidentes e, dessa forma, começa uma corrida de gato e rato pela Europa para evitar um conflito armado de grandes proporções.

Um fato de que eu gostei é que neste filme nos apresentam o Mycroft Holmes, o irmão mais velho e mais inteligente da família Holmes – por incrível que pareça, o “Sherly” não é o gênio da casa! O ator Stephen Fry está ótimo, proporcionando boas risadas!

Mas nem tudo são flores – há alguns detalhes de que eu não gostei, mas são coisas básicas que não estragam em nada o filme. Vamos lá:

Não gostei do Sherlock lutando kung fu, ou algo do gênero, no começo do filme. Para mim, ele luta aquele box inglês antigo, com o dorso da mão virado para a frente, por isso achei que ele ficou meio estranho praticando a arte marcial oriental.

Em todo filme de ação, para atingir um público maior, eles querem colocar “Girl Power”. A heroína do filme é uma cigana dispensável; na boa, existem muitas formas de um personagem feminino desmonstrar que é foda sem ser dando porrada. Assistam ao primeiro capítulo da segunda temporada da série do Sherlock da BBC que vocês vão entender do que eu estou falando. A Irene Adler da série é definitiva.

Neste filme, a solução foi menos detalhada do que no primeiro, pois com meia dúzia de observações tudo foi esclarecido. Eu gosto mais quando os detalhes são mostrados, coisa que não aconteceu dessa vez.

Trailer:

Como já disse, o diretor do filme é o mesmo do primeiro, Guy Ritchie. O primeiro filme que o tornou conhecido foi o Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, filme espetacular. Depois veio o épico Snatch, em que o cara mostrou suas caracterísitcas como diretor. Até esse longa a coisa estava indo muito bem, mas depois degringolou. Ele se casou com a Madonna e fez um punhado de filmes ruins, como: Destino Insólito, Revólver, entre outros. Mas, assim como o Homem de Ferro reviveu a carreira do Robert Downey Jr., espero que a franquia do Shelock tenha o mesmo efeito para Guy, uma vez que o primeiro e segundo filmes foram muito bons. Vamos ver como será o The Man From U.N.C.L.E., que sai este ano (ou no próximo).

Novamente, uma das características de que eu mais gostei nos filmes foram as lutas corporais. Explico: tanto no filme como nos livros, o detetive não é um cara musculoso; nos livros ele é descrito como alto, já no filme ele é normal. Por isso, para conseguir lutar contra outras pessoas, ele tem que se utílizar de seu raciocínio e poder dedutivo para conseguir equilibrar as lutas contra oponentes maiores ou em maior quantidade. E a forma com que isso acontece é sensacional! Brigas bem no estilo do Snatch, com muita câmera lenta e close nos golpes. As lutas me lembraram e muito quando o Batman enfrentou pela segunda vez o líder mutante no Cavaleiro das Trevas. Toda a descrição, a forma como ele acerta o cara para conseguir vencer: é exatamente isso o que acontece – os caras interpretaram perfeitamente como um detetive lutaria. Só essas cenas já valem o filme!

Mesmo já sendo o segundo filme e sabendo como tudo funciona, talvez, para os conservadores, aqui haja um ponto de conflito. A mesma releitura que aconteceu com o 007 a partir de Cassino Royale (óbvio que o de 2006 e não o de 1967) e com a nova saga de Star Trek do J.J. Abrams acontece com este Sherlock. Quem tem em mente o Dr. Watson narrando as aventuras daquele senhor de casaco, com cachimbo e sentado pensando sobre os crimes ou tocando violino, pode esquecer! As coisas aqui foram atualizadas não em questão de tempo, pois tudo ainda se passa final do século XIX, mas a ação e o dinamismo das cenas são completamente diferentes: há explosões, perseguições, brigas e muitos outros fatores que você não vê em outras versões. A BBC está passando a segunda temporada da ótima série Sherlock. Nela, além das explosões, brigas, etc, tudo foi atualizado: a série se passa em 2010, Sherlock manda SMS e tudo mais. Essa série é tão boa que vou escrever um post específico para ela.

Atualmente, temos muitos “sherlocks” espalhados pela TV, como por exemplo: House (House M.D.), Grissom (C.S.I.), Cal Lightman (Lie to Me), Patrick Jane (The Mentalist) e Adrian Monk (Monk), só para citar alguns. Todos eles são cópias customizadas para um determinado ambiente do personagem do Sir Arthur. Não acho ruim, ainda mais porque são ótimas séries, mas, com o tempo, acho que isso pode desgastar. Mais uma vez, fico feliz que, apesar de atualizado, temos uma série específica do Sherlock.

Agora chega de escrever; eu me empolgo para falar das coisas de que eu gosto e começo a perder o foco! Já estava pronto para falar do jogo para PC Sherlock Holmes vs Jack The Ripper e do jogo de tabuleiro Scotland Yard (foi deste jogo e dos livros que veio o meu medo do Moriarty), mas deixa a temporada da BBC acabar e então eu faço um post completo sobre o detetive “Multimidia”!

That´s All Folks
@hugomagalhaes
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PS.: A cena da fuga pela floresta é épica!

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9 Comentários

Publicado por em 11/01/2012 em Cinema, Estréia, resenha

 

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9 Respostas para “Sherlock Holmes: O Jogo de Sombras – Resenha

  1. Eliane

    11/01/2012 at 10:27 AM

    Já sou notória fã da série da BBC: Sherlock, uma mistura perfeita de House e Sheldon, pero com classe, muita classe…rs, gosto dos filmes do Guy Ritchie, me divirto muito com Rock’n Rolla, tb me diverti com o primeiro Sherlock Holmes e deve acontecer o mesmo com o segundo, só o Roberto Downey Jr que é um excelente ator, indiscutivelmente, mas faz um Sherlock Holmes mais cínico, mais malaco…rs, como sou purista, não me identifico muito, ainda assim é bom.

     
  2. Hugo

    11/01/2012 at 1:04 PM

    Oi Eliane, muito obrigado pelo comentário! A questão deste Sherlock ser cínico/malaco ao contrário do clássico prepotente/arrogante pode ser interpretado como um problema ou vantagem do filme. Eu me divirto muito com os dois tipos tipos de caracterização. Como citei no post, quando fiquei sabendo que o Daniel Craig seria o próximo 007, chorei 4 dias sem parar. Ele é loiro e tem cara de agente da S.P.E.C.T.R.E. e não de espião da rainha. Mas quando assisti ao Cassino Royale, tudo foi perdoado. Com este Sherlock é a mesma coisa, quando vi o Robert Downey Jr. todo sujo, fiquei apreensivo, mas a atuação, o contexto, a história e a direção fizeram com que a coisa ficasse bacana! Que venham mais filmes com este novo Sherlock, e que venham mais episódios da série com as características do Antigo Sherlock. Só temos a ganhar com isto!

     
  3. Eliane

    11/01/2012 at 1:53 PM

    Ah, sim dentro da proposta do filme do Guy Ritchie esse estilo cínico/malaco se encaixa, mas prefiro o Sherlock prepotente/arrogante, mto mais inglês…rs
    De qualquer forma gosto muito do Robert Downey Jr.
    😉

     
  4. Hugo

    11/01/2012 at 2:31 PM

    “Sherlock prepotente/arrogante, mto mais inglês” Sem mais meretíssimo, argumento vencedor, caso encerrado! 🙂

     
  5. Pedro

    13/01/2012 at 8:50 PM

    Otima resenha e otimo Blog. Volta e meia leio as publicações aqui. Mas, só uma correção, nos livros do Doyle, especificamente o conto ‘Problema Final’ é mencionado o nome “James” para o prof Moriarty. E ja houveram varias outras referencias ao nome do professor, antes desse filme. Ou seja, não foi aqui que deram o primeiro nome do velho Napoleão do Crime.

    No mais, excelente conteudo, espero que continue o otimo trabalho.

     
    • Hugo

      13/01/2012 at 11:14 PM

      Salve Pedro, tudo bom?
      Aqui a coisa fica complicada, veja só que o Dr. Watson escreve logo no primeiro parágrafo do Problema Final:
      “My hand has been forced, however, by the recent letters in which Colonel James Moriarty defends the memory of his brother, and I have no choice but to lay the facts before the public exactly as they occurred.”. Ao meu ver, James Moriarty é o irmão do Professor e não o Professor propriamente dito! Várias pessoas já me observaram para este fato, mas eu acho muito mais instigante ele não ter o primeiro nome, faz parte da mística e tem seu charme.
      Depois de muito tempo estou relendo os contos, desta vez com um olhar mais apurado, se achar uma referência ao nome do “Napoleão do Crime” eu aviso. Muito obrigado pelo comentário.
      Abraço!
      [Atualizando] Para fazer um pouco mais de sentido para quem não sabe do que se trata o Problema Final” – para de ler aqui se você ainda não viu o filme, uma vez que o roteiro também é baseada nesta história – Neste conto é narrado a batalha final entre o Sherlock e o Professor. No final ambos caem na cachoeira e morrem. Por isto que é dito que o Coronel James Moriarty esta falando sobre o irmão que morreu, no caso o Professor. Mais para frente sabemos que o Sherlock não morreu e voltou no conto da Casa Vazia.

       
      • Pedro

        15/01/2012 at 11:28 PM

        Boa Hugo.

        Realmente, eu me confundi. O nome ‘James’ foi dado ao professor em outras midias, como no quadrinho “A liga extraordinaria” e na serie da BBC, mas na narrativa original o nome do professor realmente nunca é mencionado.
        A referencia a ‘Napoleão do Crime’ se da durante a narrativa do Sherlock para o Watson, quando o detetive encontra-se na casa do amigo, colocando-lhe apar do que estava ocorrendo.

        Alias, sobre ‘Problema FInal’ e ‘A casa vazia’, vale mencionar que a intenção do Sir Doyle era parar de escrever apos o primeiro, porem retomou a narrativa a contra-gosto no segundo por causa da pressão popular da época.

         
  6. Marlon Massaneiro

    18/01/2012 at 9:55 PM

    Oi Hugo. A cigana do filme é a atriz que fez a Lisbeth Salander no filme sueco ‘Os Homens que Não Amavam as Mulheres’. Abraços.

     
    • Hugo

      18/01/2012 at 10:04 PM

      Cara é verdade! Eu ainda não vi nenhuma versão do “Os Homens que Não Amavam as Mulhres”. Estou lendo o livro, quero ver se para a semana que vem eu assisto o original Sueco antes de ir ver a versão americana! Abraço!

       

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