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AUTHORITY RPG – Resenha

19 jan

Olá meus colegas, como vão? Tenho certeza que muitos leitores daqui gostam de quadrinhos assim como eu então tudo que farei é apenas  uma breve exposé da obra seminal de Warren Ellis e Bryan Hitch.  O que é  Authority? Authority é o nome um quadrinho publicado no fim da década de 90 que conta a história deste supergrupo homônimo, que saído das páginas dos gibis do mundo da Wildstorm, ajudou a botar mais lenha na fogueira da discussão sobre o que é de fato ser um super-herói e quais poderiam ser os reais efeitos da existência dos mesmos no nosso mundo.As histórias se desenvolvem num arco tão extremo que se chega ao ponto em que o supergrupo domina o governo dos Estados Unidos.

As ameaças no mundo Authority nunca são ameaças em pequenas escala como assaltantes de banco, traficantes, o vilão da cidade, etc. Não. Sempre são ameaças que transformam e alteram o mundo de forma extrema e duradoura como a ameaça de governos ditatoriais, epidemias letais mundiais, a fome, a pobreza em escala global, genocídios, desastres naturais, invasões extradimensionais, deuses alienígenas, etc. Ao se folhear, percebe se de imediato a influencia dos Watchmen de Alan Moore, mas deliberadamente as histórias são contadas dentro dum universo mais tradicional de super-heróis, criticando as interações entre super vs. resto do mundo.

Os próprios personagens já partem de parâmetros não tradicionais. Temos o Doctor (doutor é um título dado àquele que vira o xamã supremo da Terra; sua habilidade é a transmutação das coisas, como radiação em sorvete, ou as naves inimigas em um bando de corvos além de feitos telecinéticos em larga escala como quando removeu a Itália da Terra Paralela de sua superfície; infelizmente tudo seria muito mais fácil se o Doutor não fosse um covarde e um ex-viciado em heroína), Apollo (como toda boa paródia do Super-homem, Apollo voa, é rápido, fortão, solta lasers pelos olhos e é quase indestrutível, mas depende demais de energia solar, drenando sua própria energia rapidamente; mantém um relacionamento gay com Midnighter), Midnighter (o que aconteceria se o Batman fosse o melhor detetive do mundo em como transformar o inimigo numa polpa de carne esmagada no chão? Esse é o Midnighter. É uma paródia do Batman, mas ao contrário do homem-morcego ele possui super poderes; Midnighter possui um computador cerebral que em um instante dá um milhão de possibilidades sobre a estratégia do adversário e descobre a mais provável, por isso Midnighter sempre sabe o que ele fará e como contra-atacar e, além de tudo, é um mestre absoluto em todas as artes marciais existentes, no uso de todas as armas e é rápido resistente e regenera mais rápido que um humano normal), Jenny Sparks (Jenny é o espírito de século XX e por isso ela possuí amplos e poderosos poderes de controle de energia elétrica  e é imortal… até 2000; no período da série Jenny vai morrer pois termina o século, então ela reencarna no corpo de uma garotinha orfã adotada por Apollo e Midnighter com nome de Jenny Quantum), Engineer (Angelica Spica é a herdeira do poder do construtor, e aquele que o recebe se torna o novo Engineer; ela possui o corpo coberto por nanotechs que permitem à Angela criar equipamentos na hora, de qualquer tipo, através do controle absoluto da tecnologia), Hawksmoor (depois de incontáveis abduções durante sua juventude, Jack adquiriu a incrível capacidade de se comunicar com as cidades e poder manipulá-las, inclusive de forma extrema; certa vez usou Tóquio como uma armadura para lutar contra uma Texas enlouquecida) e Swift (nascida de um ovo, Shen Li-Min é uma garota com a habilidade de voar. Ela tem um par de asas, enxerga como um gavião, tem garras nos pés e possui uma compreensão inata das correntes de ar; é a mais fraca do grupo, mas tem uma importante função sinérgica no grupo). Todos eles têm como sede do grupo a nave Carrier , que é uma nave inteligente do tamanho de uma cidade grande que fica em uma dimensão conhecida como Bleed e tem como fonte de energia um universo bebê. Carrier tem a incrivel capacidade de abrir portais de teleporte para levar o Authority onde quer que eles queiram estar.

Como todos os quadrinhos da época, os heróis de Authority matam pra burro e não se questionam muito se matar pra resolver o problema é certo ou não. Não importa. Eles fazem e pronto, e essa atitude é deliberadamente impressa à atuação dos personagens justamente pra gerar uma certa sensação de perplexidade. É uma forma de crítica também àqueles que detém o poder, para bem ou para  o mal. É é também um dos aspectos que marca a série como uma das representantes da chamada Era de Ferro dos quadrinhos.

E o RPG?

Este RPG foi criado em 2004 pela editora Guardians of the Order escrito por John Chambers, Matt Forbeck, John Snead e Jesse Scoble, que também fazem uma pesquisa muito, mas muito saborosa mesmo sobre os personagens de Authority. Por conta disso, como livro de recursos para o mundo de Authority ele é muito útil mesmo. Além disso, podemos ler ao longo da obra belíssimos ensaios sobre os conceitos que cercam a série, inclusive no tocante como os personagens, embora maquiados como super-heróis, têm-se a impressão de incorporarem um aspecto divino na sua representação nas histórias.

Bem, quanto ao sistema, é o mesmo de BESM, que eu já falei aqui. Então aqueles que tiverem já uma certa familiaridade com o BESM poderão entendê-lo com facilidade, embora o sistema em Authority RPG utilize o sistema antigo do Tri Stat e o sistema original usasse dados d6 (em Authority, rolam-se 2d12 abaixo do valor de Combat Value contra o Defense Value do adversário. A diferença maior vence. No caso das perícias, o nível da perícia dá um modificador negativo no resultado da rolagem para que se possa atingir mais facilmente o valor abaixo do atributo pertinente. Também rolam-se 2d12). Neste livro todas as características e adaptações que apareceram no suplemento Silver Age Sentinels RPG, também pela Guardians of the Order, são vistas aqui novamente, embora numa escala e interpretação mais própria para o mundo de Authority. Por fim, outra parte realmente saborosa são as conversões feitas dos personagens icônicos da série. Os poderes do Doctor, da Engineer e da Jenny são explicados mais detalhadamente e depois são demonstradas essas mecanicas nas fichas dos personagens. Até a maneira que o Doctor destruiu a Itália é descrito mecanicamente e demonstra como o sistema Tri Stat comporta este nível de poder e, é sem dúvida, uma das coisas que pode atrair a atenção das pessoas para este sistema. Temos também a interessante escolha sobre o evento em que utilizou Tóquio como uma armadura de batalha, tendo sido descrita a cidade como um Item de Poder usado pelo herói Hawksmoor. Foi uma boa solução de conversão.

Bom meu pessoal, é isso. Se você quer tentar o Tri Stat para poder descrever e usar poderes super-heróicos, mas não curte a temática anime/mangá de BESM, vá de Authority. Agora se você não quer nem uma das duas coisas (nem Tri Stat, nem anime/mangá), procure outra alternativa mais recente.

Abraços!

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2 Comentários

Publicado por em 19/01/2012 em RPG

 

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2 Respostas para “AUTHORITY RPG – Resenha

  1. bob nerd

    21/01/2012 at 7:22 PM

    O universo do Authority é bem o que eu quero fazer na minha futura mesa de M&M. Acho que vou correr atrás deste livro só pelo detalhamento do universo e para me ajudar a dar o clima que quero para minha mesa! Excelente resenha e de fato eu desconhecia esse rpg.

     
  2. guidoconti

    23/01/2012 at 10:06 AM

    Olá Bob, tudo bem?

    O Authority tem um dos mundos mais legais que eu já li de super-heróis. Os poderes dos supers foram criados de uma forma bem criativa e única, o que torna fazer uma conversão uma coisa difícil mas interessante. O único problema do M&M 3ª é que é muito caro montar seu personagem naquela tabela. Se eu fosse montar estes personagens no M&M, montaria na 2ª edição. No mais, no próprio site da Green Ronin você pode encontrar conversões de vários personagens de gibi (incluindo Authority) feitas pelos jogadores.

    Abraço e obrigado pelo comentário.

     

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