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Wheel Of Time D20 – Resenha

09 fev

Olá meus caros, tudo bem com vocês? Eu espero que sim. Bom, sei que muitos leitores deste blog se interessam por mundos de fantasia de autores contemporâneos, como por exemplo, as histórias de Harry Dresden (da série Dresden Files) de Jim Butcher. Ou mesmo a aclamada Game of Thrones de R. R. Martin (que escreveu também sobre um outro mundo que eu gosto muito, que é a série Wild Cards). Dito isso gostaria de falar pra vocês do mundo fascinante criado por James Oliver Rigney (o qual se identificava sob o pseudônimo Robert Jordan). A série começou em 1990 e continuamente lançava livros sobre a série até que em setembro de 2007 faleceu enquanto trabalhava no volume final. O escritor Brando Sanderson (um colega de James escritor de fantasia) usou as notas e comentários juntados do autor para então finalizar a obra e finalmente a lançou em 2009.  Porém, devido ao tamanho final da obra, lançou-a em 3 partes. A última parte foi lançada em novembro de 2010. Sem dúvida, uma obra digna de nota (só para vocês terem uma ideia, ao longo da série há mais de 1800 personagens nomeados). Então se você gosta de mundos complexos com personagens complexos, Wheel of Time é para você.

Mas como é o plot geral da série?

Na cosmologia deste mundo uma entidade chamada Criador criou o universo e uma ‘Roda do Tempo’ (Wheel of Time) que fia o destino da história (chamado na novela de Padrão das Eras) usando as vidas dos homens e das mulheres. A Roda teria sete ‘lemas’, um diferente da outra para cada época e é girada pelo Poder (One Power; não, não traduzirei isso como o Um Poder; vsf!) que provém da Fonte Verdadeira. Este Poder é dividido em um aspecto feminino e outro masculino (Saidin e Saidar), que juntos fazem a ‘Roda’ girar. Os humanos que conseguem usar o poder são chamados de ‘canalizadores’ (channelers). A organização chamada Aes Sedai é o grupo que mais reúne canalizadores.

Ocorre que na Era das Lendas, um experimento Aes Sedai libertou Shai’tan (a contraparte maligna selada pelo Criador).  Como era muito poderoso, começou a refazer a realidade o tempo à sua própria imagem. Então a Roda, para evitar o fim de tudo, a Roda criou o Dragão, um canalizador de imenso poder que seria um campeão da luz.  Lews Therin Telamon, foi e escolhido e, guiando a Aes Sedai conseguiu selar o mal novamente. Mas o custo foi que todos os canalizadores homens terminariam tomados pela loucura (Shai’tan teria corrompido a metade Saidin do Poder). Por causa disso vários cataclismos ocorreram porque os condutores masculinos ficaram loucos e usando um poder incrível quase devastaram o mundo, e o teriam feito definitivamente, se eventualmente não acabassem mortos ou terminassem incapazes de manipular o Poder. Desta maneira, apenas as mulheres podiam usar o Poder de maneira segura e a Aes Sedai (agora uma ordem exclusivamente de mulheres) passou a guiar a humanidade. Com uma profecia de que Shai’tan retornaria de sua prisão e que o Dragão renasceria.

Neste contexto, nasce Rand al’Thor, que supostamente é o Dragão Renascido. Ele é um poderoso canalizador e com ele os leitores começam a descobrir o mundo mágico de Wheel of Time.

E o RPG?

Eu estou analizando o livro lançado em outubro de 2001 escrito por Charles Ryan, Steven Long, Christian Moore and Owen K.C. Stephens pela Wizards of the Coast. O escritor Robert Jordan (James, sob pseudônimo)  participou do livro como consultor criativo e escreveu a introdução que abre o produto. São raros os RPGs sobre obras de literatura que tem a participação direta de seus criadores e com certeza este é um dos aspectos mais estimulantes em se ler este RPG.

O livro usa o sistema d20 na encarnação do D&D 3.0. A criação de personagens é a básica e neste livro existem diversas classes básicas diferentes das normais de D&D. Ou temos alterações profundas nas classes repetidas. São elas: os Algai’d’siswai (que são os guerreiros Aiel; uma espécie de classe de guerreiros lanceiros duelistas), Armsman (esse é o Fighter básico), Initiate (Aes Sedai, se mulher, ou Asha’man, se homem, se eles existirem na sua época de campanha), Noble (nobre), Wanderer (esse é o ladrão, com várias mecânicas diferentes), Wilder (utilizador não treinado no Poder) e Woodsman (é o Ranger; mas com várias alterações como a supressão do familiar e das magias). Também existem várias classes de prestígio. Não descreverei-as aqui pois várias são muito específicas do cenário, mas também temos coisas mais genéricas como Aes Sedai, Asha’man (que seriam as classes arqui-mago deste mundo) e Blademaster (um guerreiro duelista mais potente). Existe uma raça não humana selecionável mas ela não dispõe da habilidade de manipular o Poder (são o grandes e afetuosos Ogier).

O sistema de perícias e talentos é o mesmo do D&D 3ª Edição. Mas, obviamente, temos também talentos específicos para o mundo de WoT. Talentos que simulam os talentos metamágicos pro Poder e habilidades inatas e místicas (mas não provenientes do sistema de magia do Poder) também são possíveis obter. Muitas destas coisas provém do cenário, como a habilidade que pode ser comprada de falar com lobos ou farejar violência (alguns personagens desenvolvem essas habilidades sobrenaturais que não provém diretamente do Poder no cenário; são mais coisa de Linhagens de Sangue me parece).

O sistema de magia (a manipulação do Poder) de WoT é que é a parte mais chamativa do cenário e que, com certeza, vai fazer os fãs de d20 darem uma olhadinha em WoT. Aqui, as mulheres tem mais afinidade com elemento da Agua, Ar e Espírito. Os homens, com Terra, Fogo e Espírito. Os elementos determinam mais ou menos que tipo de poder (que seriam os feitiços) seu personagem vai comprar. Você começa só com um elemento e o seu nível determina que poderes você pode comprar. Mas se você não tem os elementos, que dizer que você não pode comprar um determinado poder? Desde que voce tenha o nível necessário, não, apenas significa que usa-lo consome um espaço mais alto na sua disponibilidade de castar poderes por dia (sim, aqui existem efeitos de 1º,  2º, 3º círculos… mas você não fica impedido de lançá-los se você tiver gasto tudo… só fica mais difícil pois dependerá então de um teste na perícia Concentração), então funciona diferente do wizard e do sorcerer de D&D. O Caster também pode forçar a perícia de Concentração para poder castar um poder em um círculo maior do que aquele ‘slot’ que você tem disponível.

Devo dizer que os efeitos prontos (tirados diretamente do livro) são bem legais e dão uma função diferente ao caster daquela que normalmente vemos nos RPGs de faz tudo ou de artilharia humana. Com certeza o ponto forte aqui é o flavor nos efeitos. Existem efeitos aqui que fariam um Lorde Sith corar de inveja… como por exemplo Rend, que é um cabo de força telecinético que separa a carne dos ossos do inimigo. Chique, não?

Existe também no livro um bestiário básico e muitas informações sobre a saga em geral contada nos romances até então lançados para o mestre não ficar perdido.  Com certeza o leitor fica muito inspirado pelas idéias trazidas no cenário. Também é um livro bonito e muito ilustrado.

Bom pessoal, a idéia desta resenha é dar uma pitada de informação sobre este RPG que passou por debaixo do radar mas pode render muitas aventuras divertidas. Queria poder falar mais sobre o cenário ou mesmo sobre mais coisas do livro mas seria vomitar spoilers demais. A questão é: se você gosta de RPGs em mundos literários e gosta de d20, Whell of Time pode ser uma boa pedida.

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2 Comentários

Publicado por em 09/02/2012 em Geral, RPG

 

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2 Respostas para “Wheel Of Time D20 – Resenha

  1. bob nerd

    13/02/2012 at 10:56 AM

    Não conhecia, obrigado mais uma vez por apresentar um rpg diferente e, o que parece ser, uma bela obra literária de fantasia!

     
  2. guidoconti

    13/02/2012 at 3:12 PM

    Oi Bob,

    Se você gosta de cenários de fantasa com personagens complexos em um cenários de atmosfera sensação levemente sufocante como Duna, por exemplo, recomendo Wheel of Time. Senti a mesma sensação lendo sobre o cenário no livro de RPG. Acho que deve ser porque o autor da série participou diretamente da concepção do RPG, não?

    Abraço

     

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