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História e Fantasia – 2 Da Guerra Dos 100 Anos ao D&D

14 mar

Mais uns tequinhos de informação histórica pertinente ao mundo dos jogos , neste caso compreendendo o período da avançada idade média,  que de uma forma ou de outra participam na sua sessão de Dungeons & Dragons, no seu filme de Senhor Dos Anéis, ou no seu jogo de Skyrim….
Armas e armaduras da cavalaria no período da  guerra dos 100 anos…

– A educação militar de jovens nobres neste período consistia  :
Manipulação da espada , machado de combate, lança e adaga, montado e desmontado.

Lança :  haste de freixo de 4 metros, que a cavalo era empunhada firmemente debaixo do braço enquanto as pernas se apertavam firmemente a sela com a ajuda dos estribos, tornando cavalo e cavaleiro um projétil capaz de derrubar ou atravessar a armadura de um adversário.
Quando utilizada desmontado era cortada pela metade para torna-la manejável .

Alabarda : neste período cada vez mais apreciada e uma arma mortal.
Consistia da cabeça de um machado presa a uma mastro de 2 metros, circundada de metal para que não pudesse ser arrancada , além de golpear era utilizada para perfurar a armadura do inimigo.

Espada :  a rainha das armas em qualquer campo de batalha até o século XV, símbolo da cavalaria e da nobreza.
Feita do mais fino aço ( o de Bordeaux era muito apreciado pelos nobres cavaleiros franceses ) , a maioria de um metro de extensão,  com uma guarnição simples em cruz e um punho pesado.
A maioria tinha lâmina larga e dois gumes.
Haviam armas especiais mais finas com uma seção em forma de diamante para penetrar armaduras, e também eram populares as espadas mais longas empunhadas com duas mãos ( embora não tivessem atingido as proporções monstruosas das espadas de duas mãos do século XVI )

Misericórdia :  no quadril direito ia a pequena espada de tipo ballock ou misericórdia. Não era realmente uma arma de combate , era empregada para matar um adversário ferido ou como último recurso visto que podia passar através da viseira ou entre as grades da armadura , ferindo ou matando alguém que de outra forma seria invulnerável.

Homem de armas :  os exércitos preparados na França no começo do século XV baseavam-se neste modelo, isto é , um guerreiro vestido com uma armadura completa e treinado para combater a cavalo e a pé. POdia ser um cavaleiro se possuisse o necessário status social e se houvesse submetido a uma cerimonia formal.
embora todos os homens importantes fossem cavaleiros, muitos homens de armas eram simples fidalgos ( a categoria inferior e que tecnicamente denotava um homem que poderia ser nomeado cavaleiro), ou soldados ordinários sem tais pretensões. O homem de armas era principalmente um ginete por instrução e caráter.

Normalmente comandava uma ”lança”, ou grupo de leais que também iam montados, fato pelo qual ele precisava ser suficientemente rico para manter várias montarias, comumentemente uma dúzia.

 Homens de armas combatendo desmontados

Armadura:
Um famoso ( e terrível ) cavaleiro francês medieval,  da guerra dos 100 anos recebeu, em sua primeira cerimonia oficial, a idade de 14 anos, uma maravilhosa armadura branca milanesa com a qual se lhe concedia a distinção de cavaleiro.

Até meados do século XIII, a armadura era fabricada de malha ( filas de anéis de ferro densamente entrelaçados), embora gradualmente fossem sendo acrescentadas peças de aço para conseguir maior proteção contra os golpes e projéteis.
Em 1415, o traje de lâminas, ou armadura completa, atingira quae seu estado definitivo e o cavaleiro ia coberto cap-à-pied ( da cabeça aos pés ) de aço polido. Debaixo da armadura usava-se um colete acolchoado (akheton) para impedir o atrito do metal e para absorver parte da força da flecha. Até o ano de 1400 muitos guerreiros vestiam um jaleco de malha sobre aquele e posteriormente uma cota de lâminas metálicas.
Tudo isto era muito pesado , sem dúvida, mas o maior problemas era o do esgotamento devido ao calor no interior da armadura.
O desenvolvimento da “armadura branca” completa, chamada assim porque todas as suas peças eram de metal polido – ajudou a resolver esse problema. Era necessário dispor de pelo menos um assistente para coloca-la e ajusta-la. Porém o peso de um  traje completo não era insuportável, com uma media de 25 a 30 quilos não era superior ao equipamento completo  de um soldado moderno, e levando-se em conta que o peso era distribuido ao redor do corpo, e cada peça disposta e articulada para adequar-se aos movimentos do guerreiro, fato pelo qual os cavaleiros não precisavam ser erguidos até o cavalo por meio de polias, como antes ( ! ).
Um homem de compleição normal conseguia subir ao cavalo, bem como levantar-se ao cair, a menos que estivesse extenuado, aturdido ou ferido.
O tronco  era coberto por uma peça de costas e peito articulada com dobradiças no lado esquerdo e fivelas no lado direito, apoiada sobre os ombros. Os braços e pernas tinham tubos unidos da mesma forma, e cotovelos e joelhos eram cobertos pelas peças chamadas couter e poleyn. Entre a cintura e a metade da coxa havia uma pequena saia de aros de aço. Luvas articuladas protegiam as maos e sabatones os pés.
Uma inovação pertencente à ultima parte desse periodo era uma lamina pequena e circular que rpotegia ambas as axilas, zona muito vulneravel quando se levantava o braço para desferir um golpe.

   Armadura ‘branca’ completa, incluindo as inovações como a proteção circular para as axilas e a proteção do bacinete na região da cabeça

Elmo :  a parte mais pesada e incomoda da armadura era o capacete, e   outra inovação que substituiu a cota  de malha nesta região era o protetor de pescoço sólido, que era unido ao casco, conhecido como bascinet, esse termo generalizou-se de tal forma que os contemporaneos o utilizavam para indicar o numero de cavaleiros que engrossavam os exercitos. Era uma peça muito justa que chegava até a parte posterioro da cabeça.
O rosto era protegido por um visor ou por um capacete colocado por cima do outro. O visor, pontiagudo, deu origem ao termo bascinet de cara de cachorro e podia ser unido  com gonzos ou deslizar para obter uma melhor visão e ventilação.
O grande capacete com forma de balde e que não oferecia conforto nenhum era utilizado em torneios, mas não na guerra.

Os homens ricos enfeitavam suas armaduras com tiraas de latão ou metal dourado, quem tinha escudos heraldicos mostrava-os em uma peça justa chamada cote d1armes ( literalmente, escudo de armas , que possibilitava sua identificação na batalha e tinha um grande significado simbolico ) .
O escudo de armas tinha o efeito de fazer saber que quem o possuia estava em condiçoes de pagar um resgate, o que era uma valiosa apolice de seguros em caso de perigo de morte>
Acredita-se que o cote d1armes foi abandonado no começo do século XV e substituido por uma armadura branca de aço como usava o cavaleiro na sua iniciação citado no meio deste  texto.

                              cote d’arms sobre armadura de cota de malha

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2 Comentários

Publicado por em 14/03/2012 em Geral

 

2 Respostas para “História e Fantasia – 2 Da Guerra Dos 100 Anos ao D&D

  1. Gilson Rocha

    14/03/2012 at 11:47 PM

    Muito interessante! Mas me diga uma coisa: não desenvolveram/adaptaram armas para perfurar as armaduras de placas?

    Gilson

     
    • herrmiller

      15/03/2012 at 5:57 PM

      Uma delas foi justamente a alabarda, o maior abridor de latas da paróquia, invulnerável totalmente nenhum guerreiro nunca foi…..

       

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