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Deus Vult – Resenha

15 mar

Olá meus caros. Há algum tempo atrás, fiz uma resenha sobre o sistema Runequest.Naquela ocasião fiz uma pequena referencia a um dos suplementos que trata de um cenário em que monges da igreja medieval eram treinados para assassinar bruxas, hereges, monstros e etc. Este cenário comento agora em detalhes. O nome dele é Deus Vult (suplemento para a linha Runequest) publicado em 2010. O autor desta obra é o senhor Gareth Hanrahan (um dos principais escritores da série Paranóia e da linha Traveller) e a editora é aquela de propriedade do grande Monte Cook, a Mongoose Publishing.

Qual é a história? Os jogadores encarnam monges criados dentro desta ordem que não tem nome propriamente (por ser secreta, ela é apenas referida como A Ordem, embora alguns se refiram como a Ordem de São Miguel). A missão da Ordem é a proteção da cristandade até aonde a igreja alcança e, para isso, os membros tem a indulgência divina para praticar quaisquer atos necessários para cumprir esta missão (ou seja, à maneira dos templários na época, têm liberdade para matar, seduzir, roubar, mentir, etc…). O monge, entretanto, deve agir dentro dos limites morais mínimos de justiça e cumprir seus deveres perante a Ordem. Ou sofrer as consequências perante seus irmãos. Deus Vult, do latim, significa “Vontade de Deus”.

O jogo se passa em torno do século 12, um período de ascensão da igreja perante a sociedade. Logo, o paradigma do pensamento é o dos valores do catolicismo cristão como ordenador das relações cotidianas. Como quem não pensava assim estava efetivamente fora das relações sociais (como, por exemplo, os membros de outras fés, como os judeus), querer representar um personagem desse padrão é estar fora da norma (ou seja, não é possível, embora possa integrar o background do personagem). E os monges de Deus Vult são a elite aqui, pois fazem parte corpo que define a moral da sociedade e por que são elite no sentido “black ops” da palavra.

Os personagens são criados como um personagem normal de Runequest, embora mecanicamente a maneira que eles são criados os tornam muito mais poderosos que um personagem normal de Runequest. Seu acesso à vantagens é muito maior. Eles não diferem em nada do Ezio do Assassins Creed (o RPG foi declaradamente baseado no game). Eles são assassinos com um supertreinamento, armas além do seu tempo, superequipamento a la James Bond (disfarçado), relíquias sagradas e o ocasional milagre (se o mestre permitir). São um perigo para qualquer cavaleiro (alguns membros também são cavaleiros, por sinal).

A Ordem é uma sociedade secreta em que seus membros são assassinos experts com licença para matar. Como também são monges, se torna um dever clerical seguir os ditames da hierarquia para cumprir suas missões. Como a igreja tudo provêm, há a desculpa perfeita para colocar os personagens em aventuras sem ficar se atravancando em explicações do tipo “ei, mas como eu boto comida na mesa quando não estou lutando contra meus inimigos?”. Juntar o grupo é igualmente fácil.

Os equipamentos são algo digno de nota visto o interessante design criado para eles. Alguns são futuristas (como uma serra eletrica-não-elétrica que adquire energia potencial para poder manter suas laminas girando; ou uma manopla que de fato dá descargas elétricas e eletrifica as armas que estiver segurando) e outros são proto-tecnomágicos (como um computador que tem um demônio preso dentro para obtenção de respostas). Essa é uma parte bem bacaninha (sim, há espaço para a ocasional lâmina retrátil no pulso).

De resto há uma descrição sobre a abadia de São Miguel na Normandia. É um cenário com NPCs já prontos. Muito bem feito, aliás. Todos os personagens são muito legais e bem inspiradores. Há, por exemplo, um monge que é chefe de guerra e é um poderoso cavaleiro, mas sofre de incontroláveis acessos de luxúria. Há um monge que é o inventor da Ordem, portando uma genialidade do nível Da Vinciano, mas é inevitávelmente louco. Há um ex-rabino filósofo convertido. Há um monge pesquisador das artes ocultas (e eventualmente corrompido) e por aí vai… Como não poderia deixar de ser, há também um bestiário com monstros, bruxas (esta criatura recebe uma especial consideração na seção), demônios e coisas mais mundanas em geral.

Como sabem, não sou muito fá de RPG de fantasia medieval. Mas Deus Vult não é exatamente um RPG de fantasia medieval. Eu diria que é um “dark medieval” diante dos desafios angustiantes e da sociedade de sensação sufocante em que os personagens vivem (isso é um ponto muito importante do cenário). Misture Assassins Creed com O Nome da Rosa e você terá Deus Vult. Recomendo.

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Publicado por em 15/03/2012 em RPG

 

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