RSS

Discutindo RPG: Metagame.

07 maio

Essa semana trago a vocês um texto escrito pelo Richard Lee e postado em uma das listas que eu participo. Achei bem interessante a argumentação em torno do metagame. E como é um assunto que sempre ronda as mesas de RPG, acho interessante para discutir aqui no blog. Vamos a ele:

“Macaco velho” ou “onff” 

Assunto delicado. Vários jogadores não gostam nem de falar, por se tratar de uma linha tênue entre a diversão e trapacear. Resolvi trazer esse assunto porque imagino que, se não todos, grande maioria já passou por isso e talvez nem percebeu.  

Vamos aos termos:

Primeiro, “Macaco Velho” . Não vamos entrar na discussão de como a expressão surgiu, mas trata-se de um termo que, no nosso meio, se aplica aos jogadores que têm um bom conhecimento de como jogar RPG. Aquele indivíduo que já jogou vários estilos/tipos de sistemas, que conhece normalmente como a maioria das coisas vão acontecer simplesmente porque ele já esteve em situações parecidas muitas vezes. É o individuo com uma boa experiência de jogo.

O segundo termo, “ONFF”. Trata-se de uma gíria aplicada a quem mistura ON com OF. Seria aquela situação onde o jogador representa a interpretação de um personagem dentro do jogo (ON) com base naquilo que ele sabe fora do jogo (OFF). Situação onde a mistura dos dois é completamente contra todas as regras do RPG.

Termos apresentados e entendidos, voltamos ao tópico principal: “Macaco velho” ou “ONFF”? Aonde esta a linha que indica o início de um e o término do outro? 

Os sistemas de RPG são formados por regras e baseado nelas os jogadores com mais conhecimento já conseguem prever e antecipar certas cenas, fazendo com que o resultado seja favorável a sua personagem. 

Vamos a um exemplo clássico: “… Arator, bravo homem guerreiro que acabou de sair de sua cidade para explorar as cavernas do norte. Esta feliz e contente em sua jornada quando se depara com um ser no formato de uma bola flutuante com um grande olho no centro e vários outros a seu redor …..” 

Um jogador “novato” se perguntaria, caracas!!!! O que é isso?!?! “Eu pego a minha vassoura -1 e bato nele!!!”, já o “Macaco velho” olharia e falaria: um char humano level baixo dentro de uma caverna acaba de encontrar um beholder … “Narrador, eu saio correndo!”. 

Legal, cheguei exatamente no ponto que eu queria, “Macaco velho” ou “ONFF”? Essa atitude que o jogador experiente acaba de interpretar para o seu personagem, é a atitude correta que a PERSONAGEM tomaria? Temos que ter em mente sempre que uma coisa é o JOGADOR e outra é a PERSONAGEM. O que diferencia entre o que o jogador sabe e o que o personagem deveria de saber, e é ai que vem a “malandragem”. O mestre pergunta para o jogador experiente: “caro jogador, porque você esta saindo correndo com a tua personagem? (se lembre no que ele pensou, o narrador não sabe o real motivo) Na “malandragem” o jogador responde: “Mestre, era um bicho grande e feio que eu nunca vi, minha personagem é inteligente ela sabe que aquilo era um perigo e sairia correndo”. 

Isso esta certo? Errado? A personagem realmente poderia ter pensado aquilo! Contudo neste momento o Narrador tem que estar muito atento em tudo o que aconteceu no cenário e nas reações dos jogadores para que o jogo flua de maneira divertida. Como em qualquer outro jogo, infelizmente sempre existe aquele que quer ganhar, que quer se dar bem na historia. Muitos narradores simplesmente não dão muita importância para isso, o que faz com que  personao jogador se sinta mais a vontade para repetir isso. 

Usando um exemplo relacionado a Live Action RolePlay (LARP) de Vampiro: a Máscara. O narrador vem até o “Macaco Velho” (MC) e faz um teste. Esse perde o teste e o mestre orienta: “a sua personagem sente uma vontade indescritível de ir até o local XYZ”. O “MC” mais do que rapidamente pensa: acabei de perder um teste para convocação (poder usado para convocar alguém até um determinado local). Quem usa convocação certamente não quer uma coisa boa, afinal se fosse algo bom ligaria. Na hora que esta saindo, fala aos seus companheiros: “pessoal, tenho que ir até ali, não sei por que, mas tenho que ir, alguém quer ir comigo?”. 

Foram dados alguns exemplos fáceis de identificar, porém nem sempre é fácil de flagrar estas atitudes vindas do “MC”. Por vezes, ele pode desenvolver todo um enredo para justificar determinadas atitudes. Não existe uma receita de bolo para identificar isso, contudo o que pode ser aconselhado aos narradores que analisem fatores como a experiência do jogador, sua familiaridade com o sistema usado e principalmente ficar atento ao que o jogador se propôs ao criar uma PERSONAGEM e interpretá-la. 

Ao narrar uma crônica eu tento conversar bastante com os jogadores com a idéia de tentar identificar o seu nível de conhecimento e o que ele esta pretendendo com sua personagem. Normalmente coloco algumas situações onde fica mais fácil identificar tais atitudes. Eu vejo um mal sendo tratado pela raiz se for lidado da maneira correta. Outra artimanha, se é assim que posso dizer, é o uso de elementos que saiam da linha de conforto do jogador experiente, que coloca o conhecimento dele em conflito com o que realmente pode estar acontecendo. Um beholder lvl1? Realmente é um beholder? Por uma coincidência do destino as pessoas que estão acompanhando o convocado, que podem ser também “MC”, foram convocadas também, porém para o lado oposto? Se lembre, que você narrador não pode permitir que esse tipo de atitude estrague a brincadeira dos outros. 

Na idéia de não querer sair perdendo os “MC” podem fazer esse tipo de coisa sem perceber, ou realmente fazer isso sabendo que existe a linha tênue entre ser “MC” e estar praticando “ONFF” e tentar explorar o máximo que der esta área cinza. 

Se identificado o uso de recorrente “ONFF” e, mesmo após a orientação sobre as ações anteriores, não haver resposta adequada, acredito que o jogador deva ser orientado a parar de JOGAR. Uma situação muitas vezes chata, porém necessária. 

E você? Já parou para pensar se você quer ser “o Bravo Guerreiro Aventureiro” ou ser o “Macaco Velho Maroto”?

Acho que o Lee foi bem feliz no texto dele. Apenas gostaria de acrescentar que em um RPG de mesa é muito mais fácil controlar esse tipo de comportamento. Já em LARP’s a coisa fica mais difícil, devido ao número de jogadores envolvidos. Em ambos os casos e na vida também a melhor alternativa sempre será o diálogo.

Comentem!

@feliperecka
see you later elevator

Anúncios
 
Deixe um comentário

Publicado por em 07/05/2012 em RPG

 

Tags: ,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: