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Cenários Clássicos de RPG – Banestorm (GURPS)

10 maio

Olá meus coleguinhas. Como vão? Espero que bem. Hoje falaremos de um cenário super interessante e vibrante do sistema GURPS da Steve Jackson Games. O GURPS, como muitos leitores sabem, pertence à uma geração no RPG que chamamos de “simulacionista”. Estes RPGs possuíam muitas regras e eram excessivamente rígidos no tocante à reprodução da realidade dentro do mundo de jogo. Muitos sistemas tentaram fazer um balanço de como alcançar esse ideal inatingível, mas nenhum ficou tão famoso nesta busca como o GURPS. Apesar da sua mecânica de jogo simples (para tudo no sistema se utiliza dados d6 e todos os testes de habilidade envolvem uma rolagem de 3d6 abaixo do valor de perícia), as regras que cercam o desenvolvimento de certas mecânicas, ás vezes nem diretamente ligadas ao personagem, podiam ser incrivelmente complexas (um exemplo? Vejam a criação de veículos no extinto Car Wars ou de robôs no também extinto Robots). Mas mesmo assim, foi considerado o sistema genérico mais popular desta geração até então.

Obviamente as pessoas que jogavam RPG até então não deixaram de jogar os clássicos, como o D&D. Como normalmente a porta de entrada no hobby eram os “dungeon crawler” de temática medieval fantástica, o GURPS  teria que oferecer a versão dele do que seria fantasia medieval para atender as pessoas que queriam conhecer o hobby através deste gênero. Essa resposta foi o Banestorm.

Banestorm fala do mundo de Yrth. Neste mundo existiam apenas três raças: os anões, os orcs e os elfos. As três raças tinham suas diferenças, mas os orcs sempre foram especialmente hostis aos elfos e sempre lideraram guerras especialmente cruéis contra eles. Como os elfos eram a mais ativamente mágica das três raças, decidiram criar um poderoso feitiço que banisse de vez estes odiados inimigos de seu mundo. Era um ritual longo e que usaria uma quantidade imensa de mana (a “gasolina” da magia) e após muita preparação a  magia seria liberada. Mas algo deu errado, e tudo explodiu, como uma bomba atômica mágica, e várias aldeias da região onde foi lançada a magia viraram pó em instantes. Outra consequência terrível foi a criação das “banestorms” que dão nome ao cenário. Estas tempestades magicas podiam atingir outros mundos (ou outras dimensões) e tinham como consequência o surgimento de criaturas dragadas de suas terras natais. Em alguns casos cidades ou um populações inteiras surgiriam em instantes. E assim foi com os humanos.

O problema é que as populações humanas que surgiram vieram diretamente da Alta Idade Medieval, e para complicar, das cruzadas. Numa certa região concentraram-se os europeus e na outra os meio-orientais. Estas foram as populações surgidas em sua maioria, mas também vieram asiáticos, africanos e nórdicos em “banestorms” subsequentes. Para engrossar o caldo, surgiram também goblins, hobgoblins, centauros, medusas, dragões, vampiros, lobisomens, enfim, todas as outras criaturas clássicas do RPG mais antigo de todos.

Apesar de tudo isso, o tema central do cenário é o conflito religioso dos humanos. E embora também exista o budismo, hinduísmo, judaísmo e, em algum nível, protestantismo, o foco é a Igreja Católica de Yrth vs. o Islã. Com isso, ele se diferencia do simples “dungeon crawling” e envolve os jogadores em questões mais complexas e conflitos mais viscerais (na verdade esse cenário é ótimo se o mestre quer ajudar os jogadores a sair do “arroz-e-feijão” dos cenários clássicos sem choca-los demais com a estética do jogo embora a temática mude bastante).

São as principais locações do cenário: Megalos (é a maior e mais poderosa nação de Yrth; se trata de um império cristão/católico dominado por humanos de estilo romanístico); Caithness (nação católica); Cardiel (anteriormente era a nação islâmica de Al-Kard, foi conquistada por Megalos mas declarou independência; é tolerante quanto à religião);  Araterre (é uma nação insular de catolicismo mais moderno que abriga uma “heresia” huguenote); Al-Wazif (nação islâmica sunita), Al-Haz (nação islâmica xiita);  The Nomad Lands (terras pagãs dos vikings);  The Oceans; The Orclands (a terra dos orcs); Sahud (é o oriente do mundo; segue o estilo Japão Feudal); The Great Forest (é a terra dos elfos); The Southwestern Wilderness; Tredroy, City of Three Laws (é uma cidade dominada por três nações diferentes:  Cardiel, Al-Haz e Al-Wazif) e Zarak (é o reino subterrâneo dos anões).

Existem muitas questões chave no mundo de Yrth,mas as principais envolvem o surgimento da tecnologia (lembrando que o mundo está atualmente em 2005) e sua evolução (existe uma conspiração mágica com apoio da Igreja para suprimi-la; especialmente no tocante ao uso de armas de pólvora), a magia vs. religião (ela é em geral aceita, mas há resistência interna do clero) e a política entre raças vs. escravidão (as nações cristãs mais poderosas são escravocratas por causa do modelo romano usado como base para organizá-las).

Esta edição do Banestorm que estou analisando é a mais recente. A da 4ª Edição do Gurps. Pouquíssimo há em termos de regras, o foco mesmo aqui é o cenário e se você gosta do sistema e queria ter um palco para aventuras simples mas muito instigante, Banestorm é pra você! Abraços!

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2 Comentários

Publicado por em 10/05/2012 em RPG

 

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2 Respostas para “Cenários Clássicos de RPG – Banestorm (GURPS)

  1. Coyote

    18/07/2013 at 12:36 AM

    Esse cenário foi lançado no Brasil em 1992 pela DEVIR e infelizmente não foi muito bem aceito na época por apresentar pinceladas de religiões reais. Mas eu particularmente amava o cenário.

     
    • guidoconti

      18/07/2013 at 12:49 AM

      Eu sempre gostei porque com ele eu podia jogar um cenário de fantasia medieval em Gurps. Na minha cabeça, na época, o sistema fazia muito mais sentido pra mim pra esse tipo de jogo (eu não gostava do sistema abstrato do Ad&d). Mas como o cenário, no fim, acabava sendo detalhado demais pra uns piás de 12 anos, a coisa ficava tão simplificada e mexida que virava outro jogo. Mas o cenário sempre inspirou eu e meus colegas. E me inspira até hoje ao pensar certas implicações de cenário ao mestrar neste tipo de fantasia medieval.

      Recomendo sempre. Banestorm vale a pena.

       

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