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Discutindo RPG: Horror Pessoal

28 maio

Olá amigos, hoje vou trazer para esse espaço de discussão um tema surgido nas mesas de RPG na década de noventa, mais precisamente nas mesas de Vampiro: A Máscara, o Horror Pessoal.

Aqui no blog já foi publicado um vídeo do John Bogea, autor do RPG com temática zumbi Terra Devastada, falando sobre Terror e Horror, se você ainda não viu clica aqui e confira! Basicamente o Terror é o medo do não visto, enquanto o horror é o medo escancarado. O Horror Pessoal dentro do RPG é o medo da personagem encontrar seu fim.

O jogo Vampiro: A Máscara utiliza a condição imortal e amaldiçoada das personagens centrais como plano de fundo para explorar temas como moralidade, depravação, condição humana (ou a apreciação da condição humana) e redenção. O mundo em que os vampiros habitam é uma versão mais sombria do nosso mundo e constitui uma fria tela na qual as histórias e os esforços das personagens são retratados. Os temas que o jogo desenvolve incluem a retenção da humanidade, da sanidade e, também, a própria sobrevivência em meio aos desafios de um mundo tão cruel como o “mundo das trevas”.

A idéia central de Vampiro: A Máscara é que o jogador interprete um vampiro recém-criado, tentando sobreviver aos seus primeiros anos como um morto-vivo. O terror psicológico é muito importante para a trama a ser jogada. Um aspecto fundamental, se não o mais importante, é o da personagem ir, aos poucos, se tornando um monstro. Perder as características que o tornavam humano conforme se alimenta e, por vezes, mata seus antigos companheiros mortais. O tema central do jogo não são batalhas nem guerras, mas sim como manter a sua “humanidade”.

Defino o Horror Pessoal dentro do jogo Vampiro; A Máscara como o medo de todo vampiro ser dominado pela besta interior e cair em um frenesi eterno. Dessa forma é fundamental que essa temática dê ritmo e finalidade ao jogo. Por mais que estejamos interpretando personagens vis, que matem e mintam, eles reconhecem que tais atitudes levam em direção à besta e isso será seu fim. Vale lembrar que se a perssonagem não fizer algumas dessas vilanias é provável que ela seja engolida pela sociedade que a rodeia.

É claro que não existe uma forma correta de jogar RPG, ou melhor, se ao jogar todos estão se divertindo você está fazendo isso certo; mas é preciso reconhecer a temática proposta por um jogo e curtí-lo, pelo menos uma vez, como ele foi imaginado.

Minha intenção ao trazer a discussão para esse blog é rememorar um aspecto que a vinte anos era novo nas mesas de RPG. Aspecto que conquistou muito jogador e que hoje parece meio esquecido. Em sua mesa há espaço para o Horror Pessoal? Comente e traga um pouco da sua experiância!

@feliperecka
see you later elevator

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4 Comentários

Publicado por em 28/05/2012 em RPG

 

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4 Respostas para “Discutindo RPG: Horror Pessoal

  1. Ernani

    02/06/2012 at 3:10 AM

    Creio que o nosso live action não mais tem espaço para o horror pessoal.
    Primeiramente pela questão da humanidade, que é elemento secundário – tanto na exigência dos narradores quanto na representação pelos jogadores, e também pela facilidade da criação de um novo personagem ( = muitas bolinhas na planilha) caso o seu encontre o descanso eterno.
    A evolução dos personagens – predominantemente buscando habilidades em combate, também dificulta o resgate do horror pessoal no theatre.
    Eu particularmente adoraria ver essa questão novamente em foco. Até porque me encantei com o jogo justamente por isso, e por não ser um jogo predominantemente combativo (no melhor sentido AD&D da palavra) – tanto é que meu personagem nunca se envolve em contendas físicas – ou mesmo que venham a reduzir ainda mais a ja escassa humanidade.

     
    • feliperecka

      02/06/2012 at 12:53 PM

      Ernani, que bom vê-lo por aqui! Cara acho que o horror pessoal pode até ter se tornado um aspecto secudário do “Curitiba by Night”, mas pode vir a se tornar foco novamente. Diferente das mesas onde uma conversa com o narrador resolve, em um live deve haver um esforço conjunto de várias jogodores. Nesse ponto, pelo que tenho conversado com os outros jogadores, há um consenso que devemos resgatar essa faceta do jogo. Penso que deve haver espaço para todo tipo de iniciativa de jogo dentro de um grupo tão grande, eu particularmente prefiro contar uma história do ponto de vista da “inocência perdida” e vou achar muito legal se mais pessoas buscarem esse tipo de jogo.

      Enfim, basta que o pessoal converse e exponha esse anseio aos narradores.

       
  2. John Bogéa (@JohnBogea)

    04/06/2012 at 7:25 PM

    O Vampiro A Máscara tem um desvio de foco quando passamos do cenário pro sistema. Lendo o universo do VaM temos a plena certeza que se trata de um jogo de sobrevivência na noite, onde personagens amaldiçoados precisam lutar contra sua besta interior e tentar preservar o pouco de humanidade que lhe resta. De forma geral, o cenário é excelente (a White Wolf sempre manda muito bem com seus cenários). No entanto, o sistema nos leva para longe da “luta contra besta interior” e nos aproxima de um jogo de supers, estimulando o uso de “disciplinas” e “clãs”. Os conflitos morais ficaram de escanteio, quase opcionais, enquanto as disciplinas e clãs se tornaram o foco central de tudo.

    O dito horror pessoal só aparece se houver um esforço conjunto de narradores e jogadores, que vão precisar abrir mão de certas oportunidades de sistema para tentar manter a atmosfera defendida pelo cenário.

     
    • feliperecka

      05/06/2012 at 12:44 AM

      Concordo plenamente John. Acho que esse equilíbrio entre o cenário e o sistema é também fruto da maturidade dos jogadores. Deixar um pouco de lado o ganho na ficha do personagem para ganhar em drama é por vezes uma escolha difícil dependendo do grupo que estamos jogando.
      Valeu pelo comentário e volte sempre!

       

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