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Cyberpunk V 3.0 – Resenha

14 jun

Olá meus amiguinhos.Tudo bem no feriado? Espero que sim. Bom, pessoal hoje vou falar de mais uma daquelas pérolas que passam despercebidas no grande influxo de jogos que acabam surgindo na indústria do RPG e que, as vezes por falta de interesse, acabam sumindo na obscuridade.

Antes de falar do prato principal quero falar de um RPG que chegou a ser traduzido aqui no Brasil mas, em razão da antecipação da Devir ao lançar o GURPS  Cyberpunk, acabou tendo um, vamos dizer assim, “esvaziamento” do interesse sobre o seu maior atrativo que era justamente o Cyberpunk! Estou falando do ótimo Cyberpunk 2020.

Ah, voce não sabe o que é Cyberpunk? Então antes leia este oportuno e interessante artigo do meu colega Felipe Recka aqui.

Este RPG, na verdade já é uma 2ª edição de um RPG chamado Cyberpunk 2013 lançado em 1988. A versão contava com uma caixa com os livros aventura RockerboySolo of Fortune Hardwired. Mais tarde, o sr. Mike Pondsmith lançou através da R. Talsorian Games a então 2ª edição que acabaria vir surgir aqui na nossa terrinha (que incluía pequenas modificações como, por exemplo, a queda do muro de Berlim). Mas por que toda essa história? É para explicar que, apesar da aparente simplicidade do cenário (que tende para o Cyberpunk clássico gibsoniano) existia toda uma complexidade de personagens e novelas que compunham o substrato das estórias contadas em Cyberpunk 2020 (temos a descrição de personagens icônicos como o ciborgue roqueiro Johnny Silverhand; o mercenário frio mas de bom coração Morgan Blackhand; a hacker brilhante Alt Cunningham, etc.). E como toda a boa estória que continua a ser contada evolui, chegamos até aqui, até o Cyberpunk V 3.0 (houveram outras edições relativas ao cenário embora não fossem diretamente à linha principal “Cyberpunk”; não gostei delas, especialmente do cenário alternativo Cybergeneration).

Bom, já este livro aqui foi escrito pelo sr. Pondsmith conjuntamente Lisa Pondsmith e Will Moss. Foi lançado em pela R . Talsorian Group em 2005 por força da base de fãs do cenário. É um grande livro (tem em torno de 290 páginas). O sistema de rolagens é o Fuzion System que se utiliza 10 atributos, possui subatributos, perícias, etc. Embora pareça complicado à primeira vista, basicamente tudo se reduz a Atributo + Perícia +1d10 para a resolução dos testes. No livro tem vários exemplos de testes, desde combate até testes estáticos para que o mestre e os jogadores não fiquem perdidos. No final ele fica bem legal. Mas enfatiso que o grau de letalidade do sistema é alto.

Uma das características deste Cyberpunk em especial é suas características do movimento literários pós-cyberpunk em que futuro não necessariamente redunde numa distopia. Mesmo assim, ainda há espaço para a violência de grupos e organizações sinistras. Outras características notáveis deste livro no tratamento do conceito “Cyberpunk” é uma Internet corrupta (decorrente da 4ª Guerra Corporativa; megacorps sempre são importantes num jogo Cyberpunk) com informação muitas vezes não confiável, a enfase na biotecnologia (e no trans-humanismo) e as “Altcults” (ou, culturas alternativas)

As Altcults são uma mistura de Estado, gangue e família. Elas possuem hábitos próprios, organizações próprias, finanças e, o mais importante pro jogo, tecnologias próprias (algumas são extremamente avançadas, o que contribui para que o jogo não fique só no âmbito Cyberpunk). Temos as seguintes Altcults à disposição no cenário:

Corpore Metal ou Cee-Metal – É uma sociedade composta de ciborgues de conversão total que usa a tecnologia Livemetal e que mantém apenas os seus cérebros como unica parte orgânica de si. São extremamente fortes, porém ordeiros, e todos desconfiam deles.

Desnai’ – É um povo que decidiu viver em uma série de enormes biodomos no mesmo sentidos das arcologias que existem na Disneyworld com o objetivo de se protegerem da anarquia existente dos lados de fora. Usam robôs para as suas tarefas diárias e de exploração, pesquisa, conflito, etc.

Edgerunners – são descendentes do movimento Cyberpunk anti-corporação. Não mais utilizam a substituição de membros como antigamente, optando pela tecnologia NuCybe que costuma usar umas espécies de “braçadeiras” para revestir membros e fazer ligações com o sistema nervoso de maneira muito mais sutil e eficiente que a antiga cybertecnologia.

Reef – É uma comunidade que utiliza a biotecnologia para se adaptar ao fundo dos oceanos, onde eles vivem. Vivem como piratas, atacando e roubando as cidades e cidadãos das superfícies. Alguns podem assumir a forma de homens tubarão enorme, minotauros e outras maluquices.

Riptide Confederation – São várias arcologias flutuantes que se separaram do Japão depois de uma guerra civil nuclear. Eles tem como tecnologia o uso da biotecnologia para gerar criaturas para auxiliar no dia-a-dia, como cachecóis vivos protetores inteligentes, seres que geram comida do próprio corpo livremente, super tigres invisíveis guardas-costas e outras maluquices.

Rolling State – São nômades, ciganos, que vivem em enormes cidades móveis nos desertos que surgiram no futuro. São muito unidos e possuem acesso a uma mega avançada nanotecnologia. Costumam fazer serviços mercenário de tempos em tempos.

Existem outras Altcults no cenário, algumas até bem importantes, como as Neo-Corps (que são as megacorporações do passado organizadas sob a formas de sindicatos criminosos), mas elas não são tratadas com tantos detalhes pois são mais peças do cenário e antagonistas que qualquer coisa. São deliberadamente deixadas com uma descrição mais vaga para que o mestre possa criar em cima.

Bom pessoal, para que eu dê um aval positivo para um livro vários fatores entram em jogo. Dentre eles peso custo-benefício, cuidado na escrita, cenário rico, regras boas e inteligentes, muito conteúdo de utilização no sistema, o quão inspirador é pro mestre e pros jogadores (este fator na verdade é o mais importante pra mim) e apresentação.

Pesando tudo isso, ao ver mecânicas de combate avançadas como manobras de combate corpo-a-corpo, ataques localizados, artes marciais, combate aéreo e terrestre em veículos, as claras regras para combate a distância e vários outros fatores, posso dizer com tranquilidade: recomendo.

Não é um RPG propriamente Cyberpunk. Mas tem muita coisa disso lá. É um RPG de cenário com muitas coisas estranhas e louca que brincam com a tecnologia e os conceitos Cyberpunk. E isso já um traço distintivo num mar de mesmice. Então fikadika!!

Abraços e bom fim de semana!

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Publicado por em 14/06/2012 em RPG

 

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