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Xampu – Lovely Losers. Disparado, uma das melhores histórias do Roger Cruz!

07 ago

# Fato, Xampu – Lovely Losers, é um dos melhores HQ´s que li nos últimos anos. Roger Cruz mostrou que um trabalho independente e autoral pode ser muito melhor que o “mais-do-mesmo” das grandes editoras!
por Hugo Fernando

Senhoras e Senhores.

Mais uma vez abro meu coração com vocês. Eu admito, gosto de cinema pipoca, prefiro filmes de ação, porrada, explosões e mulheres gostosas sensacionais (sabe como é, tenho que maneirar caso contrário corro o risco de apanhar da patroa). Não sou fã de filmes que deixam você para baixo. Este meu gosto se repete nos quadrinhos. Gosto dos “quadrinhos pipoca” e esta lista é encabeçada por Batman, Vingadores, X-men, Aranha, Lanterna entre outros. Toda vez que chega um “quadrinho independe” na minha mão eu torço o nariz. Tenho a impressão que não irei entender nada do que o autor quis dizer!

Achei que esta situação se repetiria novamente na sexta-feira passada, (03/08/12). Com a visita do Roger Cruz na Itiban, mesmo a contra gosto, comprei a revista Xampu – Lovely Losers para ver o que ele estava fazendo após sua, já distante, saída da Marvel. Meus amigos, tomei um direto de direita no meio da cara e fui knock-out! Sincera e honestamente é um dos melhores trabalhos que lí há muito tempo! Temos aqui texto e imagem em harmonia. Esta perfeita mesclagem entre linhas e letras é a diferença entre uma simples HQ em uma verdadeira Graphic Novel!

A ideia é básica. Lançada a mais de dois anos, Xampu – Lovely Losers é o fiel retrato de um grupo de amigos que moram juntos em uma espécie de “república” na cidade de São Paulo! Como não poderia deixar de ser, neste ambiente passam vários tipos de pessoas e acontecem várias situações que você facilmente reconhece caso tenha vivido nesta mesma época, final dos anos 80 início dos anos 90. Relações de amizade e afetivas são mostradas de maneira trivial, e exatamente por isto ela se tornam muito reais. Outro ponto sensacional é a questão da ambientação, como a história se passa no Brasil, coisas que você nunca leu em uma HQ de fora você vê aqui. A cena dos caras chamando a menina de gostosa no meio da rua e a guria retrucando é muito característico, ri muito durante esta passagem. Cada quadrinho é um deleite para os olhos, preste atenção nos detalhes, nos posters das paredes, nas capas dos vinis, nas roupas, no logotipo do nome de cara personagem, na pichação dos muros típicas das grandes cidades. Dependendo do seu nível de atenção até a playboy da Luciana Vendramini e da Luma de Oliveira você encontra. Todo este cuidado produz uma rica ambientação que te transporta no tempo!

Veja abaixo um vídeo onde o roger desenha utilizando a mesma técnica empregada na criação da HQ publicada pela Devir!

A descrição do próprio autor sobre sua obra é a seguinte:

Entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90, um pequeno apartamento na zona norte de São Paulo estremecia com o falatório, a gritaria, o tilintar de copos e garrafas e o volume no talo do aparelho de som 3 em 1. Embaralhadas com sons de guitarras, bateria e baixo, as palavras eram quase adivinhadas enquanto saíam, entre tragadas e goles, pelas bocas fumacentas.

A todo instante, novos maços de cigarro, álcool e discos de vinil eram adicionados à combustão que ardia noite adentro. E tudo se repetia no fim de semana seguinte. Alguns voltavam e vinham com amigos que traziam amigos e outros voltavam no mês seguinte. Alguns demoravam a voltar e alguns não voltavam.

Até que ninguém mais voltou.
Eu também não voltei.
Mas ainda me lembro de muitas coisas e conversei com várias pessoas.
Agora, tudo o que eu sei sobre algumas delas está neste livro.
Lembranças dos distantes anos 80.



Deste ponto em diante, comentarei as histórias e os personagens da HQ. Recomento fortemente que você leia a revista Xampu antes, pois revelarei pontos chaves da trama!

Todo mundo já teve uma Nicole!

Um dos personagens que eu mais gostei foi da Nicole. Tenho certeza que “uma nicole” já passou pela sua adolescência estimado leitor. Esta garota é aquela que você gostava em segredo, mas para seu desespero ela ficava com o “traste” da turma. Indignado você pesanva: “Porra, eu sou gente boa, to super afim da menina e a ela da mole para o cara que não quer nada com nada”, isto te deixava puto da vida!

Outra situação fatídica, é quando você toma o toco da menina. Duas opções: Se você estava de franco atirador, não da nada, você muda a mira para outra e segue em frente. Mas se você gostava dela e na hora da investida toma o famoso “mas você é meu amigo”, porra, da vontade de cavar um buraco no chão e se enterrar pro resto da vida! Esta situação muda completamente quando, mesmo depois de todas as negativas, você recebe um sinal mínimo de esperança. Isto faz você voltar ao jogo com mais força do que nunca!

É meu nego, tenho certeza que isto já aconteceu com alguns de vocês, mas são poucos que irão admitir, afinal, estas coisas de amor de adolescente “só acontece com meninas”!

Fim do Sombra!

A história que conta o derradeiro fim do Sombra me deixou absurdamente triste! Este personagem era o tal do “traste” que mencionei lá em cima. Vocalista da banda, ele passava a régua em todas as “groupies”. Como disse, ele não tinha muito futuro, a medida que o tempo passa, você acompanha o cara abandonando seus sonhos para conseguir se manter. Ele passa a abrir mão de cantar as músicas que gosta e começa a cantar músicas que fazem sucesso para ter dinheiro. Depois larga a música e volta a ser pedreiro no subúrbio. Por fim, sua última aparição é como um pastor de igreja evangélica. Antes que me venham crucificar por estar falando que é ruim o cara virar pastor, deixe-me explicar meu ponto de vista. O problema não é virar pastor, o problema é que o cara teve que abandonar seus sonhos. Este é o ponto que quero salientar. Esta derrocada na história foi muito triste. Este final me deixou com aquela sensação “Que Puxa” do Charlie Brown (do Snoopy é claro)Max, Nicole e Sombra

Desenhos exclusivos em minhas revistas – Valeu Roger!

Bandas de garagem!

Sempre fui um zero a esquerda na questão musical, minha habilidade manual é para construir coisas, por isto nunca fui em frente com uma banda de garagem. Porém não saber tocar um instrumento não me impedia de acompanhar as bandas. Tinha vários amigos que tocavam em bandas de garagem, para citar um exemplo, conheci a sensacional música “Festa do Santo Rei” pela banda do camarada João Steck! Na HQ, quando acontecem os ensaios da banda, foi como se eu entrasse no DeLorean e voltasse para o inicio dos anos 90.O autor reproduziu com maestria o clima e o ambiente de um ensaio de uma banda de garagem!

Fim do Max e fim do Sombra

Na hora que estava pegando o autografo nas minhas HQ´s aproveitei o momento e comentei a situação referente a tristeza que tive ao ler a história do Sombra. O Roger fez o seguinte comentário, “para você ver como é a reação das pessoas, o Max morre e você fica triste pelo Sombra ter virado pastor evangélico”. Este comentário me lembrou de uma entrevista que vi (ou li, não lembro) do Michael Moore falando sobre o ótimo “Roger & Me“. Este documentário fala sobre a degradação de uma cidade (Flint) em função das decisões do Sr. Roger Smith de fechar as portas da General Motors, principal fábrica da região. Alem disso, ele faz entrevistas com vários moradores da cidade, inclusive com uma senhora que durante as filmagens mata e destrincha um coelho para vender a carne e a pele. Michael Moore disse mais ou menos o seguinte “Eu fiz um documentário falando sobre o impacto direto do fechamento de uma montadora na vida de mais de 20000 pessoas e ninguém mencionou isto, agora quantidade de protesto que teve por eu mostrar uma senhora matando um coelho foi um absurdo!”. Pois bem, senti a mesma coisa enquanto eu conversava com o Roger Cruz. A questão de uma pessoa não ter seu sonho realizado me emocionou mais do que a morte de um dos personagens.

Roger Cruz é o Max!

Durante o bate-papo e mesmo quando estava na sessão de autografos, Roger Cruz negou veementemente que seja o Max. Na boa, para mim não interessa o que ele diga, tenho a visão que o Max é autoretrato do autor! Lembro que na época que não tinhamos acesso a internet, a forma de ver o rosto dos desenhistas era através do “top ten” da revista Wizard. Foi lá que vi a primeira imagem dele. A foto era de perfil, tinha cabelo comprido e um nariz de respeito. Olha ali em cima o desenho que ele fez para mim no ArtBook! Não tem o que discutir Roger=Max 🙂

Da esquerda para direita – Rafael Albuquerque, Eu e Roger Cruz

Para mais detalhes referente ao autor e sua obra!

Site – http://rogercruzbr.blogspot.com.br/

Blog do Xampu – http://gibixampu.blogspot.com.br/

Twitter – https://twitter.com/rogercruzbr

Xampu – http://www.devir.com.br/hqs/xampu_v01.php

Artbook – http://rogercruz.deviantart.com/

Pra fechar, faça um favor a você mesmo, vá até a livraria ou comic shop mais próxima de sua casa, e compre esta HQ. Se tiver menos de 30 anos, você verá como eram as coisas, como nos divertíamos sem internet, twitter e facebook. Se tiver mais de 30, esta HQ funcionará como uma máquina do tempo e devolverá, mesmo que por alguns minutos, aquela sensação espetacular da adolescência! Totalmente recomendada!

That´s all Folks.
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3 Comentários

Publicado por em 07/08/2012 em Quadrinhos

 

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3 Respostas para “Xampu – Lovely Losers. Disparado, uma das melhores histórias do Roger Cruz!

  1. herrmiller

    07/08/2012 at 9:34 AM

    parece muito interessante, boa dica.

     
  2. Roger

    14/08/2012 at 7:28 PM

    Valeu, hugo!
    Resenha duca! Legal ver vc reparar em tantos detalhes.
    abs
    Roger

     

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