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Jogos Descartáveis.

18 set

Um número cada vez maior de jogos aparecem como sucesso absoluto e fenômeno instantâneo. Porém são efêmeros e logo caem no esquecimento. Isto está sendo um lugar comum nos jogos para internet!
por Hugo Fernando

Senhoras e Senhores.

Há algum tempo a banda Titãs lançou uma música chamada “A melhor banda de todos os tempos da última semana”, a letra retrata a fugacidade que as bandas aparecem, fazem muito sucesso e somem. Antes de continuar lendo assistam ao clipe!

Fazendo um comparativo, é desta forma que eu vejo o mundo dos jogos casuais online atualmente.

Escrevi um post falando sobre o Draw Something e quanto achei bacana este jogo. Duas semana depois comecei a jogar o Song Pop (também escrevi sobre ele) e parei com o jogo de desenho. Passei umas três semanas a fio desafiando todos no campeonato musical. Hoje, faz umas duas semanas que eu não acesso o jogo de música nem pelo celular nem pelo facebook, simplesmente cansei.

Nunca joguei nada da Zynga, mas acredito que pela diversidade e velocidade dos títulos, os jogos, FarmVille, CityVille, CastleVille, ou qualquer outro Ville tem o mesmo ciclo de vida.

É estranho, falando diretamente sobre joguinhos para internet, aquele que você joga no próprio navegador, somos cada vez mais ávidos por algo novo para descartá-lo de forma ainda mais rápida. Apesar de um altíssimo fator de replay, o tempo total que você joga até descartá-lo não é muito alto. Nos dois jogos que citei, uma partida dura na base de 1 minuto, você joga umas 500 vezes e já deu o que tinha para dar. Se fizer as contas, isto não da nem 10 horas de jogo. Um jogo de nível médio em um console dura na base de 12 a 15 horas e, dependendo como for, você joga cada vez mais e mais. Afirmo que tenho mais de 500 horas de jogo da coleção God of War, e já estou com vontade de jogar toda a saga novamente!

Aqui vou falar de um achismo puro, sem embasamento teórico nenhum, apenas observação empírica. É sabido que mulheres desempenham muito melhor um serviço repetitivo que os homens, fato. O sucesso

destes joguinhos estilo song pop e draw somenthing fazem muito sucesso com o público feminino. Entendo que o fator repetição é decisivo para este sucesso. Quando soltam pesquisas falando que cada vez mais mulheres jogam, são os joguinhos casuais para internet que equilibram a balança. Nos consoles a diferença de jogadores ainda existe, homens são a maioria. Os fabricantes e desenvolvedores sempre buscam atingir o maior número de pessoas possíveis, com isto fica claro que eles vão investir mais nos jogos casuais para internet. Cliff Bleszinski, criador do Gears of War, já admitiu isto. Em entrevista afirmou que estava trabalhando em desenvolvimento para plataformas móveis pois o retorno é muito mais rápido.

Sendo um pouco egoísta, acho isto bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque cada vez mais os jogos serão difundidos entre as pessoas independente de gênero. Ruim porque a longo prazo acredito que os jogos de console serão esquecidos e jogadores hardcore, classe na qual me incluo, ficarão sem títulos para passar mais de 20 horas quebrando a cabeça!

Espero que esteja errado e as duas frentes (jogos casuais e hardcore) possam caminhar em paralelo, deixando  todos contentes! 🙂

That´s all Folks.
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5 Comentários

Publicado por em 18/09/2012 em Jogos, Vídeo Game

 

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5 Respostas para “Jogos Descartáveis.

  1. Julio Matos

    18/09/2012 at 8:06 AM

    Excelente texto Hugo

    Ele toca em uma questão interessante sobre game design que a maioria dos designers deveria estar se perguntando agora e para seu futuro: Quem joga meu jogo?

    Parece óbvio o movimento das grandes produtoras para a produção e conquista de um público cada vez maior e mais heterogêneo. Também é correto afirmar que a efemeridade destes jogos casuais segue uma linha de tendência muito próxima do que hoje são os “ciclos informacionais” vividos por esse públicos alimentados por uma “timeline” veloz e superconectada.

    Porém acredito que esta mesma superconectividade provoca um segundo fenômeno, ao qual eu denomino de “extensão de nicho”, que vale tanto para os games quanto para qualquer gênero de produto ou serviço considerado específico ou “de nicho”. Esta “extensão de nicho” se caracteriza pela capacidade da internet de propiciar que pessoas com gostos pouco triviais se conectem a seus desejos com facilidade.

    Explico:

    Hoje se uma pessoa produz música “metal melódica baseada em Skyryn” no Acre/BR é muito fácil que ela divulgue para um nicho da Dinamarca, ou do Rio Grande do Sul/BR usando a Internet.
    Muitos produtores que antes dependiam de um público regional (e de nicho) podem encontrar e disseminar seu conteúdo e produtos para qualquer localização geográfica onde se encontre algum membro deste nicho.

    Por isso creio que os produtos de massa estão se tornando cada vez mais heterogêneos, pois os nichos específicos crescem de tamanho na medida que não há mais barreiras para o alcance de uma produção. As grande querem tornar seu produto de massa e isso é fato, mas abre espaço para pequenas criadores de alta qualidade atingirem nichos específicos, que dado o seu aumento de extensão, são capazes de sustentá-la. Um exemplo? A série “The Wicher” de reconhecida qualidade, um jogo longo e tem como criador uma produtora Polonesa.

    Desculpe o quase “segundo post” mas esse é um assunto que sempre quis comentar e nunca soube como começar! 😀

    Abraço!

     
    • Hugo

      18/09/2012 at 8:39 AM

      Salve Júlio.

      Comentários como este seu são sempre bem vindos. Bem embasado e com conteúdo pertinente. Isto sempre agrega valor. Só posso agradecer!

      Abraço!

       
  2. Ocho

    18/09/2012 at 9:09 AM

    Eu vi uma reportagem da Veja, falando exatamente nesse assunto. Joguinhos casuais sempre sao fadados à lixeira. Draw something, e song pop sao alguns deles mesmos. Mas há uma excecao, que é o famigerado Angry birds. Eu, particularmente nunca gostei desse jogo, mas é incrivel como um joguinho desses ainda repercute. Mas é questao de tempo. Os passaros nunca vao ser um mario, apesar de que esse ultimo tambem ja está saturado.

    Enfim, dá pra jogar sim tais gaminhos, mas, mais pra conhecer. É bom que o gamer esqueça esses gaminhos, para que os produtores comecem a pensar em algo mais inovador.

     
  3. herrmiller

    18/09/2012 at 11:42 AM

    HORIZONTE atual :
    Não acredito que repetição é o termo, ou a definição , o que acontece eu não vou me atrever a definir exatamente pois é uma coisa de nivel antropologico/comportamental/cultural a ser discutido a um nivel mais cientifico ( hehe, pode se mudar alguns termos, mas acho que da para entender o que pretendo dizer ) …..
    mas veja :
    homens ainda gostam mais de MAQUINAS – MECANISMOS – ARMAS – ESPORTES VIOLENTOS ( outro termo aqui talvez ) – e ponha COISAS ASSIM ( que podem ser bem diversas, e pode por um estatisticamente falando, nada é absoluto, etc )
    Isto esta para os jogos eletronicos também :
    a maioria dos jogos lida com alguma forma de violencia, ação fisica violenta, e finalmente mecanismos ( incluindo de desvendamento )
    ATIRAR / CORRER / PULAR / IR E VOLTAR / ACIONAR COISAS / CONDUZIR MAQUINAS

    como disse, parece que isto é mais antropologico/comportamental/cultural, de modo geral
    E QUE
    como sabemos esta mudando.

    o homem caçador e provedor / a mulher procriadora —- em milenios ( senão milhões ) deste arranjo , que só no ultimo segundo do calendario evolutivo esta com este sistema se modificando.

    agora mulheres vão a lua, jogam futebol e atiram com rifles de precisão, mas isto ACABOU DE COMEÇAR.
    então acredito que é por aí que a coisa vai neste assunto de jogos eletronicos mais leves, superficiais e repetitivos x jogos mais intricados….

    entretanto nem vou citar aqui o jogos mais elaborados x os jogos de ‘qqer coisa’ mas com mais realismo ( não só na aprresentação grafica , realismo na execução das tarefas, no procedimento de vivenciar a experiencia de jogo ) , estes ultimos tem um infima fatia do mercado, mas estão aí, para um publico fiel e restrito, mas que eu acho que tendem a aumentar como evolução natural neste processo, os jogos sempre serão para a diversão das massas, os mais faceis antes mas mais efemeros, os mais bonitos depois e mais duradouros, e finalmente os mais realistas depois, mas para um pequeno e tenaz publico muito fiel que só larga o osso quando encontra uma coisa ainda mais realista e intrincada….
    o paradigma pode levar mais de um século para mudar, por um simples e inexoravel processo de evolução , determinado pelo avanço da tecnologia , repetição de habitos que não obstante vão mudando paulatinamente, adequação, aceitação e acomodação, e…. etcs aos lotes que deveriamos fazer longas postagens para apresentar e debater, hehe….

     

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