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Survivor – um suplemento para Desolation RPG – Resenha

27 set

Um suplemento bacana para um RPG bacana. Preciso dizer mais?

Por Guido Faoro Conti

Olá meus caros colegas. Estamos aqui novamente reunidos para comentar de novo um daqueles livros que nos instigam do fundo de nossas carteiras a pensar: comprar ou não comprar? Bem, semana passada, se me recordo bem, comentei um RPG que recomendei pela sua simplicidade e proposta bacana. Este RPG é o Desolation RPG, um livro com a inovadora (bem, em termos) proposta de uma fantasia medieval pós-apocalíptica.  Voce pode conferir uma avaliação básica aqui. Super bacana mesmo!

Esta semana falaremos de um dos seus suplementos, o livro Desolation: Survivors. Este livro é sobre aqueles pequenos detalhes que foram deixados de ser incluídos no livro pois se tratam de opções de jogo expandidas que não pertencem realmente ao livro básico. Tenho algumas críticas quanto a isso, mas farei no momento apropriado. Vamos à polpa!

Na primeira parte do livro já temos a apresentação de mais três opções de raças jogáveis. Yay! Essas raças (chamadas de Oruskans) são as seguintes: os Goblins, uma raça de criaturas semi-barbaras que veneram a natureza e eram inimigos recorrentes do Império Ascondeano mas que também se envolvem ocasionalmente em comercio; os Kolbolds, uma raça de seres baixinhos e enfezados que possuem uma estranha cultura esquimó e guerreira e os Orcs, uma raça de guerreiros brutos vindos de tribos militarizadas e que constantemente ameaçaram a paz no antigo Império. Basicamente o que temos aqui é bastante informação, mecânicas sobre as raças, como elas estavam antes e como ficaram depois da Noite do Fogo.

Na segunda parte temos uma descrição de novas perícias incluídas (algumas bem úteis, como Craft/Profession e Merchant), temos a introdução de novos Talents (vários bem legais, como a utilíssima Alchemy, que pode, por exemplo, diminuir o Burn, que atrapalha tanto o mago), novas Flaws (tem umas boas, mas nada demais).

Na terceira parte temos a introdução de duas novas tradições mágicas. A primeira é a interessante Blood Rune Magic, que versa a respeito de um estilo de magia com runas usadas para manipular o corpo do conjurador e do alvo do mesmo (aliás, essa escola mágica me pareceu demais uma versão de fantasia medieval da Epideromancia do Unknown Armies). O legal é que é um tipo de magia usada por Orcs e Anões e, dentre os últimos, é usar essa magia é uma espécie de tabu pois eles já praticam uma versão supostamente menos corrupta (que é a Rune Magic do livro básico). A outra tradição é a ladina Shadow Magic. O foco da magia nesta aqui é criar efeitos envolvendo a manipulação de escuridão e sombras. Não tem nada de especial, mas se voce estiver jogando Desolation e sentir saudade dos Lasombras de Vampiro: A Máscara… bem…

Na quarta parte o foco são os equipamentos. A seção é dividida em Itens Comuns, Armas Corpo-a-Corpo, Armas de Longa Distancia e Armaduras. Devo destacar que estas seções geralmente são bem úteis para mestres e jogadores. Tenho que destacar, que, apesar de tudo, estes itens aqui descritos, assim como os descritos no livro básico, não tem um preço tabelado. Por quê? Porque este é um RPG pós-apocalíptico então os preços dos itens variam imensamente de acordo com as necessidades de quem está fazendo trocas com voce. Aqui a regra é o escambo, então os jogadores tem que pensar em questões como peso, utilidade, “mercantilidade” e coisas assim quando estiverem revirando cidades destruídas e coisas do tipo. Esta é uma das qualidades especiais do cenário.

Na quinta parte temos a descrição de Cynosure, uma cidade entre as Warlands e as Saikin Wastes. Este lugar costumava ser um local seguro para os viajantes do Império antes da Noite do Fogo. E ainda, de certa forma, é, mas agora esta afundada na paranoia e privações decorrentes do apocalipse. A cidade ficou bem bacana e bem descrita. Muitos leitores vão gostar desta parte.

Na parte seis  temos a descrição de várias comunidades independentes. O legal é que cada uma delas tem um mote com um gancho de aventura pronto para que o mestre use. Blossom, por exemplo, vive uma situação de vítima de ataques de grupos saqueadores parecida com a vila do filme de Akira Kurosawa Os Sete Samurais. A vila de Carris, por outro lado, vive uma interessante situação com dois zumbis necromantes inteligentes que vivem perto da vila mas, por algum motivo misterioso, simplesmente não invadem a vila. Tem várias histórias, todas bem legais e prontas para que o mestre use. Uma grande sacada do livro, sem dúvida.

As seções sete e oito tratam, respectivamente, de NPCs amigos e inimigos (das raças básicas), e de criaturas adicionais ao bestiário do cenário. Temos várias fichas no capítulo sete (contei em torno de 30) e variedade é bom. É menos trabalho pro mestre. É uma parte útil de verdade quando não é necessário criar aquele NPC especial ou quando o mestre (ou os jogadores) precisarem de um referencial de nível de habilidade, por exemplo. As adições ao bestiário da seção oito me pareceu pequeno (10 fichas novas), mas a tabela geral de monstros no final do capítulo é de grande utilidade ao mestre se ele não quiser ficar folheado o livro básico incessante para um desafio “de improviso”. Útil.

Balanço final: Bom meus caros, no RPG tudo que é bom pode ficar melhor se melhorado com bom senso, e este livro, sem dúvida, é uma boa adição ao livro básico de Desolation. Mas fiquei um pouco contrariado por terem segurado informações (que são citadas, mas não descritas, no livro básico) como as raças novas e os novos estilos de magia (que, se bem da verdade, estas podiam ser inventadas sem muitos problemas segundo as mecânicas descritas no livro básico). Se tem uma coisa que o Castelo Falkenstein nos ensinou em relação à qualidade de um produto é: não cite, mostre. Dê tudo ao consumidor o que você prometeu e ele lhe será eternamente grato. Eu sei que é disso que os caras vivem e é assim que o mercado funciona. Concordo. Mas quando você é uma indie, voce tem que dar aquele passo extra que a mainstream não dá, e esse passo, para um RPG-designer que está começando é dado oferecendo a maior quantidade de conteúdo possível ao seu consumidor. O conteúdo inédito voce depois apresenta de uma maneira que o consumidor tem que ter sensação que ele comprou por que aquilo lhe interessou, não porque ele precisa completar o livro básico. É assim que voce cria uma boa relação com seu cliente. Tirando essa pequena sacanagem a la WW, o livro é muito bacana e útil, principalmente no que toca à cenário, descrição de comunidades e da cidade exemplo Cynosure. Enfim, é isso… e, ah, eu já tava esquecendo… Recomendo!!

Tenham um ótimo final de semana!!

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Publicado por em 27/09/2012 em RPG

 

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