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História & Fantasia – Ler é o melhor remédio

06 out

USE ISTO! , para se inspirar na descrição de locais, batalhas, acontecimentos, e mesmo pessoas,  para dar cor , ambiente e profundidade a sua narração de  aventura de RPG,  ambientada em algum mundo de fantasia medieval….
A criação de personagens não jogadores pode ser grandemente enriquecida, com a inclusão de caracteristicas de alguns destes personagens, mantendo inclusive o mesmo nome, como o fanfarrão e experiente guerreiro Zagloba, entre outros….
Um romance histórico deste nível pode lhe trazer uma montanha de material para aprimorar sua narração, mesmo se voce é somente um jogador, pode extrair daqui a inspiração para compor um personagem mais elaborado digno de nota e admiração… ou simplesmente adquirir substrato para ‘imaginar’ na sua mente o que esta sendo descrito ou experimentado na mesa de jogo.
Da obra imortal de Henrik Sienkiwicz, A Sangue E Espada (1884) , para você :

=O heróico mas rude cavaleiro conhecendo a sua dama=
‘Minha rainha dourada! se há algo em mim que lhe desagrada, deve me perdoar, porque não aprendi minhas maneiras em qualquer corte, mas nos acampamentos militares, no meio de espadas e não de harpas. Eu venho de uma região perigosa, onde temos que ter a espada sempre a mão , portanto, mesmo que alguém tenha sido condenado por um crime qualquer e esteja sendo procurado para receber um merecido castigo, ninguém se preocupa com isto. Ele será sempre respeitado , desde que seja um guerreiro valente. Na nossa terra, até as mulheres andam com botas de cano alto e espada na mão, como ‘pani kokosinski, tia do meu comandante, que teve uma morte gloriosa numa refrega e cujo filho, sob o meu comando, procurava vingá-la, muito embora não a amasse quando em vida…..’          ( palavras do guerreiro Lituano Andrjev Kmicic para sua amada ‘panna’ Aleksandra Olenka )

=Bravos Líderes Guerreiros e seus regimentos valorosos =
…Um alemão, Karol Szhedding, comandava a brigada Westgodland, formada por dois regimentos de infantaria e um de cavalaria pesada, vestindo grossas armaduras. Metade dos infantes estava armada com mosquetões e a outra metade, com longas lanças pontudas. No início de uma batalha, os mosqueteiros colocavam-se a frente e , diante de uma carga de cavalaria, recuavam para trás dos lanceiros, que fincavam as bases das lanças no chão e viravam as suas pontas na direção dos cavalos dos atacantes. Nos tempos do rei Zygmunt III, um destacamento da husaria despedaçou por completo aquela mesma brigada, que agora era formada quase que exclusivamente por alemães.

As duas brigadas de Smalland eram comandadas por Irwin, apelidado de ‘maneta’ por ter perdido o braço direito ao defender o estandarte do seu regimento numa batalha – em compensação, o seu braço esquerdo era tão forte que podia decepar a cabeça de um cavalo de um só golpe. Maneta era um guerreiro sotrurno, apaixonado pela guerra e pelo derramamento de sangue, severo consigo mesmo e com os seus soldados. Enquanto os outros oficiais da guerras religiosas, depois de anos de luta, acabaram se transformando em meros profissionais que consideravam o ato de guerrrear uma profissão, ele continuou sendo o mesmo fanático de sempre…

=Cenas de Exércitos formidáveis e paisagens=
…. Ao todo, O general Wittenberg dispunha de setenta canhões e dezessete mil soldados que haviam devastado a alemanha, entre os quais se destacava a temível infantaria sueca que somente podia rivalizar com a guarda real do rei da França.
Uma autêntica floresta de lanças se elevava sobre os capacetes e chapéus e, no meio dela, rumavam na direção das fronteiras polonesas centenas de enormes bandeiras azuis adornadas por uma cruz branca. Quando finalmente as tropas saíram do meio das árvores, desfraldou-se diante dos seus olhos uma paisagem alegre, sorridente, com extensos campos de trigo reluzindo ao sol e pontilhados por enormes carvalhos e viçosos campos verdes. Atras das arvores, até onde a vista podia alcançar , tenues colunas de fumaça elveavam-se aos céus, enquanto rebanhos de gado e ovelhas pastavam tranquilamente nos pastos.

=Um velho veterano, fanfarrão mas valoroso =
– E nós não desejamos outra coisa ! – disse Zagloba.
– Pan Opalinski é um escrevinhador e nós pudemos ver o resultado da sua liderança… estes rabiscadores de papel são a escória da humanidade !
Basta um deles arrancar uma pena do traseiro de um ganso e logo se acha o mais sábio dos homens…. eles sempre estao prontos para apontar os erros dos outros, mas quando chega a hora de puxar da espada, somem como por encanto. eu mesmo cheguei a escrever alguns poemas na minha juventude , para conquistar os corações femininos, mas a minha natureza guerreira fez com que eu abandonasse aquela promissora carreira.

=O fanfarrão Zagloba desconfiado com algum sortilégio na comida, mas prudentemente liberando a bebida das suas apreensões =
-Observem senhores, como o bispo parczewski esta palido, parece uma folha de papel – disse stanislaw skrezetuski.
-Deve ser porque está sentado numa mesa de calvinistas e tem medo de engolir algo que não devia – murmurou zagloba. – dizem que as pessoas não precisam se preocupar com bebidas, porque nada de mal pode acontecer com elas e pode-se beber a vontade, mas quanto a comida, especialmente se for sopa, é preciso tomar muito cuidado. eu já me defrontei com isto na criméia, quando estive preso naquelas bandas. Os mulás turcos, ou seja, os padres deles, sabiam misturar carne de carneiro com alho de tal forma que todo aquele que a provasse renegava a sua fé e adotava a crença religiosa deles.Neste ponto zagloba falou ainda mais baixo :
– não quero desprezar a comida do Príncipe mas sugiro a todos que façam um sinal da cruz antes de por algo na boca.

=Um combate de escaramuça com o  espadachim perfeito  =
Um mosquetão foi disparado, mas, devido a distância, as balas de chumbo não chegaram até ele. tudo indicava que o oficial ainda achava que se tratava de um mal entendido…
-Disparem de novo!
Após o segundo tiro, o oficial deu meia volta no cavalo e começou a retornar, embora sem qualquer pressa, para junto dos seus homens. Estes por sua vez, vieram galopando na sua direção.
Enquanto isto a primeira fileira dos laudenses já estava entrando no vilarejo.
O oficial sueco emitiu uma ordem, as espadas que, até aquele momento estavam pousadass sobre os ombros dos cavalarianos, abaixaram-se imediatamente, enquanto todos sacaram das suas pistolas e as apoiaram nos arções das suas selas.
– Que soldados mais adestrados! – murmurou Wolodijowski, obsevando a rapidez e a forma quase que mecânica daquela manobra. depois olhou para trás para se certificar se os seus homens estavam em posição, ajeitou-se na sela e gritou:
-Avançar!
Os Laudenses se inclinaram nas selas e se lançaram ao ataque. Os suecos deixaram que eles se aproximassem antes de disparar suas pistolas, mas a salva não surtiu um grande efeito entre os cavaleiros escondidos por tras das cabeças dos seus cavalos. apenas um ou outro largou as rédeas e inclinou-se para trás, enquanto os demais chocaram-se com o muro formado pelos suecos.
Na Lituânia , a cavalaria ligeira usava ainda lanças que, nos exércitos poloneses, era usada exclusivamente pelas Husari. Mas pan wolodyjowski, sabendo que a luta seria travada num campo limitado, ordenara que as lanças fossem deixadas a beira da estrada, de modo que a baltaha teria que ser decidida na base da espada.
O primeiro impacto não quebrou a linha dos suecos, mas fez com que eles recuassem enquanto os Laudenses os empurravam cada vez mais para trás, a rua começou a se encher de cadáveres, o calor vindo das chamas das cabanas tornou-se insuportável, muito embora as choupanas fossem separadas da rua por cercas e pomares. Os suecos cada vez mais acuados, recuavam devagar, mas ordenadamente. De qualquer modo, mesmo se quisessem não poderiam se dispersar, uma vez que as solidas cercas das choupanas bloqueavam ambos os lados da rua.
O combate se transfomou numa carnificina, uma vez que combatiam apenas a primeiras fileiras, empurrradas para a frente pelas demais.
Pan Wolodokyjoski, tendo pedido antes aos coroneis que cuidassem dos seus homens, lutava na primeira fileira, como um simples soldado. E a cada instante podia-se ver um chapéu sueco desaparecendo diante dele, comos se tivesse mergulhado n’agua. Vez por outra, uma espada sueca arrebatada das mãos do seu portador voava sobre os combatentes, quando se ouvia um grito horripilante e mais um chapéu desaparecia sendo substituído por um outro, e mais outro.
Mas Wolodoyjowsk continauva avançando, seus olhos pequeninos  pareciam soltar faíscas e o seu braço fazia movimentos curtos e calculados.  nos momentos nos quais não via um adversário diante da ponta da sua espada , virava seu rosto e sua espada para a esquerda ou para a dirnete e derrubava com facilidade mais um soldado sueco….
O pequeno cavaleiro dava a impressão de um ceifeiro que desaparecia no meio de um campo de trigo, mas cuja presença podia ser sentida pelo rastro que deixava a sua passagem ….

= O formidável guerreiro =

Quando terminou de falar, bradando do chão para os sitiados nas ameias da muralha, o cavalariano apontou o seu mosquetão e ouviu-se o estrondo de um tiro.
Kmicic, sendo um homem acostumado a guerrear, acalmou-se de imeditao, enquanto o cavalariano, protegendo seus olhos coma a mão, seguia a trajetória do seu projétil, pan Andrzej esticava a corda do seu arco e inclinando-se sobre a muralha, gritou :
-Voce esta morto !
No mesmo instante, ouviu-se o silvo lamentoso de uma flecha. O  mosquetão caiu das mãos do cavalariano e ele levando as mãos para o céu , caiu fulminado por terra. Por alguns momentos agitou-se como um peixe retirado dagua e bateu com os pés contra o solo, mas em seguida ficou estendido e imóvel.
-É o primeiro! – falou Andrjev Kmicic.
– Faça um nó na presilha da sua espada – disse pan Piotrs.
-Se deus quiser, nem todas as cordas do campanário serão suficientes, respondeu Andrzej.
Um segundo cvalariano aproximou-se do seu colega, querendo ver o que lhe acontecera – ou querendo saquea-lo, uma nova flecha silvou e o segundo tombou sobre o peito do primeiro.

(exertos da obra de Henrik Sienkiewicz , -POTOP- , segundo volume da ‘Trilogia’,1884 )

legítima armadura da cavalaria polonesa do século XVIII

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1 comentário

Publicado por em 06/10/2012 em Geral

 

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