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Mystic Empyrean – Resenha

29 nov

Um rpg quase sem mestre e onde todos têm oportunidade colocar suas idéias à prova. Um jeito diferente de jogar. 

Por Guido Faoro Conti

Olá meus colegas tudo bem? Prontos para mais um RPG alternativo? Legal. Hoje vamos de Mystic Empyrean. Um RPG que promete uma experiência de jogo diferenciada. Criado pela editora indie Level 99 Games ele traz as idéias do designer Brad Talton Jr., que tem o objetivo, no fundo, de criar um RPG de cenário genérico dentro de um cenário próprio, sendo que as regras de jogo são a expressão deste intento. Uma coisa muito maluca?

Explico: neste cenário havia anteriormente infinitos reinos de realidades diferentes. Os reinos eram controlados e moldados por estes seres quase divinos chamados de Eidolons que podiam manipular aspectos diferentes da realidade. As personagens dos jogadores são estes poderosos Eidolons. Ocorre que por alguma razão algo chamado de Aether surgiu e destruiu todas estas realidades. O Aether era uma espécie de “Anti-Anima”. O Anima é a energia que os Eidolons usam para moldar a realidade. Mas agora o avanço desta energia negativa reduziu e a reconstrução dos reinos das realidades pode ser feita. Através das Cornerstones, que são fragmentos de uma peça maior que unia todos os reinos existentes, os reinos destruídos podem ser reconstruídos e trazidos de volta a existência como se apenas um segundo tivesse passado dentro do reino. Entrando um pouquinho nas regras, os reinos estão sendo reconstruídos enquanto o jogo se passa, então as personagens estão coordenando esta reconstrução através de seus poderes. Como assim?

Este é um RPG sem dados. Mas ele tem um gerador randômico (é, ele não chega a a ser como Amber) realizado através de cartas sacadas que geram afinidade com o elemento comandado pelo seu personagem (todo o Eidolon tem um elemento que rege a existência dele). Quanto mais afinidade da carta sacada com o elemento do Eidolon, mais sucesso na ação. Se a distancia na roda dos elementos (que são fogo, ar, água, pedra, eletricidade, luz e escuridão) for maior, maior a chance de falha. Nestes testes tem, claro, os modificadores dos tipos de ação, elemento do Eidolon, poderes usados, etc… Os elementos servem para mesurar o sucesso e o resultado da ação no mesmo teste (como num combate, por exemplo). Testes podem resultar em sucessos totais, parciais, falhas parciais, totais e críticas (existe uma carta de Aether que pode ser colocada no meio para tal efeito; para sucesso crítico pode ser colocada uma carta de Anima Puro). O sistema, no geral, é feito para ser simples então o foco é mais os dados intuitivos do seu personagem do que os números. Nesse ponto o sistema lembra mais o FATE system do que qualquer outro sistema, mas Mystic Empyrean consegue ser ainda mais intuitivo, conceitual.

A personagem do jogador também podem ter um controle de algum aspecto do jogo, como as doenças, por exemplo. Elas existem como uma parte do cenário, mas regras de como elas se espalham ou se manifestam podem ser bem diferentes do nosso mundo, de acordo com a vontade do Eidolon. Existe toda uma série de poderes que podem ser incorporados ao Eidolon. Estes poderes tem efeito em jogo e em meta-jogo. Eles definem muito como agem as personagens, suas personalidades, capacidades e como aqueles traços influenciam o cenário. E definem muito como vai ocorrer a narrativa.

Esse é um dos aspectos interessantes que influenciam a questão do mestre. Neste sistema, o papel é rotativo. Cada jogador vai ser o mestre de uma “cena” que pode ser uma mini-aventura por si só, mas a questão é que todos vão mestrar e isso pode levar o metaplot para uma direção inesperada, o que é legal, tornando o jogo menos viciado nos maneirismos que todos nós temos. Sempre há algum grau de renovação das idéias assim. O problema é aquele jogador que não tem predisposição pra assumir o papel, pode se sentir prejudicado ou não conseguir jogar o jogo como ele foi pensado originalmente. Mesmo assim, boas surpresas podem ocorrer. Vai que um jogador pode descobrir um talento desconhecido? Este sistema é uma boa desculpa para fazer essa experiência…

Claro, que tudo isso tem que encaixar os aspectos dos Eidolons que já influenciam o cenário, então a narrativa adquire contornos de uma experiência mais coletiva, que, como citei, pode ser benéfico ou prejudicial. É algo que, infelizmente, depende também de um grupo com uma certa maturidade e tempo de jogo.

Existem cenários prontos, mas não vou citar nenhum deles. Apenas vou dizer que é possível com o mesmo Eidolon jogar numa Fantasia Medieval das mais épicas, como é possível jogar num Cyberpunk dos mais paranoicos. O cenário tem muitas dimensões. Umas com magia. Outras sem. Umas mais realistas, outras não. Tudo isso pode ser definido na hora com os jogadores. E não precisa nem montar personagens novos. Exitem regras de criações de mundo complexas e exaustivas, mas úteis. Já pensei em usar a tabela para a criação de aventuras e cenários até em outros sistemas, o que já atesta que há uma utilidade marginal na aquisição do livro.

No meu balanço final, recomendo ao RPGistas mais experientes pois fazer um jogador iniciante começar com este tipo de sistema pode ser um pouco traumático. Começar com o RPG deve ser uma experiencia simples e fácil de compreender para pegar as idéias gerais. E, então, se a pessoa achar ter segurança para tocar uma aventura, experimentar mestrar. Mas mesmo assim, esse livro já se tornou um clássico instantâneo pelas idéias criativas e provocantes. Então se voce quer ver uma coisa realmente diferente, vá fundo!

Abraço e bom final de semana! 😉

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4 Comentários

Publicado por em 29/11/2012 em RPG

 

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4 Respostas para “Mystic Empyrean – Resenha

  1. Douglas Fernandes

    29/11/2012 at 3:07 PM

    Só tenho um comentário: onde, em nome dos deuses (ou eidolons), eu consigo encontrar esse jogo pra comprar/baixar? Valeu!

     
    • guidoconti

      29/11/2012 at 4:09 PM

      Oi Douglas,

      Lhe sugiro a aquisição da versão física nos sites pertinentes. Aqui vai um endereço que me pareceu interessante: http://www.alibris.com/search/books/isbn/9781936920037

      Por questões legais não podemos divulgar endereços para download livre, mas no endereço acima me parece ser um bom lugar para aquisição do livro de fato, que lhe pode ser útil. Ainda mais um livro colorido como esse. Empresas americanas costumam ser bem competentes, embora possa haver algum atraso na entrega.

      Boa sorte e sucesso!!

       
      • Douglas Fernandes

        29/11/2012 at 4:17 PM

        Guidoconti, valeu pela indicação! Eu cheguei a procurar a versão PDF no Drivethru RPG, mas só há a versao teste, gratuita. Vou separar uma grana, porque achei o jogo muito interessante e com certeza vale adquirir a versão impressa. Só não vou comprar agora, pq vou financiar o SW da Retropunk e já comprei na Amazon o cenário de Salomon Kane tbm pro SW.

         
  2. guidoconti

    29/11/2012 at 4:32 PM

    Ola Douglas,

    Com certeza voce está fazendo investimentos acertados. O Savage Worlds é um dos sistemas mais legais que já tive o prazer de jogar. Eu já joguei e mestrei o belíssimo Deadlands: Reloaded. É um sistema que é ágil e eficiente. Tudo o que precisamos.

    Abraços e bom jogo!!

     

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