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Resoluções de ano novo

28 dez


Como tento viver a vida de um boardgamer sem me tornar vítima de um consumismo desenfreado

por Gustavo Vazquez Ramos

Ano passado, nesta mesma época, tomei uma decisão importante: reduzir drasticamente minhas aquisições de boards. Para fechar as pontas soltas, fiz uma última compra “grande” (se comparada com o que alguns amigos meus fazem, seria minúscula): Twilight Struggle, Red Poppies e expansões para o Combat Commander. Os dois primeiros jogos tive o prazer de jogar muito ao longo do ano, e estão certamente no meu TOP-5 dos boards (e o Combat Commander também).

Repetindo a dose, este ano encomendei dois jogos: 1989 (um “irmão gêmeo” do Twilight Struggle – mesmo designer, tema e mecânicas similares) e Guns of Galicia (mesmo designer e tema do Red Poppies, mecânicas um pouco diferentes). No todo, adquiri em 2012 6 jogos. Mas vamos dar uma olhada em meu histórico para entender a situação melhor:

Buy-Buy-Buy-e

Sempre dá pra justificar usando princípios religiosos.

Os primeiros boards modernos que comprei foi enquanto eu vivia no exterior em 2008. Comprei 3 jogos mas nenhum deles “bateu” – joguei um punhado de vezes e acabei deixando para lá.

Em 2009, em outro país, também comprei 3 jogos somente, mas o primeiro deles, Alhambra, foi o que me fisgou, o “gateway” – e desde então o vírus do board me dominou (e eu jamais imaginaria, em 2008, que estaria um dia escrevendo sobre isso em um blog)!

60267 Alhambra Board Game

O culpado por tudo…

2010 passei pelo que muitos passam – uma quantidade rápida de aquisições para se “montar o acervo”. Devo ter adquirido algo em torno de 20 jogos! Muitos desses, mais da metade, ainda possuo e admiro. Creio que fiz boas escolhas, embora alguns eu tenha passado adiante em alguma math trade.

Em 2011 adquiri 8 jogos que, somados com as trocas feitas aqui e ali, me satisfizeram. Dois dos meus jogos mais amados, Combat Commander e Dominion, foram adquiridos nesta época. Aviso que nestas contagens não adiciono expansões – de fato parei de comprar tantos jogos “base”, me concentrando em expandir os que já tinha. Mesmo assim, considerei estar comprando jogos demais, e por isso decidi no final do ano começar a puxar o breque.

Em 2012 as compras então caíram para 5, além das trocas e poucas expansões. 

Se tudo der certo, quem sabe eu consiga passar 2013 comprando uns 3 jogos ou até menos…

Admito que diminuir as aquisições é um objetivo importante para mim. As razões são muitas, mas as maiores são 1) não deixar que a posse em si sobrepuje o jogo e 2) não banalizar os jogos antigos.

games

“Mesmo assim ainda sinto um vazio na minha alma…
Já sei – eu ainda não tenho a versão deluxe do Puerto Rico!”

A razão 1 é fácil de explicar. Hoje não há nada que me pareça mais estranho que possuir jogos que você não joga e sequer faz esforço para jogá-los – ter apenas por ter, e não para usar. Sei que a ideia de colecionar, de ter uma prateleira cheia de objetos, é encantadora. Eu mesmo já fui assim em relação a livros: possuía uma estante cheia – porém uma parte considerável eu não havia lido! Sem contar aqueles que, tendo lido, eu não havia gostado! Achei mais sábio manter apenas os que significaram muito pra mim e deixar tudo que ainda está a ser lido encaixotado – e passar adiante o que não havia me agradado.

A questão 2 é mais sutil, embora também importante. Neste ano dediquei-me a colocar na mesa todos os meus jogos, inclusive os mais antigos, e que divertido foi encarar jogos como Aquaretto ou Alhambra com novos jogadores. Eles continuam tão divertidos quanto antes! Mas o mais triste, de certa forma, é lembrar eu vivendo no exterior e tendo, por meses, apenas o Alhambra para jogar – e como eu me divertia, joguei dezenas e dezenas de vezes! Como na minha cabeça não existia ainda o BGG, não conhecia mais ninguém que possuísse jogos – na verdade, o termo “eurogame” não fazia qualquer sentido para mim – eu não sentia nenhuma vontade de adquirir jogos aos baldes e era feliz assim.

pega-varetas-ecologico

Talvez eu devesse voltar a apreciar o bom e velho pega-varetas (brincadeira, esse jogo é horrível!)

Também acredito que apenas jogando muitas vezes o mesmo jogo que se descobre certas sutilezas e riquezas, além de que não me importa se já sei todas as cartas de cor, jogar algo como Battlestar Galatica ou Caylus será sempre divertido. Posso não querer jogar agora toda semana como antes, mas é algo que pode ser jogado tranquilamente uma vez a cada dois meses com prazer.

Enfim, decidi me limitar em cada tipo de jogo. Por exemplo: consegui em uma math trade o jogo Reef Encounters, um euro bastante conceituado. Joguei umas vezes e curti, mas irei me desfazer dele. Por quê? Porque no estilo euro médio/leve, entre 1h30 e 2 horas, já possuo três outras pérolas: Alhambra, Aquaretto e Yspahan, que sempre preferirei jogar no lugar do Reef Encounter. Abstrato tenho duas maravilhas: Yinsh e Ingenious. Neste ano adquiri Munchkin, pois percebi ser um estilo de jogo único. Em wargames também possuo mais ou menos 1 em cada grande “estilo” de guerra: um para guerras antigas, um para medievais, guerras napoleônicas, Primeira Guerra, Segunda Guerra e para a guerra fria. Eu jamais compraria um ASL para a Segunda Guerra – amo tanto o Combat Commander que prefiro comprar mais expansões! 

Sei que cada pessoa tem suas razões para adquirir ou não jogos, que também há alegria em apenas receber o jogo pelo correios, abri-lo, ler as regras. Mas a função primordial do jogo não é ficar bonito em uma estante, mas ser jogado com amigos, divertindo e entretendo. E creio que essa simples constatação não pode ser esquecida jamais!

Um feliz 2013 a todos!

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1 comentário

Publicado por em 28/12/2012 em BoardGames, Geral, Wargames

 

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