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A era dos boards

04 jan


Será que os boards vieram pra ficar ou são apenas “hype”?

por Gustavo Vazquez Ramos

Os boardgames existem a mais ou menos 5500 anos, alguns anos a mais, alguns a menos. Mas a febre (positiva) que assola o mundo atualmente é algo definitivo ou irá passar? Esta é uma pergunta que comumente me faço…

Nas últimas décadas sempre houve algo despontando no mercado do entretenimento geek (nerd/culto/cerebral/social/para-cara-cheios-de-espinha, chame como quiser) – na década de 70 tivemos os wargames sendo lançados aos baldes até chegarem à exaustão, na década de 80/início de 90 os RPGs dominavam os mercados, depois por longos anos os CCG (collectible card games), liderados pelo Magic: the Gathering, para enfim chegarmos aos boards atuais. Cada estilo anterior passou de ser algo direcionado a todos (lembram que se vendia Forgotten Realms nas bancas de jornal?) para se limitar a um grupo menor, especializado.

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Pachisi (Ludo) é um jogo que existe há milênios. Infelizmente.

Atualmente vou até um encontro e lá há pessoas de todos os tipos, de todas as tribos, por assim dizer, do nerd menos sociável às patricinhas menos inteligentes mais falantes, que se sentam ao redor da mesa e encaram até um Puerto Rico, se você for bom de lábia. Nos encontros que ocorrem em Curitiba bimestralmente já aconteceu de mais de 120 pessoas estarem presentes. No World RPG Fest deste ano havia mais mesas jogando board do que o própria RPG que dá nome ao evento! Mas…

Vou explicar o problema fazendo uma comparação. Existe um fato no mundo dos videogames: se a mais ou menos cada 5 anos algo novo não é inventado, o público geral perde o interesse e apenas os viciados continuam a se interessar. Vejam como foi: começou com o Pong. Imagine quão diferente foi o Atari/Odissey quando surgiram! Lembro quando ganhei o NES e fiquei embasbacado com a qualidade – os personagens tinham olhos e boca! Uau! Depois com o SNES e o Mega Drive a coisa ficou (quase) nível de Fliperama… e com o PS e o N64, tridimensionais (embora um pouco quadradão). No Gamecube/PS2/X-Box a coisa começou a falar grosso, que beleza de gráficos! E então… e então…

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E então as pessoas passaram a usar seus computadores de última geração, capazes de comandar com precisão mísseis teleguiados, para lançar pássaros em cima de porcos verdes.

E então que a Nintendo, sabiamente, percebeu que melhorar os gráficos e aumentar a quantidade de botões não ia agregar pessoas novas – na verdade ia alienar o mercado. E fez o Wii, que foi um estouro de vendas – cheguei a ver parentes meus que jamais tocariam em um controle ficarem alucinados com aqueles joguinhos simples de esportes. E isso outras empresas tentaram copiar, com sucessos variados. Admito que foi neste instante que larguei os videgames – não curti os controles sensíveis a movimento, e para mim os gráficos a mais não justificavam comprar uma nova máquina.

Fazendo uma comparação (com tempos um pouco maiores, ao invés de 5 anos algo em torno de 10), vemos o movimento wargame/RPG/CCG/board game… e qual será o próximo? Claro que podem vir a ser novos estilos de boards, embora seja mais provável novos estilos de RPG (o que, de certa forma, está acontecendo, com jogos como Fiasco), ou mesmo novos CCG – ou algo totalmente diferente que ainda não conhecemos.

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Ou já conhecemos mas não queremos admitir.

Talvez no fundo tudo isso seja papo bobo e no final das contas os boards continuem mandando ver para sempre. Mas penso em como o estilo parece estar indo em direção a um canto do qual não vai mais sair. De um lado jogos realmente inovadores são cada vez mais difíceis de se criar – tivemos em um espaço de tempo bastante curto coisas como Catan, Carcassonne, Caylus, Pandemic, Battlestar Galactica, Twilight Struggle… e todos os jogos novos que surgem parecem ser variações das mecânicas inventadas nesses outros. Talvez o último gênero inovador tenha sido o criado pelo Dominion, mas há um limite do que pode ser feito com ele.

O mais importante, porém, é que embora novos jogadores surjam a cada dia, as pessoas que jogam hoje, pasmem, também param de jogar. Muitas vezes ao entrarem em uma Universidade, se casarem, terem filhos, acabam se cansando. Eu mesmo tenho amigos que eram fanáticos por boards, giravam a noite jogando, e hoje voltaram para o videogame de antes!

E mesmo quando vou aos encontros com dezenas de pessoas, inúmeros grupos já se decidiram – só jogam este ou aquele jogo, e não tem o mínimo interesse em conhecer novos.

Claro que são respostas lançadas ao vento, mas procurando essas respostas impossíves acabamos nos deparando com sentidos mais profundos para todo esse entretenimento – Qual sua função? Que fatos do mundo atual contribuíram para sua origem? E creio que questões que geram mais questões são sempre bem-vindas.

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1 comentário

Publicado por em 04/01/2013 em BoardGames, Geral

 

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Uma resposta para “A era dos boards

  1. Hermes

    04/01/2013 at 6:23 PM

    Já me fiz a mesma pergunta… até quando??, gostei do apanhado, muito bom!

     

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