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Deadlands Noir – Resenha

31 jan

Mais um novo lançamento para Savage Worlds. Mais um belíssimo cenário.

Por Guido Conti

capa

Esta seção está virando praticamente uma espaço especializado em Savage Worlds mas é tanta coisa boa que existe neste sistema que vira uma verdadeira negligência não comentar sobre os excelentes produtos que tem surgido com regularidade no sistema. A Pinnacle é uma editora que tem me surpreendido cada vez mais com a qualidade de seus produtos e com este suplemento não é diferente.

Tudo começa com o cenário original de Deadlands (que mais tarde foi atualizado com a sequencia Deadlands Reload, linha da qual o Deadlands Noir pertence). No cenário original, as aventuras se passavam numa versão alternativa da história americana no quarto final do século 19 (1876) em que em 1863 os índios Sioux, numa última tentativa de expulsar os invasores europeus, entram em contato com criaturas poderosíssimas chamadas de “Reckones”. Como consequência, estas divindades começar a buscar o que as alimenta na terra, que são emoções perversas, sendo em especial o medo. Como não podem vir ao plano terrestre antes que estas emoções estejam totalmente estabelecidas no ambiente, precisam enviar monstros para gerá-las como zumbis, gigantes canibais, fantasmas assassinos, medusas, enfim, bizarrices em geral. Isso ocorre imediatamente na Batalha de Gettysburg onde soldados mortos começam a atacar os vivos indiscriminadamente. Isso faz com que a Guerra da Secessão dure mais do que no nosso mundo e também gera diversos fenômenos de larga escala como um enorme terremoto jogando grande parte da Califórnia no mar. Isso cria um local conturbadíssimo chamado de Labirinto (Maze) onde é encontrado este novo material chamado “Ghost Rock” que é um estranho material que gera energia praticamente inesgotável (isso faz com que a tecnologia do cenário avance rapidamente e gere a criação de itens tecnomágicos). Posteriormente outras coisas engrossam o caldo do cenário (ou seja, com o que os jogadores podem jogar): a descoberta da existência e do uso da magia pelos “Hucksters” (que são feiticeiros que literalmente jogam jogam carta com o diabo e ganham poderes com isso), a “Weird Cience” (que efetivamente transforma este cenário de Velho Oeste num cenário Steampunk)  dos inventores loucos, imigrantes chineses com poderes de kung fu Wuxia verdadeiros, feiticeiros Voodoos, os poderosos índios Shamans e os “Blessed” (Abençoados) que ganham verdadeiros poderes de fé. Tudo isso misturado com pistoleiros rápidos no gatilho (Gunslingers), Texas Rangers, U.S. Marshals, mexicanos e índios revolucionários, fazendeiros, ladrões de gado, soldados, enfim… Um spaghetti do jeito que eu gosto. E com muito tempero, por favor!

Este é o cenário original. Agora vou falar do suplemento que altera este cenário e o joga numa ideia diferente mas ainda muito empolgante.  O universo do Noir.

O cenário de jogo avançou. Este não é mais o mundo do “Weird West” de Deadlands. Não. O cenário agora se passa em 1935. O momento é o entre-guerras (a primeira guerra mundial possivelmente teve uma influencia indireta pesada dos “Reckoners”). A Guerra da Secessão parou ali pelos 1880, formando dois países (Os Estados Unidos da America no norte e os Estados Confederados da America no sul). Os Mormons criaram seu próprio país (a Republica de Deseret) e os índios também criaram seu próprio Estado (as Nações Sioux). Os dois lados (norte e sul) se uniram temporariamente para participar da primeira guerra, vencendo os alemães. Infelizmente uma estranha gripe surgiu, se espalhando pelo mundo, matando mais de 200 milhões de pessoas.    Houve então um período de breve prosperidade, mas veio a Grande Depressão. Bancos e indústrias quebraram. A pobreza atacou o hemisfério norte da América. Ao mesmo tempo pragas de insetos e tempestades de pó começaram a varrer os estados americanos. As plantações foram afetadas. Não há fontes de renda, empregos. A moral esta em declínio. As pessoas estão descrentes. Os políticos falam que o pior já passou, mas… será mesmo?

client

Graças a esta situação, surgiram novos jogadores no cenário enquanto outros desapareceram. A máfia (os sindicatos crime, em geral) passa a ter uma ascensão na vida das pessoas e participar de maneira muito ativa na sociedade. Os cientistas loucos de outrora agora se tornaram inventores corporativos (ou governamentais) e agora estão menos loucos, mas muito mais obsessivos. Os abençoados, nesta era de descrença, praticamente desapareceram (praticamente…), mas a fé ainda dá poderes, principalmente se voce seguir algum Loa (sim, os Voodoos estão de volta, e muito mais influentes agora). A magia, que antes era aprendida através dos Livros de Jogos de Hoyle, sumiu, pois as autoridades decidiram que a conjuração indiscriminada atraia o caos e ameaçava a sociedade, mas, como os espíritos malevolentes de além do horizonte sempre encontram um meio, resolveram fortalecer um novo tipo de feiticeiro: o Grifter (que é um mago que foca no uso de seus poderes através da indulgencia em algum vício como bebedeira, jogos, prostitutas,  tabagismo, etc). Os Harrowed se tornaram mais frequentes. E com regras melhores (essa opção de personagem surgiu ainda no cenário original; são pessoas que voltam dos mortos e viram uma espécie de mortos-vivos com poderes por força dos espíritos que os estão alimentando). Agora adicione a este caldo detetives soturnos, chefes da máfia,  serial-killers, dançarinas de cabaré, ladrões de banco, FBI, conspirações governamentais… Agora temos aquele mesmo spaghetti saboroso, mas versão Noir. Ou Pulp, se voce achar mais cabível. Na verdade, este suplemento pode ser usado para diversificar entre os dois gêneros, de acordo com a preferencia do grupo.

streets

Tiveram também várias alterações de regras, mais notadamente nos Edges e Hidrances referentes ao livro do cenário Deadlands Reload.  Essas regras foram obviamente adaptadas para permitir uma experiência mais dentro do gênero proposto, o que pode gerar um pouco de estranhamento para aqueles que já jogaram no cenário original, mas nada que realmente afete o gosto pelas idéias do cenário. Ainda está prometido um suplemento, um Deadlands Noir Companion para introduzir mais regras se voce achar que faltou alguma coisa (eles aparentemente vão falar um pouco sobre os lutadores de kung fu e como seus poderes ficaram mais… sutis). Este livro também fala do cenário básico de jogo, New Orleans (não podia ser mais noir que isso, né?) e disponibiliza uma aventura introdutória (“Red Harvest”) em que os jogadores tentam descobrir o paradeiro de uma moça capturada pela máfia. É uma boa aventura que, ao mesmo tempo que ajuda a expor como as ideias funcionam num mundo noir aos jogadores, expõe um dos segredos lá do começo do cenário de como os “Reckoners” entraram em contato com a Terra. Bem bacana. O livro também disponibiliza um “bestiário” noir. Bem útil mesmo.

meme deadlands noir

O resto das regras segue o padrão do Savage Worlds então se voce já tem o livro de regras geral na atual encarnação, já pode partir direto para o Deadlands Noir (não vi uma necessidade realmente absoluta de se ter o Deadlands Reload para se jogar este cenário, mas esta é apenas minha opinião) que é bom e eu recomendo. Aliás, recomendo toda a linha Deadlands… É um cenário bom demais. Principalmente após o Reload. Fika a dika e bom final de semana!!

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2 Comentários

Publicado por em 31/01/2013 em RPG

 

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2 Respostas para “Deadlands Noir – Resenha

  1. Lucas Ribeiro

    18/05/2013 at 3:11 AM

    Muito interessante. Adoro Savge Worlds e não vejo a hora de chegar o Deadlands!

     
    • guidoconti

      18/05/2013 at 1:30 PM

      Oi Lucas,

      Creio que voce se refere à versão traduzida do Deadlands: Reloaded. Eu também espero avidamente.

      Abraços!

       

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