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Arrows of Indra – Resenha

21 mar

Um RPG épico em vários sentidos

Por Guido Faoro Conti

capa

Olá meus caros. Hoje eu vou falar de um RPG inédito que está sendo distribuido pela editora Bedrock GamesProduzido pela uruguaia RPGPundit, temos a apresentação de um cenário de fantasia épica indiana onde guerreiros, assassinos sagrados, sacerdotes e gurus perseguem objetivos como a destruição daquele demônio que está ameaçando uma vila perdida no reino sagrado de Bharata ou a proteção de uma conferencia com o avatar divino de algum deus que vem se encontrar oficialmente com o representante de algum templo ameaçado de corrupção por algum terrível Asura. O cenário é variado, colorido e com muitas e muitas opções. É isso que faz de Arrows of Indra um RPG grandioso e de muita qualidade.

A editora RPGPundit é uruguaia e o produto é distribuído em inglês diretamente ao mercado norte-americano. Posso dizer pelo que avaliei que da maneira que segue o padrão do produto, nossos colegas uruguaios tem muita coisa boa a oferecer. Um dos maiores méritos deste produto é a quantidade de informação repassada ao leitor sobre a cultura Vedica e Hindu em geral. É tudo feito da maneira mais respeitosa possível e ressaltando os aspectos mais curiosos e interessantes para que atraiam a atenção daqueles que decidam mergulhar de cabeça no mundo de Bharata. É um belo apanhado da cultura indiana clássica. Algo que vale a pena conhecer (e que eu adoro).

Vamos ao ‘crunch’…

O sistema do jogo é, na verdade uma adaptação do sistema d20 (há a  citação da Open Game License da Wizards of the Coast). O sistema segue regras de evolução de personagem (e dos atributos) do Ad&D mas com coisas do D&D 3.0 como a dispensa do TAC0, o uso das perícias (mas não sua escolha), regras de ações em combate, etc. Ficou um sistema misto com o objetivo de ser enxuto. E, da maneira que eu vejo, se voce já jogou d20 alguma vez na vida, mesmo com um mestre que deu uma rápida passada sobre as regras, é só sentar e jogar. Pra quem já conhece d20, é bem simples.

Ao criar o personagem os jogadores tem várias opções. Uma das primeiras é a que casta o personagem pertence. São 5 castas. Os Dalits (os intocáveis; os que só lidavam com trabalhos considerados repulsivos como coveiro, lixeiro, etc…como o Bahuan da novela ‘Caminho das Indias’, lembram?), os Sudras (os servos; incluem trabalhadores de serviços em geral que não violam tabus como os dos Dalit),os Vaishya (são os mercadores; incluem grandes fazendeiros e artesões), os Kshatriya (a casta dos guerreiros e dos líderes; militares em geral embora nem sempre) e os Brahmin (são os sacerdotes e o ápice da piramide social; nem todos exercem o papel religioso; muitos são líderes políticos). O personagem não precisa ser humano também. Ele pode ser um Gandharva (meio humanos, meio-divinos; são os que tem sangue de Devas e Apsaras, seres sagrados da natureza), Bhil (que são humanos, na verdade, mas vivem num estilo tão tribal e dispare da sociedade indiana que não são sequer considerados humanos), Rakshasa (meio-humanos, meio-asuras; possuem sangue de demônios, mas não são necessariamente maus apesar de muitos serem de alinhamento Profano), Vanara (homens-macacos inteligentes; são os favorecidos de Hanuman, da historia que inspirou a criação de Goku de Dragon Ball) e os Yakshas (são os equivalente dos anões do D&D, mas mais intelectuais). Todas estas opções citadas neste parágrafo geram modificadores de atributos, sendo raças efetivamente ou não.

nagas

As classes também são bem legais e representativas da cultura clássica indiana. Temos o Priest (e a variante Shaman-Priest) que é o equivalente do clérigo, Fighter (guerreiro basicão), Virakshatriya (o paladino do cenário; o guerreiro sagrado defensor das tradições que devem obrigatoriamente seguir o alinhamento Sagrado), Scout (que é o ranger do cenário; um guerreiro um pouco mais versátil mas menos combativo), Siddhi (é o ‘mago’ do cenário, embora não exista uma divisão tão clara entre habilidades arcanas e divinas… na verdade nem se fala de divisão entre as coisas apesar do poder partir de fontes diferentes), Thief (Ladrão; todo o cenário de aventura precisa ter), Thugee (são os assassinos, mas com o twist de serem guerreiros sagrados adoradores de Kali, a deusa da morte…e portanto de alinhamento Sagrado) e o Yogi (é o monge de D&D mas muito mais potente; e com uma série de atributos como requerimento que faria um paladino clássico chorar. Tem que ser Sagrado, obrigatoriamente). Ah sim, as classes possuem requerimentos de atributos para serem utilizadas a la Ad&D. Algumas também tem requerimento de alinhamento que no jogo são três: Sagrado, Profano e Neutro (Holy, Unholy e Neutral). Sagrado não significa necessariamente ‘bom’ no sentido ocidental da palavra. Sagrado significa estar alinhado com os deuses enquanto Profano com os Asuras. Estas condições podem ser temporárias e apenas denotam o quão voce é dedicado ao seu lado transcendental ou egoístico. São valores relativos mas envolvem muito mais uma questão de comportamento do que qualquer coisa. Não necessariamente moral.

Além das perícias de casta (que as raças não-humanas acessam por um regra própria não muito diferente), há as perícias de classe. Essas perícias permitem, por exemplo, um Priest cumprir a função de clérigo de D&D sem descaracterizar o cenário. Os sacerdotes realmente curam apesar de lidar com ferimentos ser tabu e coisa de Dalit. Só que para isso eles tem um poder que advém da perícia sem gastar o uso das magias de sua lista (claro, o uso da perícia gasta, pois poderia gerar abuso demais). Existem habilidades de classe e magias abusivas no cenário (uma das pericias básicas de classe de Siddhi permite, por exemplo, a transformação de ilusões em realidade) mas considerando que as classes são descritas até nível 22 e só existem 3 circulos de poderes (as class skill se dividem entre básicas e avançadas) voce pode ver que mesmo o personagem inicial pode movimentar um poder bem razoável dentro do cenário. Pode desequilibrar mas ajuda a caracterizar mais o jogo.

mapa

No mais temos a básica (e obrigatória) lista de equipamentos (incluindo desenhos!!), tabelas de custos de alimentos veículos, animais, serviços e até escravos. Regras de seguidores também são disponibilizadas. Na parte do mestre algumas mecânicas interessantes são introduzidas com a regra de Morale que julga a coragem de seus oponentes mas que pode mudar de acordo com o desempenho destes em combate, regras para tempo de viagem, orientação e sobrevivência em florestas. A vida no cenário também é muito bem descrita, incluindo-se uma visão bem esclarecedora sobre o reino de Bharata (e da sociedade indiana clássica), o que há ao norte, sul, leste e oeste (mapas!!) e uma descrição da história e seus NPCs. O livro também descreve diversos planos de existência inferiores do cenário (os superiores são misteriosos e são conhecidos apenas dos iluminados).  O jogo também apresenta tabelas de encontros prontinhas para o mestre e um bestiário bacana e de tamanho razoável. Um final bom para um livro excelente.

meme golimar

Meus caros, esta é minha sugestão para hoje. Então se voce quer um d20 diferente escrito com muita competência,  Arrows of Indra é o nome da bola. Abraços e sucesso!

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2 Comentários

Publicado por em 21/03/2013 em RPG

 

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2 Respostas para “Arrows of Indra – Resenha

  1. vazquezramos

    22/03/2013 at 11:41 AM

    Que doido! Esse ficou muito interessante, mesmo…

     
    • guidoconti

      22/03/2013 at 1:41 PM

      Pela quantidade e qualidade de conteúdo, pra mim, a linha nem precisa de suplementos…

      É um ótimo investimento.

       

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