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Wolsung RPG: Steam Pulp Fantasy – Resenha

28 mar

Um jogo de proposta variada e interessante

Por Guido Faoro Conti

capa

Olá leitores. Como sabem procuro buscar as fontes mais variadas de RPG para ver o panorama da criação de novos livros para nosso hobby no mundo e, nisso, sempre que possível, fugindo um pouco do mercado estadunidense. Hoje é um daqueles dias que consegui achar um destes produtos. Se semana passada tinha falado de uma editora uruguaia, essa semana falo da polonesa Kuźnia Gier.  É claro que não estou lendo nada em polonês. O livro de hoje tem uma versão em inglês para venda publicado pela Studio 2 Publishing, então se voce conhece a língua, go for it! O produto que comento hoje é o macarrônico Wolsung. Ele foi escrito pelo time Artur Ganszyniec, Maciej Sabat, Paweł Jasiński, Michał Stachyra, Mateusz Budziakowski e Maciej Zasowski

O cenário básico é bem maluco mas ao mesmo tempo simples de se entender. As aventuras se passam numa versão fantástica da Terra com todos os clichês de fantasia medieval do D&D mas no século 19 e com uma tecnologia steampunk/pulp. É como uma espécie de Shadowrun mas com uma tecnologia muito mais fantástica e retrograda (como Wild Wild West). Neste mundo há dragões, zumbis, magia ao lado de robôs,  metralhadoras manuais, caubóis e uma “Inglaterra” vitoriana (embora aqui a 2ª guerra já tenha acontecido). Opções para o mestre e jogadores é o que não falta. E como vocês sabem, opção é tudo para um RPG de qualidade.

Mas e o sistema? Como funciona?

Para jogar o sistema se usa uma miscelânea de props. O jogo usa dados d10, um deck de cartas (com os coringas mantidos) e tokens (que podem ser qualquer coisa; pedras, fichas de poker, feijões, etc…). Em essência  o foco é o uso das cartas e dos tokens. Para vencer uma dificuldade arbitrada pelo mestre num teste estático (que será 10, 15, 20, 30 ou 50; para cada 5 além da dificuldade se tem um Raise, que é um efeito especial de descrição em favor de quem passou no teste), rolam se 2d10 e escolhe-se o maior. Aí observa-se as perícias. Se não treinado, soma-se +3, se sim, +6, e se especialista, +9. As cartas podem ser usadas para modificar sua iniciativa em combate, adicionar elementos baseados no arquétipo do personagem (cada arquétipo de personagem tem poderes de influenciar a narrativa mediante o uso e gasto de carta; para cada naipe há um elemento que pode ser usado pelo jogador) e modificar rolagens (somando bônus de no mínimo +3  ou, dependendo do valor da carta, atingir automaticamente uma certa dificuldade). Os tokens (cada jogador tem 6) podem ser usados para somar mais um dado à rolagem, somar +1 ao valor final do teste (com vantagens ou invenções pode se somar +2 ou até +5), trocar cartas da sua mão e usar poderes, vantagens ou invenções. Em testes resistidos as receita é a mesma, mas as dificuldades são impostas pelo resultado do teste alheio.

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A criação de personagem é ampla. Há quatro arquétipos que podem ser selecionados: Daredevil (é o herói de ação básico), Explorer (o herói que se vale de descobertas para obter conquistas), Investigator (o herói que usa da informação e da manipulação da mesma para se conseguir resultados) e Socialite (o herói que usa de suas capacidades sociais para obter determinados fins). Cada um dá habilidades especiais de narrativa transportadas para a mão do jogador mediante o uso das cartas de baralho. O caminho do arquétipo determina o sabor da aventura que voce quer: mais combate, intriga, quebra-cabeças, interação com o cenário, etc. Como é um mundo de fantasia os jogadores também podem pertencer à outras raças além da humana. Temos anões, elfos, halflings, gnomos, ogres, trolls e orcs. Algumas seguem o esteriótipo clássico mas habilidades próprias para o cenário foram inventadas para caracterizar as raças (anões conseguem gerar espontaneamente invenções e orcs lidam com fantasmas, podendo até mesmo serem possuídos voluntariamente).Os jogadores também devem escolher uma profissão (que dá habilidades especiais exclusivas), distribuir atributos (Brawn, Agility, Composure, Wits e Charisma), perícias, escolher vantagens (Edges; numa lista super extensa) e poderes especiais se aplicável (como magia, por exemplo).

Sobre o cenário, embora o visual e o estilo sejam baseados na Inglaterra vitoriana, outras partes da Europa também surgem sob outros nomes para que se possa agregar riqueza e variedade às aventuras. Temos uma descrição profunda de uma Itália, uma Alemanha, uma Espanha , uma França, e por aí vai. Tudo isso com uma história paralela em que se tem criada uma religião que dominou a Europa (no mesmo modelo do rpg Victoriana) que cumpre a função histórica que o cristianismo cumpriu ao mesmo tempo em que temos a influencia notável de seres como dragões, vampiros, liches, como todo bom mundo de alta fantasia. Magia e tecnologia também se complementam sem uma divisão clara entre as duas coisas, em contraposição à apresentação tradicional destes elementos. É um mundo vibrante, mágico, mas com espaço para a utilização de todos os aspectos dramáticos da colonização, escravidão, guerras, etc. Tem opções de histórias para todos os gostos.

boardgame

O jogo ainda conta com uma lista de equipamentos e invenções (que devido a natureza dos sistema apenas agrega bônus ao teste da perícia relevante visto que dano, por exemplo, já está agregado no resultado da perícia), um bestiário (que incluem robôs, mortos-vivos e robôs mortos-vivos), uma lista de magias e poderes (que achei um pouco fraquinha mas permite customização dos efeitos) e uma lista de archievements (os feitos; que permitem bônus numa determinada tarefa que seja julgada pelo mestre e pelos outros jogadores como ‘fodástica’). Tudo para deixar seu personagem cada vez mais espetacular e fabuloso.

Bom meus caros, eis minha conclusão: se vocês querem um sistema que lide com um cenário Steampunk mas com uma mecânica que incorpore as ideias arrojadas do Pulp, Wolsung pode ser pra voce. É um RPG contido. Talvez contido demais. Mas com boa idéias, sem dúvida.

Abraço e bom final de semana!

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2 Comentários

Publicado por em 28/03/2013 em Geral

 

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2 Respostas para “Wolsung RPG: Steam Pulp Fantasy – Resenha

  1. Max

    02/04/2013 at 8:27 AM

    Hummm…. Victoriana?

     
    • guidoconti

      02/04/2013 at 10:31 AM

      Não dá pra dizer que não é quase igual. A introdução do elemento pulp (e regras pra representar isso) acaba sendo um passo muito tímido pra obter uma identidade própria à parte de Victoriana. Pra mim, o Castelo Falkenstein ainda é o sistema que foi mais longe dentro da ideia steampunk. Wolsung e Victoriana recomendo pra quem quer um sistema de regras mais rigido e um cenário mais contido dentro do gênero.

      Abraço

       

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