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Rotted Capes RPG – Resenha

25 abr

Você já quis misturar o gênero de super-heróis com zumbis? Pois é, alguém publicou um RPG com essa ideia.

por Guido Conti

capa

Olá meus colegas, hoje falaremos de dois temas super batidos e também já abordados em excesso no RPG: zumbis e super heróis. Hoje falaremos do RPG Rotted Capes escrito por  Pedro Barrenechea, Walt Ciechanowski e Henry Lopez e publicado pela empresa Paradigm Concepts Publishing. Este RPG não muito grande (em torno de 194 páginas) tem a missão de misturar temas e entregar um cenário sólido que convide os jogadores a se divertirem e imergirem no cenário pós-apocaliptico a la Walking Dead (uma inspiração óbvia aqui).

call

A história do cenário é bem básica. Em 30 de junho de 1908 um meteoro caiu em Tunguska na Rússia destruindo uma larga área de mata nativa. Em 7 de setembro do mesmo ano cataclismos semelhantes  ocorreram nas regiões de Fairbanks, Alaska e Yukon (Canada) gerando estranhas e potentes auroras boreais. Em 1925 um cientista alemão fez a conexão entre os eventos e a emergência de humanos superpoderosos. No começo o surgimento dessas habilidades foi tímida, gerando uma “era de ouro” dos super-heróis. Mas o tempo passou e a quantidade de pessoas demonstrando tais habilidades se tornou cada vez mais frequente. Na década de 50, após a 2ª Guerra Mundial, a proeminência dos “mutantes” coincidiu com o “Medo Vermelho” gerando esforços de tentar ligá-los ao Comunismo. Foi requerido que estes “superseres” registrassem seus poderes como armas de fogo perante o governo. A discussão esquentou, mas a guerra da Koreia, Vietnam e outros conflitos no sul da Asia tiraram força da controvérsia. Os movimentos populares da década de 60 acabaram com a discussão. Posteriormente, nas décadas de 80 e 90, os superpoderosos aumentaram em massa, e com o fim da Guerra Fria, os conflitos deixaram de ser por ideologia mas sim por dinheiro. No começo dos anos 2000 o fervor patriótico recebeu um gás com os ataques do 11 de setembro, mas isso também coincidiu com o declínio econômico de Paradigm City, a cidade onde se passam as aventuras. Por um tempo, com os sucessos dos heróis, parecia que as coisas iam melhorar e a cidade ia tirar o pé da lama. Mas aí o Dia-Z ocorreu e, com os heróis (e alguns vilões) mais fortes zumbificados, a expansão da praga foi impiedosa. Ao contrários dos zumbis normais (que tinham uma inteligencia semi-animal), estes “super-zumbis” mantinham sua inteligencia mas numa versão perversa sem limites entre o certo e o errado (essencialmente, viraram super-zumbis do mal). Eventualmente, a sociedade como conhecemos entrou em colapso, gerando uma sociedade pós-apocalíptica. Este é o cenário básico de jogo. Mas isso justifica a utilização dessas ideias num RPG próprio ao invés de um mero suplemento para qualquer outro sistema?

Na verdade, isso é relativo. O sistema utiliza de um artifício para tornar um virus zumbi realmente ameaçador para super heróis: limitações. Uma das limitações são as fontes de poder que tem que ser obrigatoriamente escolhidas. Voce pode ser um super-humano, um humano super-hábil, um herói tecnológico e só. Nada de alienígenas  robôs, povos mágicos, etc. Isso é para que não hajam desculpas para imunidades ao vírus. A outra limitação é que poderes não previnem o vírus, nem o curam. Ponto. Isso é “plot device” para que todos estejam sempre sujeitos à infecção.  Há também a regra do “burnout”. Poderes cansam. Muito. Então à medida que forem sendo usados podem cansar o herói, obrigando-o a ter que buscar outros recursos ou simplesmente… fugir. Por último, percebemos que os poderes possuem uma certa limitação de escopo. Embora não saiba dizer com certeza se isso foi proposital ou não, percebe-se que personagens com habilidades muito “cósmicas” que poderiam simplesmente usar seus poderes para criar uma cura ou uma vacina, são impossíveis de serem criados. Mas não sei dizer se isso também foi mau game designe do sistema de criação de poderes. Não sei. São ideias interessantes para dar credibilidade à ideia de jogo proposta, mas justifica um novo RPG à parte para torná-la verdadeira? Não sei. Talvez nenhuma editora de RPGs de super-heróis tenha aceitado a proposta. Vai saber…

combat

O sistema de jogo é simples. As rolagens são baseadas nos atributos do personagem (Might, Quickness, Vigor, Charisma, Insight, Logic, Resolve) que possuem um dado próprio baseado no nível do mesmo, rolados e modificados por perícias, poderes, vantagens, desvantagens, truques (dos poderes) e circunstancias, somados a 2d10 contra a dificuldade da ação (que varia entre 5 e 40; escalas de 5).  Dados de atributo que saem no valor máximo são re-rolados e adicionados ao valor total da soma da rolagem do atributo. Se nos 2d10 temos um 20 é sucesso crítico. Se 2, falha crítica. Os atributos ainda tem valores derivados: Avoidance (tipo o AC do d20), Fortitude (que, ei, funciona como Fortitude do d20), Discipline (que funciona como Will do d20), Stamina (esse sim é diferente; serve para medir quantos poderes voce pode usar numa cena), Wounds (absorção de dano), Pace (velocidade de movimento) e Initiative. Pontos de vida são baseados em Vigor. O sistema utiliza na totalidade dados d4, d6, d8, d10 e d12. Os combates usam um contador de tempo que vai de 1 a 10. Na iniciativa rolam-se um número X de dados d10 determinado pelo atributo Initiative. O dado de valor mais baixo determina em que parte do turno voce pode agir e por aí vai. Essa é a parte mais essencial do combate do sistema. O resto lembra bastante o sistema d20.

combat 2

Os poderes, como já comentei, tem uma capacidade de criação limitada. Personagens de escopo mais amplo são possíveis, mas possuem um custo exagerado para evitar personagens que poderiam, pela própria existência de seus poderes, ameaçar as convenções do cenário. Como falei, não se isso é proposital, então achei essa parte do sistema um pouco deficitária. Não gosto de muitas limitações nos meus supers. Mas reconheço que concessões tinha que ser feitas diante da proposta de jogo. Que tal um cara que controle zumbis com Mind Control? Não aqui. Ressuscita pessoas? Nop. Cria zumbis obedientes? Também não. Sumona criaturas? Construtos de energia sim, criaturas autônomas, não. E por aí vai… São concessões…

full blown combat

Bom pessoal essa é a exposição do que eu tinha a comentar deste interessante RPG. Recomendo? Talvez. A melhor sugestão é se voce quiser ensinar pessoas a experimentar sistemas diferentes (como um próximo passo para RPGistas mais experientes) a fim de tentar quebrar certos preconceitos. Não é um grande RPG, mas tem uma boa apresentação ( arte do livro é muito boa) e a fusão de dois temas convidativos: zumbis e super-heróis (embora este último tenha sido bem tolhido para que se adequasse à proposta). Pode ser experimentado, mas esteja preparado parado para fazer concessões ao sistema. Se essa atitude vai ser recompensadora, só depende do grupo.

meme zumbi

Bom meus caros, é isso. Bom final de semana!!

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Publicado por em 25/04/2013 em RPG

 

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