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Boardgame: City of Horror – Resenha

05 ago

Olá pessoal, essa semana trago um texto do meu amigo Daniel “Desastrado contando como foi a experiência de jogar o boardgame de horror City of Horror. Espero que gostem, e não deixem de contar a sua experiência nos comentários. Aceitamos sugestões de outros jogos para resenhar. Boa leitura!

City of Horror

Ontem jogamos o City of Horror, e é um jogo muito bacana. Irei fazer alguns comentários para interessados em comprar jogos ou amigos interessados em jogar uma partida comigo em breve. Será um texto longo, então dividi por assuntos, sendo REGRAS, depois CRÍTICAS e depois uma comparação com outros jogos de zumbi.

Conceitualmente, o jogo representa as últimas 4 horas de uma cidade enfrentando zumbis. A cidade será invadida e precisamos aguentar essas horas finais enquanto o socorro chega de helicóptero.

REGRAS

Tenham em mente que o jogo é até fácil de jogar, mas sem ter o tabuleiro à sua frente e sem ter alguém explicando e apontando coisa a coisa, pode ser difícil de visualizar. Espero que eu consiga explicar alguns elementos não para você estar pronto a jogar, mas para entender o bom e o ruim do jogo e decidir se te interessa jogar.

Personagens

Em primeiro lugar, você ganha o jogo se você tiver mais pontos ao final. Para ter mais pontos você precisa terminar com ao menos um personagem vivo (você joga com vários, alternando de acordo com a quantidade de jogadores). Você ganha pontos por toda vacina e comida que consiga e também ganha pela pontuação que cada personagem vale (essa pontuação varia de acordo com o personagem e varia de acordo com seu personagem estar cansado ou descansado).

O centro do jogo são as escolhas secretas de movimentação e as votações e negociatas necessárias para conseguir mantimentos e para sobreviver. Comecemos pelas movimentações. Para entender melhor, uma imagem do tabuleiro, que como podem ver, é dividido em áreas: Igreja, Hospital, Arsenal, Banco, Torre de Água e Encruzilhada.

Tabuleiro

Cada área possui quadrados que representam espaços que podem ser ocupados pelos personagem (exceto a encruzilhada, que é de ocupação ilimitada). Cada área gera possíveis benefícios para quem tenha personagens lá e cada área receberá uma quantidade de zumbis (aleatoriamente, explicarei cartas de invasão adiante) e poderá ser atacada ou não. Logo, colocar personagens nos lugares certos é essencial. Mas como é feita a movimentação para estas áreas?

O sistema é simples, cada jogador possui 6 cartas pequenas (chamadas cartas de movimentação), cada um representando um dos lugares para onde pode querer mover seu personagem. Você escolhe uma carta e, após todos escolherem, são reveladas as cartas. Em um dado momento da rodada, cada jogador irá mover um de seus personagens para o lugar previamente escolhido. O problema é que isto é feito na ordem de iniciativa e uma vez que todos os quadrados da área esteja ocupados, você terá que mandar um de seus personagens para a encruzilhada (por agora, basta saber que ir para encruzilhada é algo ruim).

Toda vez que uma localização gerar benefícios ou toda vez que uma área for ser atacada por zumbis, cada pessoa que tenha um personagem naquela área ganha um voto. Esse voto definirá quem terá o personagem atacado ou quem receberá os benefícios daquela área (o jogador com a iniciativa decide os empates). E para melhorar, são permitidas trocas de cartas e de favores durante o jogo. Ou seja, o foco do jogo são, de fato, as negociações pela decisão dos votos, lembrando que os acordos feitos podem ser honrados ou não por seus jogadores. É um cidade do horror e a traição pode ser a chave para a sobrevivência. E é completamente permitido a troca de favores, do tipo “se você me ajudar nesta área a não morrer para os zumbis, eu ajudo você na outra área a pegar os benefícios” e por aí vai.

Carta de Invasão

A cada rodada uma carta de invasão é tirada, ela diz quantos zumbis, recursos e movimentações de zumbis (de uma localização para outra) acontecem. Jogadores que tenham personagens em cima da torre de água tem o direito de ver essa carta antes de decidirem a sua carta de movimentação (a carta que expliquei acima que é utilizada para decidir secretamente para onde você quer mover seu personagem). Eles podem comentar o que está na carta, mas não podem mostrar, o que permite, novamente, traições e manipulações.

A cada hora uma nova leva de zumbis e mantimentos surgem, gerando competição para escolher quem morrerá e quem ganhará os mantimentos. As cartas mais usadas no jogo são as cartas de ação, sendo cartas de efeitos variados, desde matar zumbis, movimentá-los, movimentar jogadores ou ver a próxima carta de invasão. Elas podem ser livremente trocadas, podem ser usadas a qualquer momento (praticamente) e sem ordem exata (neste ponto lembra um pouco munchkin).

Essas cartas de ação também podem ser usadas para ativar a vantagem das localizações onde se tem personagens. Cada localização gera um benefício caso você descarte uma carta de ação. Por exemplo, a Igreja permite você descartar uma carta para que descanse um personagem cansado (Personagem cansado não pode usar o poder do personagem e vale menos pontos ao final), e o hospital permite sacrificar carta de ação para pegar vacina (a vacina vale ponto ao final e apenas sobrevivem personagens para os quais você tenha uma vacina).

E o que faz da encruzilhada um lugar ruim? De cara, é uma área onde todos os personagens param quando tentam ir para um lugar lotado. Ou seja, tende a ser uma área com muitos personagens, o que significa muitos votos e mais dificuldade de prever resultado das votações. Não bastasse isto, para cada localização, existe uma regra que define se vai ter um ataque zumbi naquela área ou não. Na Igreja, são necessários ao menos 3 zumbis para ter ataque, no hospital, necessita-se de mais zumbis do que personagens na área. Na encruzilhada, basta existir um zumbi. E se um ataque zumbi ocorre, um personagem sempre irá morrer. Não bastando isto, nesta área, quem define quem morre para os zumbis não é a votação de grupo, mas, sim, o personagem que é o “líder zumbi” do momento. No início do jogo este será o jogador com a iniciativa, mas ao longo do jogo, o líder apenas altera de acordo com certas cartas tiradas ou ações feitas pelos jogadores. O jogador que perdeu personagem por último vira o novo primeiro jogador na próxima rodada.

CRÍTICAS

É um jogo de negociações e traições, com troca e uso livre de cartas. Isso permite com que todos os jogadores possam participar de todos os momento, ajudando uns aos outros ou atrapalhando (parecido com
munchkin, neste ponto). Ele permite um ambiente competitivo, porém sem gerar aqueles climas desagradáveis que alguns jogos que demandam muita estratégia podem criar. É um jogo rápido, leve e palco para alguns
momentos engraçados.

A cartas são compostas de desenhos e ícones, sem texto. A idéia é que você aprenda a relacionar a imagem com o significado, o que é comum em jogos independentes e europeus, feitos para públicos de línguas diferentes. Isso é bom e ruim. O bom é a possibilidade de jogadores de quaisquer línguas aprenderem intuitivamente e com certa ajuda dos manuais o que cada carta faz. O ruim é que isso transforma a primeira partida em algo demorado, tendo que se consultar o folheto de poderes algumas vezes (inclusive para ver o que cada personagem faz). Mas após a primeira partida já fica quase no automático. Na verdade, se houvesse uma “cola” para cada personagem com o significado dos símbolos, já resolveria o problema.

Os cenários principais podem ser alterados de lugar (o que afeta o fator aleatório de onde os zumbis e benefícios aparecem) e também existem dois modos de jogo, A e B, que oferecem dificuldades diferente.

Cada jogador pega personagens aleatórios, o que é bom para oferecer diferencial aos jogadores ao longo de novas partidas, mas como cada personagem terá sua base alterada (são personagens em papel cartão com
base plástica colorida representando a cor de cada jogador) você tem sempre que gastar bom tempo de preparação do jogo alterando essas bases.

O tempo de montagem do jogo, como um todo, é um pouco demorada,especialmente pensando que é um jogo que dura em si uns 90 minutos. Mas, ao meu ver, o tempo de montagem é compensado pela qualidade e diversão do jogo.

COMPARAÇÃO COM OUTROS JOGOS

Não conheço todos os jogos de zumbi do mercado, mas irei tentar fazer uma comparação com dois jogos que tão bem populares. Um deles é o Zombicide, que inclusive foi lançado no Brasil  dia 16 de julho pela Galápagos e o outro é o Last Night on Earth.

Zombicide

O Zombicide é um jogo de exploração de cenário com missões que levarão o grupo (de forma cooperativa) à vitória. Cada jogador controla um personagens e se foca muito no confronto com os zumbis e exploração do cenário para pegar armas e itens diversos. Possui um tom mais de piada, inclusive, seus personagens são “inspirados” em personagens conhecidos do cinema e TV (como o Sheldon do Big Bang Theory, ou Michael Douglas no filme Um Dia de Fúria).

Last Night on Earth

Last Night on Earth também é focado em conseguir itens e confronto com Zumbis, com a possibilidade adicional de você ter jogadores controlando zumbis. Assim como o City of Horror, seus personagens são mais focados nos estereótipos das histórias de horror.

Ambos os jogos acima são jogo que trabalham com tabuleiros com quadrados para movimentação similar a um jogo de tabuleiro clássico, estilo D&D. São jogos de explorar, pegar itens, cumprir missões, matar zumbis que atrapalhem e finalizar a “fase”. São baseados em resolução de conflitos melhorados por jogadas de dados (o que leva o ponto de tensão do jogo ao resultado aleatório desses).

City of Horror não é um jogo de movimentação de tabuleiro, não é focado no confronto em si, conseguir armas certas, e definitivamente não tem jogada de dados para saber se você acerta zumbis ou não. O confronto com zumbis vai acontecer, mas o foco são as negociações que os sobreviventes terão que fazer para conseguir durar mais quatro horas, o aleatório do jogo é reduzido ou minimizado. Você irá competir por espaço nos lugares importantes, competir pelos recursos e para não ser morto. E, no final, ainda que algum personagem sobreviva, caso não tenha lembrado de reunir vacinas suficientes, os personagens morrem e mesmo tenha as vacinas e sobreviventes, começa a contagem por pontos, e a melhor estratégia de jogo definirá o vencedor.

Meu interesse por este jogo se deu quando alguns amigos falaram que era um jogo mais parecido com os clássicos de horror de zumbi, em que os personagens lutam entre si e alteram suas alianças de acordo com o
melhor para si. E devo dizer, este jogo é exatamente o prometido.

Semana que vem mais um jogo resenhado pelo Daniel, bom jogo!

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Publicado por em 05/08/2013 em BoardGames

 

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