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Resenha Board – Hammer of the Scots

17 jan

Wargame é meu estilo de jogo favorito. Mas uma coisa admito: é difícil um que “acerte em cheio” por causa do que podemos chamar de exclusivismo. Deixe-me explicar isso.

Existem wargames que são simplesmente maravilhosos: Combat Commander, Here I Stand, Hannibal, só para citar alguns. Mas mesmo esses jogos excelentes acabam tendo, aqui e ali, alguma coisa que parece só agradar a wargamers. Ou é uma questão de sorte/azar “alta” (wargamers vão entender as aspas), ou um jogo demais demorado, ou que exija conhecimentos históricos e sociais que mesmo gamers não vão ter.

Em suma, é difícil colocar na mesa esses jogos quando se joga contra não-wargamers.

Mas inclusive wargamers ocasionalmente são seus próprios inimigos. Muitos wargamers só enxergam um lado de seu próprio universo – só jogam jogos com miniaturas, se recusando a jogos com chits. Outros não aceitam jogos com guerras modernas ou contemporâneas, apenas colocando na mesa guerras antigas e medievais. Outros só encaram Warhammer 40K, ou apenas Tide of Iron, ou algum outro.

Admito que alguns jogos que possuo agradam a “gregos e troianos” – por exemplo, Britannia ou Cuba Libre. Mas, primeiro, são jogos que necessitam de exatamente 4 jogadores, o que é um empecilho. E dois, principalmente no caso do Cuba Libre, possuem muitas mecânicas de outros estilos, como os próprios euros. É um caso em que agrada mais facilmente um eurogamer que jamais jogou um wargame, do que um “wargamer” de um jogo só, como os citados acima.

Mas Hammer of the Scots é o wargame total que é polido como um diamante – divertidíssimo, uma duração ótima (entre 2 e 3 horas), exige tática e estratégica (além de muita coragem), não há nenhum erro (tirando talvez a questão da sorte, que alguns jogadores simplesmente não aceitam, mesmo não existindo jogo sem algum fator de sorte), nada que afaste não-wargamers, nenhuma regra obscura ou estranha, ao mesmo tempo sendo incrivelmente fiel historicamente. Um feito e tanto!

O jogo é sobre a revolução escocesa no século XIII. Resumindo, é o tema do filme “Coração Valente”. Um lado joga com os escoceses, buscando a independência, e outro com ingleses – o objetivo é conquistar o maior número de nobres para o seu lado. Como se faz isso? Nos combates, quando um nobre é derrotado, ele automaticamente passa para o lado inimigo (de fato eles se vendiam para quem oferecesse mais ou quem fosse mais perigoso).

O turno consiste em três etapas. Na primeira os jogadores jogam ao mesmo tempo uma carta de sua mão. Elas determinam iniciativa e quantas ações cada um terá (algumas são eventos especiais, como por exemplo cura ou uma trégua temporária). Então, um jogador move suas peças, depois o sem a iniciativa. Após isso, em todas as áreas onde há disputa, o combate é feito.

Um dos maiores charmes do jogo é que as peças são cubos e apenas um lado possui informações, que fica virado para quem o controla – isto é, temos um verdadeiro fog-of-war, pois o oponente só irá saber o que está enfrentando no início da batalha. As supresas são inúmeras! Além disso, os cubos possuem nas laterais níveis de força, geralmente de 3 a 1 (às vezes de 4 a 1). A cada dano levado, o jogador apenas vira o cubo para o lado que marca a nova pontuação.

A verdade é que é um sistema simples, mas completamente eficaz.

O mapa do jogo é uma maravilha de bonito – inclusive possui marcações históricas com os locais de batalhas e os castelos das regiões. Embora não afetem o jogo, dão uma grande claridade sobre os acontecimentos. O manual também é bastante rico em informações, sem ser chato – elas são concisas.

Outra grande vitória do Hammer of the Scots é que as regras que alteram pontos específicos – um determinado exército, a morte de um rei, etc. – não são demasiadas, mas o bastante para ver que os fatos históricos foram colocados no jogo com esmero. É daqueles jogos que em alguns minutos você explica e já está jogando, aproveitando 100% do jogo – sem exagero, é possível explicá-lo para um iniciante em menos de 10 minutos. É fato que um dos problemas dos wargames são as regras longas e cheias de detalhes – de forma que muitos erros acontecem quando os jogadores são iniciantes, sem contar aquele detalhe que mesmo jogadores experientes esquecem de usar de tanta coisa que precisam lembrar. Mas Hammer of the Scots fez algo muito difícil de se fazer – é complexo e ao mesmo tempo fácil de explicar.

Esse foi uma ótima descoberta que fiz e um daqueles jogos que considero agora um clássico. Um jogo feito com afinco e muito cuidado e que proporciona muitas diversões, seja para wargames ou não-wargames.

Semana que vem quero falar de um jogo muito bacana que comprei pelo Kickstarter: Zogar’s Gaze.

 

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