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Cosmic Encounter – resenha

10 nov

As naves cobriram a vista e eram tão numerosas e brilhavam tanto quanto as estrelas. Havia ali, claro, a presença de frotas de outras raças – vermes carniceiros, todas elas.

O Comandante-Chefe olhava a mesa de comando, observando os movimentos e avaliando as opções disponíveis. O chamado por auxílio encontrara algumas respostas – alianças oportunistas, é verdade, mas estavam ao lado deles, pelo menos. O Comandante desejava estar melhor preparado, mas contava com um trufo, caso fosse necessário.

O especialista de comunicações informou ao Comandante: “Mensagem captada e traduzida, Comandante. Logo estará na tela.”

A imagem da tela sumiu e foi substituída por um cinza claro que logo adquiriu cores e foi renderizada para exibir a forma inchada do General Bárbaro. O som demorou um pouco mais para sair dos altos-falantes: “Sem negociação”, foi a única frase. Os oficiais da ponte olharam o Comandante, em expectativa.

A réplica do General à mensagem do Comandante era esperada. E era por isso que ele esperava que sua carta na manga fosse o suficiente.

“Comandante, os sensores indicam elevação súbita nos níveis de energia”, avisaram-no. Os canhões de próton foram ativados, então.

O Comandante inspirou e depois ordenou: “Desliguem os escudos de ocultamento e reforcem os campos de nulificação. Chefe de Armas?”

“Sim, senhor?”

“Dê a ordem para ataque total.”

As cartas, afinal, estavam na mesa.

COSMIC ENCOUNTER – O JOGO

(Cortesia de slith)

Cosmic Encounter é um jogo em que os participantes assumem o controle de raças alienígenas (tem os Humanos também) com o objetivo de colonizar, na base da força ou da conversa, 5 planetas.

O jogo base acomoda até 5 pessoas. Mas cada expansão (e já tem duas publicadas e mais 1 prevista para o primeiro trimestre de 2012) permite que o limite de jogadores aumente em um.

O básico do jogo é o seguinte:

– Cada participante controla 5 planetas e 20 naves (4 em cada planeta);

– Cada jogador recebe 8 cartas e escolhe 1 raça para controlar;

(Cortesia de heinrichsteven)

– Em seu turno, o jogador revela uma carta de Destino, que mostra qual das raças (cor) com que ele terá o dito Encontro Cósmico. O Atacante escolhe qual dos 5 planetas do oponente ele deseja colonizar e destaca de 1 a 4 naves para realizar o serviço;

– Em seguida, primeiro o Atacante e depois o Defensor chama por aliados e cada participante que foi chamado decide se quer ou não se envolver e, em caso positivo, decide com quantas naves irá ajudar;

– Então, o Atacante e o Defensor escolhem uma carta e a colocam de face para baixo na mesa, revelando-as ao mesmo tempo. As cartas de Ataque contêm valores numéricos (que vão de 00 a 40). Cada nave adiciona 1 ponto ao valor da carta. Quem tiver o maior valor vence o encontro – se o Ataque vence, as naves do Defensor vão para o Warp (tecnicamente destruídas pelo momento), e o Atacante, junto de seus aliados, colonizam o planeta atacado. Se a Defesa vence, as naves que atacaram vão para o Warp, e os aliados da Defesa podem, para cada nave que envolveram no encontro, ganhar 1 carta ou recuperar 1 nave deles do Warp;

(Cortesia de The Warp)

– É também possível combinar uma Negociação, sendo que neste caso o Atacante e o Defensor usam cartas de Negociação e tem 1 minuto para chegarem em um acordo. Usualmente o acordo envolve trocas de colônias, mas o acordo por envolver cartas, naves, o que for. Porém, uma promessa de Negociar não precisa ser mantida (ou seja, o jogador pode dizer que irá colocar uma carta de Negociação, e então colocar uma de Ataque). Se os jogadores não chegarem a um acordo, ambos os lados perdem naves ao Warp e o encontro é considerado como mal-sucedido para o Atacante;

– Se o Atacante venceu (ou a Negociação foi bem-sucedida) ele tem um novo encontro (revelando uma nova carta do Destino). O segundo encontro é o último, mesmo que o Atacante vença novamente. Depois do 2º encontro, a vez passa ao jogador seguinte.

Isso é o básico. E é bem provável que em qualquer jogo de Cosmic Encounter que você participe os passos acima sejam alterados além do reconhecimento. Essa, por sinal, é grande parte da graça do jogo.

As raças mudam coisas como: mesmo na derrota as naves não vão para o Warp; ao invés de uma o jogador coloca duas cartas para o encontro; o jogador vê a carta que o outro colocou antes de colocar a dele; os valores das cartas são invertidos; é permitido ir para colonizar com mais do que 4 naves; e assim em diante.

VAMOS SER AMIGOS?

Portanto, a mecânica do Cosmic Encounter não é um bom foco para uma resenha, já que praticamente toda raça muda de alguma forma as regras. Mas uma coisa não muda: a interação entre os jogadores.

(Cortesia de Steve99)

O CE é principalmente um jogo de diplomacia. Há espaço para a conversa entre os participantes, arranjos de alianças, promessas de amor eterno (que raramente dura mais do que 1 encontro – quase como na vida real!) e, claro, bastante ameaças, garantias de honestidade, pessoas contando vantagem (“a menor carta na minha mão é um 20!”) e desse modo o jogo procede.

Os poderes das raças e as regras do jogo pontuam e guiam essas interações. As capacidades das regras são bastante assimétricas, tendo aquelas que definitivamente são mais fracas do que outras. É, então, uma vantagem sem merecer sortear um raça poderosa? Bem, sim, é sim. No entanto, o equilíbrio provém dos jogadores. Sua raça é poderosa? Não espere ser chamado para muitas alianças e é esperado que as cartas poderosas serão guardadas nos encontros que lhe envolverem. Ou seja, o desafio escala.

E É BOM?

(Cortesia de egypturnash)

É o melhor jogo que conheci em 2011. E nunca antes conheci tantos jogos quanto em 2011. Ou seja, isso significa alguma coisa.

No entanto, devo dizer que na 1ª vez que joguei, eu não gostei do CE. Eu entrei no meio da partida, num jogo com 7 pessoas e, por causa da raça que eu peguei estar na liderança, minha raça não era chamada para nenhum dos encontros. Fiquei, então, como observador de algo que não entendi inteiramente. Porém os outros que estavam ali pareciam estar se divertindo. Assim, dei uma segunda chance ao jogo. Esta foi uma excelente decisão.

Descobri que não é porque você não está envolvido diretamente no encontro (nem na defesa, nem no ataque), que você não participa. Falar é livre, então é possível influenciar as ações dos outros. Provocar. Criar cenários terríveis que intimidem (“Não seja bobo, claro que ele vai atacar! Ele chamou aliados! Se você quiser negociar, nem perca tempo e coloque já suas naves no Warp“).

Se jogos da tabuleiros são uma experiência social, o CE leva isso à 2ª potência. Até porque o jogo pode ser vencido em parceria (se, digamos, 2 ou mais jogadores, cada um com 4 colônias, aliarem-se num ataque e vencerem o ataque, todos eles ganham!).

Claro que tanta interação entre os participantes faz com que o CE não seja um jogo bom para todos. Quem gosta de jogar mais quieto, de jogos com mecânicas equilibradas, e desgosta de confrontos com outros participantes e de virar alvo, o CE pode não ser para você.

Mas para mim ele é um jogaço!

E é isso!

Abs,

 
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Publicado por em 10/11/2015 em BoardGames, resenha

 

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