RSS

Bora Bora – primeiras impressões

09 dez

Olá, pessoas!

Aviso que as impressões abaixo, como dito, são as primeiras, com base em uma partida, em 4 pessoas.

Bora Bora é um jogo que passa uma sensação similar àquela encontrada no The Castles of Burgundy – quase tudo que é feito gera pontos, e o objetivo é encontrar os melhores caminhos para pontuar (e não só pontuar em si, pois, como dito, quase tudo fará isto). Há muito para ser feito: construir, adquirir trabalhadores (homens e mulheres), colocar sacerdotes no templo, conseguir materiais (pedra, madeira e areia), mover, comprar joalherias, ativar trabalhadores, usar cartas (pagando oferendas) ou peças de deuses, as quais curvam as regras normais permitindo ações que normalmente não seriam possíveis, completar tarefas, acumular conchas (dinheiro), avançar na ordem de turno (por posição e, claro, por pontos) e algumas outras possibilidades.

É um jogo com diversas ações possíveis e pode ser difícil ver além da matriz de pontos de forma a ver a codificação que lhe permitirá ir melhor do que outros, tornando-se uno com os pontos e controlando-os de forma que façam a sua vontade.

O Bora Bora requer, portanto, queimar a pestana e uma boa dose de timming: ocorreu com frequência que um ou mais jogadores suspirassem desejando ter “uma ação a mais” para que tudo se encaixasse. Isso, claro, pode levar os participantes a um enorme AP (analisis paralisis – ficar pensando nas possibilidades, congelado, sem conseguir se decidir por algo), enquanto tenta-se olhar para o abismo de forma a compreender o que é necessário ser feito, em qual momento e em qual ordem; no entanto, os dados estão ali para agir contra isso, sendo odiosas limitações para seu elenco de ações possíveis.

A alocação de dados no Bora Bora é inteligente: tanto números alto quanto baixos podem ser igualmente úteis, então quase independente do que for rolado, usualmente haverá maneiras de usar os números para obter um bom resultado: números altos permitem fazer ações melhores, obtendo o máximo delas: mais opções, posição melhor, mais possibilidades. Porém, quanto maior o número, mais espaço deixa-se para que os outros usem a mesma ação, de forma quase igual à sua. Os números menores, portanto, usualmente fornecem ações piores, contudo podem impedir outros de utilizarem o mesmo espaço. Isso tudo faz do Bora Bora mais interativo do que o The Castles of Burgundy, pois no primeiro há tanto a negação de itens (que é o ápice da interação no The Castles of Burgundy – pegar algo que alguém pode querer), como também a negação de ações – seria como se, no CoB, quando alguém utilizasse um dado com o número 1 para pegar uma peça, o espaço ficasse completamente bloqueado e ninguém mais pudesse ir lá pegar peças. Como essa dupla negativa traduz-se num jogo mais mesquinho, sentimentos podem ser feridos com mais facilidade (eu mesmo fiz uns bloqueios safados quando podia, e houve xingamentos, resmungos e lágrimas por toda a terra), então o Bora Bora pode não ser uma opção tão boa para jogar em 2 quanto o CoB é.

Ao final do jogo – depois de seis rodadas – os participantes pontuarão alguns pontos de bônus por certos feitos: cumprir todas as tarefas, ter 6 joias, colocar todas as cabanas nas ilhas, e assim em diante. Esses, somados aos demais pontos obtidos durante a partida, decidirão quem será o vencedor, que será aquele com mais pontos.

Devo dizer que eu não estava com muita vontade de conhecer o Bora Bora. Porque eu estava assustado. O player aid parecia-me como o trabalho de um louco, com tantas coisas nele que apenas um vislumbre deixaria qualquer um insano. Só que eu joguei Gurps Supers, então eu sabia como lidar com grandes quantidades de regrinhas e opções. Assim, consegui suportar a explicação das regras, vi os mecanismos do construto e os componentes da salada. No geral, as coisas não eram tão ruins quanto eu estimara, ainda que minha preferência seja carne mais temática com bastante molho de eventos aleatórios. Tudo parecia fazer algum sentido, e, afinal, o player aid agora mostrava-se menos Hieronymus e mais Bosch (ferramenta).

O fluxo do jogo é OK, com cada pessoa usando 1 dado em seu turno, basicamente o mesmo que ocorre no The Voyages of Marco Polo, porém ainda mais simples e definitivamente mais rápido do que os turnos no CoB, pois neste o uso de um dado pode promover diversos efeitos em cascata, com ativações múltiplas, como ao posicionar um Castelo, então usa-se o efeito deste para colocar uma peça marrom, que então ativa outra coisa e assim vai. No Bora Bora eu não vi efeitos similares ou combos além de um óbvio – pegar trabalhadores que façam a mesma coisa, pois ao serem ativados, todos os iguais fornecem seu benefício. A progressão de efeitos no Bora Bora é bem suave, e as coisas que você está fazendo no começo do jogo serão as mesmas que realizará no final, pois não é maneiras de potencializá-las ou encadeá-las. Ao contrário – com o passar do jogo, o normal é ter menos e menos opções, com as cabanas já ocupando certos locais, os espaços para os trabalhadores já preenchidos, os trabalhadores já ativados, sem espaço para um ou outro tipo de recurso, etc. Isso, em certa monta, também ocorre no The Voyages of Marco Polo e no The Castles of Burgundy, mas com as peças amarelas no segundo, e com o rendimento cedido pelas cidades menores no primeiro, as coisas encaminham-se para um crescendo, mesmo que as opções tornem-se mais restritas.

No final a partida não termina com um clímax – só com uma contagem.

O Bora Bora é um jogo bem urdido, mais exigente do que tanto o The Voyages of Marco Polo quanto o The Castles of Burgundy, todavia é menos assustador de aprender de de jogar do que eu supus. Tudo funciona direitinho. Entretanto, meus gostos não ajustam-se mais como outrora a esse tipo de jogo – já gostei mais, porém minhas experiências impulsionaram-me na direção de jogos de outro estrato, usualmente não envolvendo otimizar a obtenção de pontos. Mesmo assim, estaria disposto a entrar em partidas ocasionais do Bora Bora, só que, na soma final, eu prefiro o The Voyages of Marco Polo e o The Castles of Burgundy sobre ele.

E é isso!

Abs,

Crédito das imagens (em ordem):
W Eric Martin
Schaulustiger

 
Deixe um comentário

Publicado por em 09/12/2015 em BoardGames, resenha

 

Tags: , , , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: