RSS

Caverna: The Cave Farmers – primeiras impressões

29 dez

Olá, pessoas!

Aviso que as impressões abaixo, como dito, são as primeiras, com base em uma partida, em 3 pessoas.

Os sentimentos são muito similares ao do Agricola, com as principais diferenças sendo a ausência das cartas, todas substituídas por construções disponíveis para qualquer um fazê-los. Então o set up de todos é igual. Depois, ainda que hajam várias momentos para alimentar, alguns seguidamente (com 1 só rodada de preparação), é bem mais fácil evitar a fome, pois transformar animais, grãos e vegetais em comida é algo livre, sem demandar lareira ou outros implementos que permitam tal transformação. Ademais, há dinheiro no jogo, que não tem muita função, exceto valer pontos e possibilitar a compra de comida.

Regras:
Há várias minúcias nas regras, o principal é o seguinte: tem-se o espaço da caverna, onde os anões vivem, e a floresta fora da caverna. Na caverna pode-se cavá-la para abrir túneis, onde é possível minerar, para obter minérios e rubis, e espaços para novas habitações e construções. Na floresta é possível desbastá-la para obter campos para plantio e pastos para os rebanhos. As ações do Caverna: The Cave Farmers envolvem coisas similares ao do Agricola: obter recursos (minério, madeira, pedra, rubis, animais), fazer construções, cercados, campos arados, escavações, aumentar a família, etc. E fazer armas e ir se aventurar. Sim, isso é diferente. É mesmo “aventuroso” do que parece. Em termos de jogo é o seguinte: usa-se um espaço do tabuleiro para poder converter minérios em arma – quanto mais minérios, melhor a arma. Com armas os anões podem ir em aventuras – elas sempre são bem-sucedidas, e não há realmente uma fase de aventura. O que acontece é só que, ao ir em uma espaço que permita ao anão aventurar-se, indica-se se a aventura é de nível 1, 2, 3 ou 4. O anão recebe recompensas de acordo com o nível da arma ou mais baixo – então, se o anão tem uma arma de nível 7, ele pode pegar qualquer recompensa do nível 7 ou menor. O nível da aventura indica quantas recompensas o anão receberá: uma de nível 3 dará 3 recompensas, que não podem ser iguais. Então, mantendo-me no anão com arma 7, após ir numa aventura 3, ele pode, digamos, pegar uma recompensa de nível 7, uma de nível 5 e uma de 4. Após receber as recompensas, o anão melhora sua arma em 1 nível, assim, ao retornar para o jogador, o anão terá uma arma nível 8. Por fim, vale dizer que vários dos espaços para ações possuem duas opções de uso – em alguns pode-se fazer ambas, em outros, um ou outra. De qualquer forma, a possibilidade dupla fornece mais o que avaliar no momento da escolha do que fazer, o que é bom.

Construções, como esperado, melhoram certas ações, possibilitam outras, permitem aumentar a família de anões, ganhar pontos de bônus ao final da partida, etc. Todas iniciam disponíveis para todos os jogadores. Quase todas são únicas – uma vez feita por alguém, não está mais disponível para os demais, o que torna a disputa mais acirrada se dois ou mais jogadores seguem por um caminho similar e têm interesse pela mesma coisa.

O objetivo segue fazer mais pontos, porém, diferente do Agricola, onde é necessário cobrir bem todas as áreas, devido, primeiro, pelo limite de pontos dados – não é possível, normalmente, no Agricola, fazer uma estratégia “dos grãos”, ou “das vacas”, pois nenhuma produzirá, sozinha, pontos necessários para vencer uma partida. E, segundo, aos pontos negativos dado por tudo o que falta. O Caverna: The Cave Farmers, ao contrário, permite aos jogadores focarem-se em certos elementos. Sim, há pontos negativos por tipos de animais faltantes, e por espaços não utilizados, na caverna ou na floresta, mas não chegam a ser determinantes. Pois não há limite de pontos para qualquer coisa e é totalmente possível seguir uma linha – rubis, animais, aventuras, etc – e potencializá-la ao máximo, talvez levando-lhe à vitória. No Agricola o vencedor é, usualmente, o melhor generalista. No Caverna: The Cave Farmers o vencedor é pode ser o melhor especialista.

Decisões:
As decisões são, no geral, igualmente complexas, porém, creio que, nas primeiras partidas, os jogadores terão mais dificuldade com Caverna: The Cave Farmers, devido ao universo mais amplo de opções – são 48 tipos de construções disponíveis, enquanto no Agricola tem-se somente menos de uma dezena de cartas e dez aprimoramentos maiores. Claro, é possível jogar uma versão mais simples, nas primeiras experiências, para ir-se acostumando de forma ponderada ao jogo, no entanto, parece-me que o jogo, assim como o Agricola na versão família (sem cartas), fica com metade da diversão faltando. Agora, para aqueles que já conhecem razoavelmente bem o Agricola será, suponho (pois foi assim comigo), bem simples entrar direto no jogo completo do Caverna: The Cave Farmers.

Interação:
Como no Agricola, o Caverna: The Cave Farmers tem sua interação na parte do “pegaram o que eu queria”. E fica nisso. É ainda menor do que o Agricola quando utilizando-se certos baralhos, que tornam os efeitos impactantes para os demais. O Caverna é sim um daqueles jogos em que um faz a sua coisa, outros fazem as deles, e no final compara-se os resultados. O jogo demanda alguma atenção no que os outros estão aprontando em seus tabuleiros, mas não é algo muito determinante e raramente chegará ao ponto de causar mágoa ou fará alguém sentir-se perseguido. Sim, pode ser quem, num momento chave alguém perder um espaço ou, principalmente, uma construção essencial para fazer sua estratégia encaixar-se completamente, pode ter impacto severo nas chances da pessoa atingida vencer. Mas aí passa por questões separadas (se era tão importante, deveria, se possível, ter garantido antes, por exemplo). No geral, o Caverna: The Cave Farmers é recomendado para duplas constantes de jogadores (como casais), pois o foco fica em aprimorar seu tabuleiro, e não em emperrar o do outro. No entanto, o Caverna é um jogo complexo, certamente não recomendado para quem tem pouca experiência nos tabuleiros.

Tempo de jogo:
Talvez por não ter tanta pressão para alimentar a família, o Caverna: The Cave Farmers proporcionou um jogo dinâmico – em três encerramos tudo em cerca de 90 minutos. Às vezes tínhamos alguns momentos de demora, avaliando as muitas opções, principalmente, para mim, quando eu escolhia entre as opções de recompensa das aventuras – era comum o turno do jogo retornar para mim e eu ainda não ter finalizado minhas escolhas, pois tudo que é dado tem seu uso e valor, e nem sempre é simples saber o que é melhor naquele exato instante.

Componentes:
Os componentes são de qualidade, com ilustrações muito bem feitas. Por sinal, o jogo vem com uns 2 hectares de madeira processada dentro da caixa, que vem com peças para o ridículo de 7 jogadores. Não entendo o motivo para isto, ou porque alguém se disporia a passar pela tortura de jogar em 6 ou 7 (até cinco dá para titubear). Se por um lado, no mínimo vale como mais opções de cores para as pessoas, por outro, mais relevante, é algo desnecessário e que, de fato, para a maioria, só servirá para aumentar o custo de adquirir o jogo e de carregá-lo por aí, pois o peso da caixa é qualquer coisa de absurdo.

Conclusão:
No geral, o Caverna: The Cave Farmers mostrou-se como um bom jogo, repleto de opções para os participantes, numa complexidade que exigirá algumas partidas para ser compreendido em sua totalidade, mas que, mesmo em uma primeira partida, permite obter sucessos em graus variados. O Caverna: The Cave Farmers serve ocupa, sim, o mesmo nicho do Agricola, as semelhanças são várias, a sensação de jogo é basicamente a mesma, e a duração da partida é similar. Agora, para mim o Caverna: The Cave Farmers não é superior ao Agricola, e nem inferior. O Agricola é mais exigente e cruel – ainda mais jogando-o com certos baralhos e, principalmente, se incluso a excelente expansão Agricola: Farmers of the Moor. O Caverna: The Cave Farmers é mais aberto, mais livre, sem tantas limitações. Porém, as potenciais inter-relações entre as centenas do Agricola permitem, se não um final muito diverso (devido à necessidade de ter quase tudo de tudo em alguma monta), maneiras amplamente diversas de chegar ao ponto final. No Caverna: The Cave Farmers, o que funcionou uma vez, pode muito bem funcionar de novo, e de novo, pois o conjunto envolvido é fixo. Caberá ao jogador buscar caminhos novos, desafiar-se.

E é isso!

Abs,

Crédito das imagens (em ordem):
W Eric Martin
AndriusLT
tinwe

 
Deixe um comentário

Publicado por em 29/12/2015 em BoardGames, Jogos, resenha

 

Tags: , , , , ,

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: