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Trash Comics… not: Ms. Marvel, Cavaleiro da Lua e Gavião Arqueiro

06 mar

Mas vamos falar de coisas boas. Não é de se espantar que os melhores gibis norte-americanos usualmente foram os que estão às margens das grandes empresas. Não os independentes (embora seja de lá que venham os grandes autores), mas quando uma Marvel ou DC deixa um autor talentoso ser criativo com um personagem de segundo escalão ou pior (e coloca um grande desenhista junto). Alan Moore com Monstro do Pântano, Morrison com Homem-Animal, Gaiman com Sandman (ok, neste caso ele que criou, mas era para ter sido outro Sandman antigo), Miller com o Demolidor, por aí vai. Isso sem nem falarmos dos originais da Vertigo ou da antiga Epic Comics.

Infelizmente, há anos estamos na época das sagas infinitas – parece que a DC comics fará outra saga nos moldes de 52, e a Marvel outra Guerra Secreta… alguém ainda acompanha isso? Faz sentido tentar entender aquelas coisas? Onde estão as histórias divertidas de antigamente? Que se pode pegar para ler a partir de qualquer número e se divertir? Entreter-se? Refletir um pouco sobre assuntos variados?

Estão nas bancas, mas escondidas. Títulos menores que são excelentes – que me fazem lembrar ser ainda possível fazer grandes histórias com heróis com roupas colantes. Hoje irei falar de três:

1.CAVALEIRO DA LUA – “Dos mortos”, de Warren Ellis e Declan Shalvey

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O Cavaleiro da Lua sempre foi 1) um personagem com grande visual e 2) histórias ruins. Como uma versão em negativo do Batman, nem as primeiras histórias eram grande coisa. Quem é ele? Um Batman que teria sido ressuscitado por um deus egípcio e que tem uns amigos meio inúteis e que usa outros disfarces para combater o crime (taxista, mercenário, etc.). Chato pacas. Lá em baixo na hierarquia Marvel de importância, perto do Plastic Man da DC (que também ninguém consegue escrever direito).

Mas as aventuras do novo Cavaleiro da Lua viraram tudo de cabeça para baixo. O que foi feito:

  1. O Cavaleiro da Lua é realmente louco e sabe disso. Está completamente insano! Não há muita razão para o que ele faz, mas faz bem demais.
  2. Aventuras compactas – cada edição começa e termina a ideia. Isto é, você pode pegar qualquer história e se divertir.
  3. O desenhista, Shalvey, é excelente, e o clima que ele consegue é imbatível.
  4. Agora, ele é um defensor dos “Viajantes da Noite” (originalmente isso era mencionado, mas nunca usado como agora). Qualquer pessoa que esteja viajando durante a noite (pode ser em sonhos), será protegida (ou vingada) pelo herói. Soa estranho, mas funciona bem.

Recomendadíssimo. Finalmente um dos visuais mais alucinantes dos quadrinhos está sendo escrito com a dignidade que merece (e isso que criaram um segundo visual para ele que ficou incrível).

Infelizmente a partir da edição 7 o roteirista e desenhista mudaram. Ainda é de boa qualidade, embora seja apenas bom, não incrível. Pelo menos parece que a cada 6 números autores e desenhistas irão mudar, o que pode gerar ideias interessantes.

2.MS. MARVEL – “Nada Normal”, de G. Willow Wilson e Adrian Alphona

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Lembram quando inventaram o Homem-Aranha e os quadrinhos foram revolucionados – um herói frágil, estudante, com uma família para cuidar, problemas amoroso, tentando entender seus poderes, o que deve ou não fazer? Então.

Eis Ms. Marvel, que você deve imediatamente ir à banca comprar, pois é provavelmente o melhor quadrinho de herói feito neste século. Na história, uma garota muçulmana que curte os heróis da Marvel (para ser sincero, poderia ser até um mundo paralelo onde eles nem existissem) inexplicavelmente se vê dotada de poderes como a mutação. Mas isso nem importa tanto – o mais divertido é como ela não consegue usar bem seus poderes, as dificuldades em esconder isso de sua família, etc. As histórias são bem tranquilas e perdem (finalmente) aquela aura de “sou um herói e irei salvar o mundo”, mostrando a questão do ponto de vista de uma pessoa normal. Sei que ocasionalmente alguém tenta fazer isso, mas aqui é o exemplo em que melhor vi isso funcionando. Espero que continue mantendo o nível.

3. GAVIÃO ARQUEIRO – de Matt Fraction e David Aja

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Li maravilhas a respeito desse título – “o melhor título da Marvel” é o mais repetido – mas admito que, embora as histórias sejam legais, não me surpreenderam. É um Gavião Arqueiro vestido que nem gente e fazendo atos heróicos mais mundanos – lutando contra mafiosos e salvando cachorros – mas a diferença maior é ser um tanto estilo desenho animado… com ações bem plásticas e visuais. Pulando de janelas, sendo perseguido por carros, atirando flechas a torto e a direito, vencendo de 20 vilões só no soco. Eu li apenas as 5 primeiras histórias, e talvez tudo melhore, mas não achei tão ousado como os dois títulos acima. Os desenhos são excelentes, e o Gavião Arqueiro sempre foi um personagem interessante – às vezes muito mais que os mais badalados – mas conhecendo suas histórias antigas, não posso dizer que essas de agora são revolucionárias. Mas são interessantes mesmo assim.

Talvez o ponto negativo é que essas histórias estão bem amarradas com o mundo “usual” da Marvel, o que os dois títulos mencionados anteriormente não tinham. Quer dizer, ainda carregam esse peso desnecessário que, na minha opinião, só limita.

De qualquer maneira, está dada a dica, principalmente para aqueles que não aguentam mais esses dramalhões atuais e sagas ruins que não terminam nunca.

 
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Publicado por em 06/03/2016 em Geral, Quadrinhos

 

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