RSS

Arquivo do autor:vazquezramos

Destruction of Army Group Center – relato

WaW 9 DAGC.indd

Antigamente era mais comum haver relatos de wargames aqui, e não há nada como voltar à tradição.

Este foi o primeiro wargame que comprei, lá em muito tempo atrás. Fui totalmente no chute, visto que eu ainda não conhecia ninguém que curtisse esse estilo de jogo. A World at War é uma revista da mesma empresa que faz o Strategy & Tactics – além do jogo há várias matérias sobre guerra. O melhor é que sempre acompanha uma matéria longa sobre o evento retratado no jogo.

O mais incrível é que o jogo é de fato muito bom. Ele lida com os últimos dias do Grupo de Exércitos Centro (wikipedia), e é um jogo que dura entre 2 horas e meia e 3 horas, com regras relativamente simples – embora com chrome na medida certa entre o realismo e a diversão.

O jogo se inicia na configuração abaixo:

Read the rest of this entry »

 

Dylan Dog – editora Lorentz

Hoje entrei na banca de jornais e, que alegria – descobrir que Dylan Dog voltou a ser publicado no Brasil! No início serão apenas 3 edições, mas vai que…

dyyy

É uma editora pequena, parece ser a única coisa que já lançaram. Porém, a edição é ótima. Pra começar, é no formato original italiano. Admito que eu não conseguia ler as edições da Mythos:

1ozdgv

É um crime. Afinal, estamos falando de um dos maiores gibis de todos os tempos! Quem conhece, sabe – não irei me estender. E quem não conhece, precisa conhecer. Isso é gibi de horror de alto nível intelectual. Estamos falando de quadrinhos que o Umberto Eco lia.

Umberto. Gênio. Eco.

Se você tem “medo” do Dylan Dog porque é da mesma editora do Tex e Zagor – NADA. A. VER. Só acontece de ser a mesma editora. Tex e Zagor e Julia não chegam aos pés de Dylan Dog. Nathan Never e Ken Parker não chegam aos calcanhares de Dylan Dog. Mágico Vento não chega aos tornozelos de Dylan Dog. Bem, vocês entenderam o espírito.

Dylan Dog: simplesmente fantástico.

 
1 comentário

Publicado por em 13/05/2017 em Geral, Quadrinhos

 

“Logan” – crítica do filme

logan-movie-poster-117 anos após termos visto o primeiro filme do X-men, surge, contra todas as expectativas, um dos filmes mais originais sobre heróis já feito, que trata de temas que nenhum dentre as dezenas já feitas sequer chega perto de tratar – a mortalidade. Passado em um futuro próximo, mas sem nenhum dos sonhos da humanidade realizados – não temos tecnologia de ponta ou carros voando pelos céus – na verdade, tirando alguns detalhes, é igual ao nosso mundo de hoje, mas piorado. A palavra chave para o setting e para o filme é: desolação.

O filme inicia com Logan (Hugh Jackman) trabalhando como chofer, um alcóolatra cujos poderes de cura já não funcionam bem, guardando seus lucros para comprar remédios para Charles Xavier (Patrick Steward), um nonagenário que não consegue mais controlar os seus poderes. Junto de Caliban (Stephen Merchant), os dois sonham em conseguir dinheiro o bastante para comprar um barco e sair da sociedade, passar seus últimos dias no mar.

Os mutantes são parte do passado. Há mais de vinte cinco anos nenhum mutante surgiu, e a maioria dos que conhecíamos já morreu. Mas surge Laura (Dafne Keen), uma menina que possui poderes estranhamente similares ao de Logan – e, com ela, toda uma força governamental que deseja aniquilá-la. Assim, esses últimos mutantes saem em busca de um local talvez real, talvez não, chamado Éden, um paraíso onde mutantes sobreviventes estariam protegidos.

Emocionalmente o filme gira em torno de um tema raramente (ou jamais) visto em filmes de heróis – a velhice e a mortalidade. Até então os heróis sempre foram não apenas invencíveis, mas imortais – mesmo as raras mortes que ocorrem nos filmes são geralmente de personagens secundários (e que podem retornar a qualquer momento). Em Logan, Wolverine e o Professor X são homens velhos, Caliban é frágil, e a sombra da mortalidade é constante, uma assombração que paira sobre o filme até a última cena (literalmente).

Vale notar que o filme é bastante violento, com cabeças decepadas e sangue em grande quantidade. Mas vale elogiar que essa violência nunca é gratuita, mas corrobora com o sentimento de desolação do filme. O assassinato é sempre visto como o último recurso, e reflexo de um mundo onde não há esperanças. Em suma, as mortes não são feitas para serem vibradas, mas desprezadas.

Em espírito este filme é muito mais próximo a um faroeste do que propriamente a um filme de herói. Muitos compararam Logan com os grandes filmes de Clint Eastwood, e é uma comparação coerente. Outros filmes com uma tocada similar seriam Filhos da Esperança ou A Estrada. Também por isso o filme é mais adequado a uma platéia adulta, muito distante de qualquer outra produção da Marvel (ou mesmo da DC Comics). The Dark Knight seria um pouco mais próximo, mas mesmo nesse filme ainda temos muitos malabarismos heróicos – a Batmoto, cair de um edifício de cem andares sem sofrer um arranhão, os planos impossíveis do Curinga, etc. Logan é bastante pé no chão até onde um filme de herói pode ser. Não temos vilões como Curinga ou Zola, com planos absurdos, ou com desejos estilo James Bond de conquistar o mundo ou trazer o apocalipse. Na verdade, a intenção dos vilões não é diferente daquelas de uma Monsanto ou qualquer grande corporação atual, isto é: dominar o mercado, conseguir lucro mesmo que isso exija você matar a concorrência. Como dito, o futuro que é mostrado é só um passo além do nosso.

Apesar do clima lúgubre, o filme faz uso de uma estrutura narrativa bastante complexa no que se refere ao meta, às auto referências. Existe um condutor do filme que são os próprios gibis dos X-Men, e a mensagem passada – além de uma referência direta a um filme de faroeste, Shane – é uma que deveria servir para todas as histórias que são contadas, sejam elas revistas em quadrinhos, filmes ou livros. Pois parte de nosso intelecto depende daquilo que aprendemos através de histórias, dependemos delas para aprender, refletir, julgar. E Logan é o primeiro filme de herói em que isso, nos contar algo, nos mostrar algo real através da ficção, está milhas à frente do resto – à frente de malabarismos, efeitos especiais, missões impossíveis. É por isso que para mim Logan satisfez não apenas como um filme de heróis – ele me satisfez como filme, como uma história que foi contada, sobre a qual podemos pensar.

 

 

 
Deixe um comentário

Publicado por em 23/03/2017 em Geral

 

Trash Comics – Editora Abril…

Pessoal, a coluna de hoje será breve.

Uma pergunta geral: qual é a história mais famosa já escrita? Não apenas agora – em todos os tempos. Aquela que um maior número de pessoas conhece ou já conheceu! Que seja conhecida tanto hoje, aqui no Brasil, como na China há mil anos atrás, ou na Roma antiga.

Sendo realistas, não há como responder. É algo imensurável, mesmo com um estudo histórico profundo. Mas podemos sugerir alguns nomes. Seria a história de Adão e Eva? A Arca de Noé? A vida de Jesus Cristo? A Odisséia? Dom Quixote? Hamlet? As fábulas de Esopo?

Não temam, a editora Abril sabe a resposta:

Read the rest of this entry »

 
Deixe um comentário

Publicado por em 12/04/2016 em Geral

 

Trash Comics… not: Ms. Marvel, Cavaleiro da Lua e Gavião Arqueiro

Mas vamos falar de coisas boas. Não é de se espantar que os melhores gibis norte-americanos usualmente foram os que estão às margens das grandes empresas. Não os independentes (embora seja de lá que venham os grandes autores), mas quando uma Marvel ou DC deixa um autor talentoso ser criativo com um personagem de segundo escalão ou pior (e coloca um grande desenhista junto). Alan Moore com Monstro do Pântano, Morrison com Homem-Animal, Gaiman com Sandman (ok, neste caso ele que criou, mas era para ter sido outro Sandman antigo), Miller com o Demolidor, por aí vai. Isso sem nem falarmos dos originais da Vertigo ou da antiga Epic Comics.

Infelizmente, há anos estamos na época das sagas infinitas – parece que a DC comics fará outra saga nos moldes de 52, e a Marvel outra Guerra Secreta… alguém ainda acompanha isso? Faz sentido tentar entender aquelas coisas? Onde estão as histórias divertidas de antigamente? Que se pode pegar para ler a partir de qualquer número e se divertir? Entreter-se? Refletir um pouco sobre assuntos variados?

Estão nas bancas, mas escondidas. Títulos menores que são excelentes – que me fazem lembrar ser ainda possível fazer grandes histórias com heróis com roupas colantes. Hoje irei falar de três:

1.CAVALEIRO DA LUA – “Dos mortos”, de Warren Ellis e Declan Shalvey

moonsketch-copy2

O Cavaleiro da Lua sempre foi 1) um personagem com grande visual e 2) histórias ruins. Como uma versão em negativo do Batman, nem as primeiras histórias eram grande coisa. Quem é ele? Um Batman que teria sido ressuscitado por um deus egípcio e que tem uns amigos meio inúteis e que usa outros disfarces para combater o crime (taxista, mercenário, etc.). Chato pacas. Lá em baixo na hierarquia Marvel de importância, perto do Plastic Man da DC (que também ninguém consegue escrever direito).

Read the rest of this entry »

 
Deixe um comentário

Publicado por em 06/03/2016 em Geral, Quadrinhos

 

Tags: , , ,

Trash Comics: O Falcão e o racismo nos quadrinhos

Vamos ser diretos: o Falcão é um dos maiores personagens da Marvel Comics. E ainda mais o Falcão original, criado pelo mestre Stan Lee e pelo brilhante Gene Colan.

No início, Sam Wilson era um cara normal que tinha um falcão que ele havia amestrado. Quando o Capitão América conheceu ele, o Falcão estava, sozinho, ajudando uma vila a batalhar contra criminosos nazistas. Com as mãos nuas. Em um dia, ele aprendeu a lutar igual ao Capitão. Não sei vocês, mas uma coisa é nascer mutante, tomar um soro ou ser picado por uma aranha que – sorte – te dá poderes. Mas domesticar um falcão e lutar contra o Capitão de mano com o mínimo de preparo – você precisa ser bom mesmo.

falcon-first-appearance

Gene Colan: “Eu amava desenhar negros… muito de sua força, espírito e sabedoria está escrito em suas faces.”

Com o tempo as coisas foram mudando e o Falcão começou a expandir seus poderes, voar, ter uma vestimenta mais bacana, essas coisas. Em determinada época, ele chegou a dividir o título da revista do Capitão América – ela se chamava “Captain America and the Falcon”. Ele era bom assim.

Tudo muito lindo e maravilhoso. Até que apareceu esse branco aqui:

Read the rest of this entry »

 
Deixe um comentário

Publicado por em 19/02/2016 em Geral, Quadrinhos

 

Tags: , ,

Trash Comics: Ravage 2099

Para quem não sabe, mas lá muito antigamente quem publicava os quadrinhos da Marvel e DC no Brasil era a editora Abril. E uma das coisas que ela adorava fazer era cortar páginas e edições inteiras – sem dar justificação alguma. Inúmeros personagens tiveram até mesmo longas sequências de histórias saltadas.

Eu vim a adquirir algumas dessas histórias, comprando as edições originais. Admito agora que alguns saltos não foram tão absurdos assim, pois economizaram nosso tempo e dinheiro – eram histórias para lá de ruins.

O caso que mostrarei hoje é um tanto difícil de julgar, pois o personagem já era mequetrefe e ferraram ele de jeito: RAVAGE 2099 – que teve apenas sua primeira história publicada no Brasil, e depois somente lá no volume 12 ou até mais, talvez nem isso.

Criado pela lenda Stan Lee e pelo excelente artista Paul Ryan, Ravage 2099 era assim:

197171-77400-ravage-2099

Um herói para os tempos modernos.

Antes de mais nada, uma breve introdução ao universo 2099. Lembram que dias atrás comentei que muitos heróis novos são apenas variações de heróis já existentes? Então.

Homem-Aranha 2099… Justiceiro 2099… Motoqueiro Fantasma 2099… Hulk 2099… Dr. Destino 2099…

Read the rest of this entry »

 
Deixe um comentário

Publicado por em 02/02/2016 em Geral, Quadrinhos

 

Tags: ,